quinta-feira, 6 de junho de 2019

FUTURO

Talvez tenhamos ilusões sem futuro            
Eis a nossa casa!

talvez tu e eu não tenhamos futuro

A Luz ou o escuro 
não vou escolher
as palavras são minhas
aprendidas, ouvidas aqui e ali
e a beleza é eterna como te mostro aqui
Alguém desfolha minhas letras
fábulas e dunas estranhas saem delas
mas são minhas 
e não as posso entregar a ti
já não posso 
perdi essa liberdade

Mas te amo mais
Do que me amo a mim

Perdi-me na noite
Junto a ti!


Maria Luísa Adães


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sábado, 18 de maio de 2019

TEMPO




Caminhemos pelas ondas
mansas e sonolentas
e encontremos um caminho 
sedento de tudo
e cansada te leve ao meu jardim
através da multidão que corre apressada

Vem para meu recanto breve
onde tudo canta e é leve
Não contes o tempo
talvez se esqueça de mim e de ti
e nos deixe ficar!...


Maria Luísa Adães


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sábado, 6 de abril de 2019

PARTILHAR

Partilhei contigo               
E ele toca uma canção de amor...


Toda a nossa vida
todos os anseios 
todas as dúvidas
todos os sonhos
e ainda os de exaltação intima 
todos os esplendores da própria vida
e a negação dessa mesma vida

Partilhei
os desgostos
as mágoas
as incertezas
os lutos que surgiam 
a ânsia de amar 
e de dar com amor e alegria 

E um dia acordei e não te encontrei
e estavas a meu lado 
dormindo o teu último sono
E aceitei e sofri e chorei

E neste momento apenas te peço
Ajuda-me a continuar...


Maria Luísa Adães



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sexta-feira, 29 de março de 2019

VEM...

Vem e entra em meu jardim
e volta sempre à mesma hora

E não esqueças nunca
Que o plantei para ti...



Maria Luísa Adães




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terça-feira, 19 de março de 2019

TEATRO VII (Missão Cumprida)

Como se alguém nos olhasse                      
Me esqueci quem foi o artista. Me desculpem!

Do cimo do Universo
Desce uma escada de Sete Degraus
Apenas uma escada

Fica suspensa
Entre a Terra e os Astros
A escada flutua
Não cai está presa pela Lua

Por cima um mundo aliciante
por baixo o Planeta Terra

Meus gatos
têm um novo estatuto
são gatos da Terra e do Ar

O feitiço caiu
eles estão libertos
prontos a me abandonar

Estão entre as estrelas e o mar
levitam em cada lugar

Tomam as sete cores
abandonam a porta chapeada de sete chaves
e escolhem nos sete degraus
O lugar onde vão ficar

Começam a miar
levantam os olhos ao luar
estão prontos a amar

A lua sorri
os astros entendem
as fadas e duendes se juntam a louvar

Minha missão está cumprida
os salvei de monstros e lhes dei guarida

Fico a olhar  os Sete Degraus
onde vão ficar 
A daí planar...


Maria Luísa Adães



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sábado, 9 de março de 2019

SOLIDÃO

Ama a solidão                       

as colinas
os lagos
os rios
os oceanos
o teu amor
os teus filhos e netos
o teu clamor de justiça
O teu esplendor

Não esqueças nunca os teus versos

Ama a solidão
o silêncio da força que se renova
o silêncio da força que brota
de uma fonte profunda
as águas da vida
Ama em especial o teu amor
repousa em seu peito
e sonha...sonhos impossíveis

Mas ama tudo à tua volta
e faz do amor
a tua arma mais pura
o amuleto que te salva
da solidão que procuras
da solidão que sentes
Como um imã à tua volta

E procura descansar
na solidão do amor
Que se escondeu de ti!


Maria Luísa Adães



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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

TEATRO VI (Salvo meus gatos)


Mercê do feitiço                                                    

da bruxa de chapéu alto
meus gatos lindos
da cor do arco-íris
se encontram aprisionados
numa porta de sete chaves
Não sei quebrar o feitiço
não sei que fazer...

Pedir ao Deus
que está no azul do firmamento
uma luz vinda com o vento

E esta pequena prece me mostrou
Os Cinco Dedos da Mão de Deus

O infinito embranqueceu e sorrio
e cinco traços com cinco tons
de alabastro antigo apareceu
Cada tom mais suave do que o outro

E meus gatos disfarçados nessa cor
voltam aos meus braços
Os tenho em meus braços
e eles cansados deitados
sob a superfície lisa
Da cor do alabastro
passam despercebidos
Perdeu-se a força dos abraços

Mas os libertei
de uma morte de feitiço
já não há tempos
a cantar sua vida

E os salvei de coisas impossíveis
Feitas de correrias e de pânico!...


Maria Luísa Adães


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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

TRISTE

Quero andar contigo lentamente             
Meu amor...

na memória
na essência de meus versos
E acreditar
Que não há mil rostos
pedindo guarida e mil infelicidades


E tu que me dizes
Meu amor...




Maria Luísa Adães




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domingo, 6 de janeiro de 2019

DESCONHECIDO

Meu espírito sentiu a mudança                
Imagem de Maria Fet

meus ouvidos ouviram à distância
meus olhos viram
e te seguiram no grito que subia
até avistar a casa
na praia longa e sombria

Entraste à minha espera
de novo veio o vento
tu olhaste fundo
num fundo atrás de mim
e à frente de ti
Quem vinha comigo eu não conhecia
Mas tu sabias...

Vinha do mar à nossa volta
vagueando por entre ondas altas
E nos ia levar

Tu sabias
eu não sabia
tu sofrias
Eu não entendia 

Desamparada na areia fria
Percebi
A amargura da partida

Chorei esquecida do que tinha vivido
num tempo quente de amor
E entrei contigo numa outra vida...


Maria Luísa Adães

Do livro "Palavras e Caminhos"
de Maria Luísa Maldonado Adães


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domingo, 30 de dezembro de 2018

(Teatro V) O FEITIÇO

A noite está perdida                      
Meus dois gatos

escuto o silêncio
E encontro Sete Gatos

A noite é silenciosa
desnudada
A noite é insolente

Máscaras passam velozes
passam por mim e me perdi
e outra vez a noite silencia
E eu subo e desço escadas

Oh quanto me pesa
Auroras da minha vida
Há muito passadas

E meus dois gatos
transformados em Sete gatos
inertes pendurados nos sete fechos
de uma porta chapeada

Um feitiço
o andar de treva em treva
os prendeu...

O Universo está vermelho e negro
não vejo estrelas nem lua nem nada
E tu Narrador que me dizes
Só a ti te vejo e meu amor ao longe
muito ao longe...como se fosse nada

Que faço? O feitiço prendeu
Meus olhos infindáveis!...


Maria Luísa Adães :  101


quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

PERDOA

Através de toda a imperfeição do meu mundo
Entra e dulcifica esse mundo
Possa a eterna juventude deste Planeta
voltar a florescer
e das cinzas da crueldade
possa reviver e Terra que pensei conhecer

Deixa que a natureza agredida queimada
se transforme no amor e na compaixão
e Te possa pedir misericórdia
pelos que estando vivos deixaram de viver

Deixa que Te veja nos meus irmãos perdidos
e Te encontre nos deserdados e nos esquecidos
deixa que o Teu amor me envolva e me acalente
e limpe a minha vida imperfeita

Deixa que o Natal envolva a terra
a toda a hora, a todo o momento
E não deixe nunca de ser Natal
nos lugares mais escondidos e indiferentes

E Vem
aos pontos mais obscuros
dos corações perdidos

Perdoa mas vem...!!!


Maria Luísa Adães


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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

ESPELHO

Eu vi um espelho                                   
Talvez seja Apolo, mas não estou certa disso...

estava reflectida nele

Dentro do espelho estavas tu
com teu olhar penetrante e nu

A tua sombra diluía o fundo
e eu te via para lá do mundo

Tu estavas aprisionado no espelho
eu estava aprisionada fora do espelho

O mundo meu e teu se espelhavam
naquele espelho que tolhia meus afagos

Os caminhos assombrados
por sombras que vagueavam

Nua me encontrava e ferida
e não entrava no amor que sonhava

Ávida de amor te esperava
mas o espelho nos separava

Acordei, tu estavas a meu lado
e tudo se tornou num sonho vago

Eu fui a heroína de uma peça
representada por um DEUS fechado

O tempo que me foi dado
não era o meu tempo

No outro lado me olhavam
e esperavam...

No espelho não se escreveu nada!


Maria Luísa Adães


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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

(TEATRO IV) BLESSED

O gato branco                                


A gata preta,

De olhos esverdeados a vaguear
percorrem o palco
qual arco-íris da chuva
do sol da meia-noite

As noites de amor
trementes de fogo ardente
os chamam e novos jogos
Clamam...

Descobrem os símbolos
musicalmente os descobrem
uma bruxa feia de chapéu alto
entra no palco
Blessed a acompanha
e ventos uivantes
de terras distantes
e luzes sem Luz
atropelam o instante

O fantasma da morte espreita
procura os ruídos escondidos

Os gatos olham
nada os amedronta
Nem bruxas
Nem magos
Nem medos.

O amor acalenta e chama
a Lua sorri
os astros se multiplicam
as estrelas espreitam
O Universo Respira
E DEUS se avista

E tudo pára
traços sulcam o ar
Não há caminhos fáceis de encontrar

Olho ao longe
como narrador que sou
e agora sou eu quem pergunta...

Que se passa?...

Altos contrastes se levantam!


Maria luísa Adães


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domingo, 25 de novembro de 2018

Teatro III O AMOR

A cortina desce
voluptuosa, misteriosa
o Universo escuta silencioso
admirado do tempo passado

Personagens saem cansados
do canto
da dança
Do Amor

A lua olha com intensidade
no brilho de mil tons das estrelas
palpitante na natureza cósmica
que flutua por entre elas

Outros vão chegando
e se mostrando
tentando entender que se passa
e o Amor perfuma o ar
lança tapetes floridos
flores amarelas
de um tom esquisito

Sem testemunhas os deuses adormecem
o universo se cobre
de nuvens negras e vermelhas
no palco as personagens olham
E querem a ilusão maior
de jardins aéreos
reluzentes e felizes

De um lado o amor
E do outro o esquecimento...


Maria Luísa Adães



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terça-feira, 20 de novembro de 2018

Te Espero!

Tu foste minha paixão
e por ti escrevo
e por ti aqui estou
e por ti espero
todos os dias
e sei que não é possível voltar

Sem ressuscitar e viver de novo!...


Maria Luísa Adães
Botticelli




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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

(Teatro II) FOGO ARDENTE

Meus olhos fixam o palco
os personagens olham
meu amor me beija
eu estremeço
tudo estremece
Todos se desejam.

Os deuses deslumbrados
com o amor dos gatos
O desejo dos humanos
o arrepio da noite
interrogam os astros

Que se passa?

E no palco os personagens 
formam arabescos com seus corpos
Dançam uma dança
De Amor e desejo

Que se passa?
Pergunta a lua a quem passa

Os personagens não falam
apenas se ouvem movimentos
como se a terra se deslocasse
e se juntasse ao êxtase
Do momento abstracto.

Vamos mandar o arco-íris
a iluminar o espaço
precisamos de olhar
reconhecer e ver
Como se sabe amar

E as quatro personagens
o gato-branco
a gata-preta
eu e meu amor
No vasto chão amamos.

Tudo esquecemos
no momento chamado de profano
No instante de Fogo Ardente
E a fuga, súbita
da Estrela Cadente.


Maria Luísa Adães


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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Quatro Personagens

(Teatro 1)                                                
Tanta coisa escrevi e depois perdi...


A peça em sete actos
no palco quatro personagens.

Um gato branco
uma gata-preta
eu e meu amor
criaturas humanas.

Sete notas musicais
se diluem no espaço...
Que conteúdo estranho
a ser representado...

Olho os vários mundos
os ventos sopram frios
reconheço o Infinito
as estrelas brilhando
uma Lua sorrindo
o luar descendo
Iluminando

Os personagens se movem
tomam seus lugares
os deuses se admiram
e escutam o canto
E todo o Universo se queda em silêncio

E cada personagem
elevada na noite imóvel
Ama
Nos símbolos e enigmas


Maria Luísa Adães

A continuar...


Maria Luísa Adães


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domingo, 21 de outubro de 2018

PARA TI...

Nas tardes quentes                                                  
PARA TI...

  Eu escrevo

No tempo florido
   Eu danço

Nas noites frias
  Eu esqueço

E sou feliz
Sim
Sou feliz
Por um momento

Apenas nesse instante eu vivo
E lembro a neblina subindo

  Do fundo ao cimo
  O amor flutuando
  Volátil como o fumo

E amo tudo
lembro e estremeço
no rodopio do abraço

Do teu abraço

  Meu amor
  Meu amor

Quanta fragilidade
Quantos sonhos
Não vividos...



Maria Luísa Adães


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terça-feira, 9 de outubro de 2018

DIVAGAR

Devagar sem estremecer                      

procuro o Passado
e a forma de entrar
e conversar contigo

Trabalho difícil
desprendimento da realidade
encanto só meu e não teu

E até final talvez seja
A minha única Verdade!



Maria Luísa Adães



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terça-feira, 2 de outubro de 2018

ELA dá e Ela tira

A vida é preciosa
não deve ser vivida
de forma desencantada...


A vida é sombra fugidia
de noite e de dia ela se esconde
como uma injustiça infinita

A vida é silêncio e alegria
a vida é amor e fantasia
a vida é dor inesperada

A vida é que nos dá o pranto
a vida é que nos dá prazer 
a vida é que nos dá desencanto
A vida é volúpia nas noites quentes de amor
a Vida dá vida à própria vida
a vida leva de repente a nossa vida
A VIDA É TUDO E É NADA

Mas quem não admira a vida?
Ela dá e ela tira
mas não deve ser vivida de forma desencantada
E perdida...não deve...

Dentro dos teus olhos eu vivi
E acreditei em ti e perguntei
Por  que se morre
Por que se vive?...


Maria Luísa Adães

Do livro "Palavras e Caminhos"

De Maria Luísa Maldonado Adães



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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

EU

Eu olho sem saber quem sou
sem saber quem procuro
sem saber onde vou

E subo, como poeta que sou
ao Altar do Sacríficio
olho numa despedida a Via-Sacra
como a subida de um justo
na hora da partida

Vejo o submerso
onde tantos se debatem
e se prendem sem salvar
e desço uma vez única
para escrever meus versos
e dar a saber aquele que se perdeu
O caminho de regresso

Volto ao meu mundo
por eles e por ti meu amor

Almas perdidas, partidas
Num deserto de dor!


Maria Luísa Adães



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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Mil Rostos

Há mil rostos olhando para mim
e neste instante não reconheço nenhum

Há mil sentimentos à minha volta
e no momento não tenho nenhum

Há mil infelicidades pedindo guarida
e neste tempo não vejo nada

Há mil pessoas perdidas, esquecidas
e não digo nada
e sinto e penso estar voltada para a vida
e nada do que penso ou do que sinto é verdade
Quero andar contigo lentamente
na memória na essência de meus versos
e acreditar que não há mil rostos
pedindo guarida e mil infelicidades

E tenho de abandonar meus versos!


Maria Luísa Adães



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interior

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Suplicante

Sussurra-me um segredo
espanta as palavras tórridas
submerge-me nas ondas do mar
enterra os meus medos
nas areias transparentes
Do teu mar...

Me faz uma emboscada
e me prende se eu gritar
Olha-me se eu merecer esse olhar
e me esconde da noite sem luar

E volta ao nosso lar
volta sempre

Te Espero!

Maria Luísa Adães



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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

TE PERDI...

Quanta tristeza eu sinto
Quando pressinto a solidão

Quanta tristeza me causa
a confusão de gentes como eu

E tudo pereceu num dia de assombro
quando entendi que nada sabia
depois dormi e acordei
tu estavas junto a mim
e tudo me pareceu igual

Acreditei que tinha tido um sonho mau e rude 
onde te vi morrer olhando sem ver
e a poesia foi sentindo a falta de minha presença
Eu não estava presente na vida dela

Um dia me falou e perguntou qual a razão de meu esquecimento
Ela não sabia que tinhas morrido e eu tinha ficado sem ti
e eu lhe respondi, não é a ti que procuro
nunca foste tu que me alimentaste a vida, mas sim ele

Ela chorou por mim e disse 
estás morrendo sem mim
vai e procura o que me ensinaste
nunca foste minha amiga
e sempre acreditei em ti
e agora que faço?

Esquece quem fui
e me traz aquele que perdi
e volto para ti

A lua subia iluminando o espaço
ninguém passava
a noite parava
o lebréu dormia
e tudo era luz espaço e fantasia 
e o homem pescava
lentamente pescava
a água ligeiramente ondulava
e a placidez do instante dominava

E eu escrevi para ti, meu amor perdido por mim
e te acolhi e escrevi!...


Maria Luísa Adães


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domingo, 15 de julho de 2018

VIVER

Assim, enquanto viver
tu estás presente como ser ausente
mas estás presente em mim
continua a viver de uma forma ou outra forma
e eu estou cumprindo o tempo que me resta

Fiquei sem saber a razão de ficar
e se fiquei 
foi por ti
para te acompanhar de uma maneira ou outra 

Quem me entende  continua presente
quem não entende
também não pode entender o mundo
Mas se vivemos e se ficamos nesse viver
Temos de entender e aceitar
e não há 
a voz do amor que sonhamos...

Meus olhos olham as flores
não olham o mar
onde estivemos juntos toda uma vida
para todos escrevo
em todos me vejo e te vejo
mas o mundo está ausente 
de mim e de ti

Um dia voltarei aqui ou noutro lugar
tal como a todos acontece
sabendo que cumpri o meu destino
difícil de julgar
de entender 
sem morrer por culpa minha

E procurarei cumprir e nunca me perder
Na imensidade de um mundo a morrer!


Maria Luísa Adães


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domingo, 24 de junho de 2018

Procuro

Te prendo em meus braços
mas não te encontro
e tudo se tornou numa ilusão
que se perdeu e não mais se encontrou

A casa e os espelhos desta casa
chamam por ti 
eu espero a resposta longe de ti

e alguma vez te torno a encontrar
num mundo em que sempre vivi
estou só meu amigo
como estive no princípio da vida
não evoluí, nada aprendi e te perdi
e agora que faço de mim
flores e nuvens e tão perto o mar
e tão longe de ti num final de vida
voltei ao princípio e não queria voltar
mas voltei e ninguém vai entender este falar
Onde estão estas cores pintadas por mim
e estes sonhos que tanta vez escrevi
e a tua voz o teu coração junto a mim
Onde estão?
Te perdi e não vou mais encontrar!


Maria Luísa Adães

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domingo, 10 de junho de 2018

TEMPO


Aproveitei o tempo em que me apetecia cantar
e deveria repudiar o tempo em que me apetecia chorar.

Mas o tempo existe e traz variantes constantes
Então aproveita o tempo em que te sentes feliz!


Eu te digo:

Tu que me respondes sabes
que esse  tempo 
em que tudo brilhava à minha volta
Morreu

E agora não sei que vou fazer
descobri que sem minha razão de viver
nada tenho para fazer
E fiquei sem saber porque fiquei! 


Maria Luísa Adães


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sexta-feira, 30 de março de 2018

Voltar ou não Voltar



Estás presente!
Que bom tu voltares
aqui e ali
neste ou noutro lugar

Eu estou presente
como ser ausente
de mim e de ti

Eu volto sempre
desconheço o meu lugar
Sou a última a lembrar

Nada soube encontrar
nada soube preservar
nada soube amar

Quem me perder
no meu caminhar
não vai voltar
pode chamar o vento
gritar ao mar
Onde estás?

O vento continua a rodopiar
o mar continua a cantar
não me vai encontrar
um barco ao longe no mar
um lenço vermelho a acenar
e uma figura ausente

Por magia me transformei
num fantasma solitário
da passada alegria
E não vou voltar
fico no mar
No barco e no luar

Serena e desnuda
Sigo o meu destino
Escrito em qualquer lugar


Maria Luísa Adães


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domingo, 31 de dezembro de 2017

Peregrinação

Fiz uma peregrinação                               
Que possas chegar ao teu destino!

aos lugares que percorri
e disse adeus

Olhei o escuro do firmamento
e a neve dominava no momento

Uma estrela brilhante
olhou para mim
Eu a reconheci

Aviões passavam lentamente
no caminho de regresso

As árvores se dobravam
atentas ao meu suspirar
e lembravam o tempo a passar
Aquele lugar de encanto
Falava...

Quanto tempo se passou
e quanta beleza teceu
e o mundo morreu e ela continuou
e não se cansou e não se apercebeu
Da grandeza que criou...

Beleza deslumbrante
voar elegante
e liberdade real e constante
E perguntei
quem pode deixar de te amar?

Alguém respondeu
Ninguém!...

A Esperança predomina em mim
a espera continua dominante
e peço sempre num  falar constante 
Um Tempo Mais
Um tempo mais
Um tempo mais...

Para todos
Quantos possam ler ou deixar de ler
Eu peço, 

ANO NOVO FELIZ

E a lembrança do que digo
no desejo que escrevo
de que a vida se compadeça
e se lembre de Nós Todos!

Com amor,

Maria Luísa Adães
                                             Visualizações :  442

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

NATAL TEMPO de AMOR

NATAL/ Tempo de Amor
Ó gente das marés                                                                                   
Ó gente do mar
Ó gente da terra
Perdida diluída neste cantar

Jogo um jogo de palavras
nem sempre usadas
nem sempre entendidas
nem sempre benévolas
nem sempre amadas
Ó gente a quem amei
em quem acreditei
e não deixei de acreditar.
Os vultos passam por mim
assombrados
mistificados
perdidos
Sem terra
Sem estrelas a brilhar

É Natal
dizem ser Natal
num mundo perdido
Olhos fechados
Sem abrigo

SENHOR, volta
e transforma este mundo de indiferença
No Mundo de Amor que Tu nos deste!


Maria Luísa Adães


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Voltei por Por ser NATAL 
E por meu Amor a todos vós!


Maria Luísa Adães

terça-feira, 7 de novembro de 2017

BRISA do MAR

A brisa do mar entrou
repentinamente ela entrou
escutou
olhou
afagou
brilhou
Me procurou
em todos os lugares por onde passou
e não me encontrou...
Rasgou cortinas
partiu espelhos
E não me encontrou

Parte de mim estava presente
a outra parte estava ausente
ela olhou, fortemente olhou
e viu duas partes partidas
lentamente recuou
e se amedrontou
Não ficou!

A deixei partir
na procura de alguém 
PRESENTE!


Maria Luísa Adães


Por razões de saúde muito graves
Não tornei a escrever por aqui.

Lamento não poder dizer se vou voltar!

A todos, ausentes ou presentes
ao tempo que passou em nossas vidas
eu deixo a minha saudade
E os meus agradecimentos!


Maria Luísa Adães


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sábado, 13 de maio de 2017

Nós os Dois e o Mar

O mar mar envolve tudo            
Eis o nosso Mar!
e nossa vida foi passada no mar
depois veio a terra
e com ela a amargura dos instantes

Anos passaram
e tornaram a passar
e depois vieram os sonhos
fáceis de manipular
e a noite se apresentou
nebulosa e se calou

E estamos perplexos a esperar
O Final da noite
E a Esperança do dia!


Maria luísa Adães



Por um tempo vou estar ausente 
daquele tempo
Em que estive, vagamente presente!

Com toda a minha ternura
vos digo Adeus
e vos deixo a minha Esperança de voltar!


Maria Luísa Adães


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quarta-feira, 26 de abril de 2017

ILUSÂO

Tão perto                                                                        
Mª. Laís Fett/ Rio Grande do Sul, Brasil

tão longe de ti 
e de mim.

A lágrima caiu
eu a escondi
longe de ti

E se alguém vê
a lágrima que escondi
longe de ti

Caminho isolada
desnudada, desamparada
a noite é silente
para quem ama
a ilusão se repete e toma ares de gente
espíritos velozes passam por mim
Me desconhecem

Eu subo ao palco
represento minha peça
saio na ilusão do viver
e do esperar
o canto de meus versos
repetidos por essa ilusão

E de novo te encontro
depois de te ter perdido!


Maria Luísa Adães



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sábado, 8 de abril de 2017

POETA Eu sou

A alma do poeta me sensibilizou
me tocou bem fundo
no mar encapelado
De tudo que passou                
Maria Luísa


Estamos no meio da tarde
se aproxima lentamente a noite
e eu sinto em ti
um medo forte
De não seres assim tão forte

Procura a hora do entardecer perfumado
e o silêncio de intimo fogo ardente
Abre as janelas fluorescentes
pintadas
pelo acender dos clarões
Da noite fechada

É um final de dia
onde a cor predomina
Num amor ausente

Que o futuro
Não nos seja indiferente!


Maria Luísa Adães


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quinta-feira, 23 de março de 2017

APENAS EU

Internet/ Salvador Dalí
Despida de cansaços
de dores e amarguras
eu flutuo no espaço nua

Numa outra dimensão
Eu vivo
enquanto escrevo

Sinto no ar a diferença
o mar tomou a cor do infinito
as águas mais azuis e frias

As nuvens correm
minúsculas e brancas
e eu canto louvores ao tempo

Que procuro mais
se nada encontro igual
a este instante de ritmo diferente

Me enliei em ti 
dei voltas e voltas
para me libertar de ti

E o momento se tornou suspenso
quando caminho na terra
e atenta fico ao caminhar do tempo

O triste é verdadeiro
misterioso e sublime
quando entra nos redemoinhos do passado
e caminha nas estradas do presente!


Maria Luísa Adães


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