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E quem vai reconhecer quem sou?
Quero caminhar de novo
Estar longe e perto de tudo.
Há quem possa ouvir-me
Se não há, deixem-me
Nas cinzas desertas.
O mar é só mar
Uma solidão de ausência humana.
Eu sou queda de água
A caír em traços longos
Trajada de infinito
Formo um lago, só meu
Tão próximo dos salpicos do mar...
Se me procuram
Olhem meus olhos
E leiam que diz esse olhar.
Já não tenho mais dias
Para falar de mim e te amar.
Desci ao escuro do mundo
Perdi minha cor imutável
As trevas cantaram, dominaram
Eu não soube entender
Sedenta do esplendor do inútil
Tenho um destino fixo na terra
Solitária, igual a árvore intocável.
Chorem a ausência
E esqueçam quem ela foi
E não amem quanto disse.
Assim se afastam e se perdem
No que já está perdido.
Ela não volta,
Seu jogo é eterno e perfeito
Não há resposta!
Apenas um suave exemplo
De alguém que passou!...
Maria luísa