quinta-feira, 27 de março de 2008

PRIMEIRA CARTA




Sinto a noite a aproximar-se e o cheiro das flores do campo fazem-me pensar em ti e naquela casa onde vivemos e da qual não me esqueci.
Pouco dei do meu tempo – tudo foi perdido na forma como vivi, nas teorias que contei a mim própria e nas quais acreditei.
E tornei-me indiferente ao lado de Gente que tratou de mim.

Lembro a tua forma de amar – só tua – como um Dom natural.
Contigo aprendi, de forma imperfeita – eu sei – esta maneira de dizer – só minha –.
És aquela a quem confiei os meus pensamentos e escondi os meus segredos.

Dividis-te comigo um pão que se parte e alimenta uma multidão faminta.
Deste-me a tua Sabedoria e eu não me tornei sábia e não retribui o amor…e não me apercebi, na hora certa…
Fiquei com esta carta por escrever…sem saber…
Não sei se a principiei, alguma vez!

Mas hoje, lembrei-me de ti – e não sei lembrar o passado – esquecido por mim…
Acumulo as culpas e continuo a viver! As culpas não são tuas – mas apenas minhas.
Deixei de ouvir! Sabias deste pormenor? Tão minúsculo – mas difícil?
A audição foi-se … sem pedir a minha permissão.

Lembro o teu olhar e a tua voz! Tanto amei a tua voz, o teu carinho, a tua calma no dizer e no estar.
A minha alma desdobra-se em pétalas de flores…pisadas por caminhos desencantados e solitários – separada de mim!

Lembro a doçura dessas mãos que repousaram em mim – no bater do meu coração, mas não têm as marcas dos meus beijos.
Era muito nova para entender e não me apercebi que um dia…ficava sem ti…

E hoje pergunto … Como foi possível viver sem ti?
Sobreviver às desilusões e continuar o caminho, sem a tua presença. Mas tem sido uma forma de continuar no mundo – nada pude alterar!


Perdoa-me…Avó! Perdoa-me! …

4 comentários:

Viktor disse...

Gostei de ler, mas a vida é assim amiga, é uma procura incessante da felicidade e do bem-estar. Quando alguém que nos é muito querido parte parece que leva uma parte de nós, mas não estando contigo presencialmente, em espírito ela acompanha-te para onde quer que vás.
Bom fim de senama.
Saudações Reikianas.
NAMASTÉ.

Maria Luisa Adães disse...

Victor

Agradeço o teu comentário e a gentileza da tua presença neste recanto, tão pouco conhecido.
As cartas, mesmos visitadas por 332 pessoas, (o blogs está há menos de 1 mês) parecem ter passado despercebidas.é de lamentar!
Obrigada, uma vez mais.

Maria Luisa

Sara V. disse...

Olá, Maria Luísa!
Cá vim... espreitar...
E deparo-me com esta carta a uma avó... (Eu, que já dediquei vários escritos à minha...) Muito bonita! Muito sentida...
As avós são sábias, talvez por isso não durem para sempre, a não ser no cantinho especial do nosso coração...
Beijinhos

Anónimo disse...

SaraV

Só hoje se me deparou a visita à minha querida avó - comentário mandado por ti em Julho 008.

Fiquei muito feliz

Maria Luísa