domingo, 30 de maio de 2010
SEM RUMO
Tão grande o Mundo...
Balançam as ondas
Batem suaves
Na cadência das águas,
Escondem minha existência.
Um barco estremece e eleva-se,
Leva o peso de meus sonhos.
Outro barco balança
As velas ao longe,
Outro segue o seu destino.
É um mundo com sol,
Mas sem chão.
Tudo se aquieta
Num tempo derradeiro
Numa despedida de pranto.
A noite se curva de frio.
A magia do silêncio
O encanto da Natureza,
Juntam-se ao amor palpitante
De meu coração tremente.
As ondas murmuram
Leves e nuas como eu,
Tudo é uma aventura
Dos fantasmas que persigo.
E ondas prenhes de saudade
Escutam meu canto de ansiedade.
Ouço o rumor de teus passos
E meu sorriso suspenso
Sente o teu abraço.
E se entrega fremente
A esse abraço...
Onde ficou teu outro Eu?
Não respondas,
Não acuso,
Esquece
Somos Senhores,
Do nosso mundo!
Maria Luísa
segunda-feira, 24 de maio de 2010
FALA-ME
Fala-me dos medos,
Dos terrores,
Das lembranças
Menos boas,
Mas fala-me
E deixa a porta do meu quarto
FECHADA
E nem tu entres, meu amor!
Fala-me das madrugadas
Da relva do jardim
Machucada
Pelos amantes que se amaram,
Ao som das cítaras caladas!
Fala-me do teu poder eterno,
Fala-me das cortinas corridas
E do teu deambular
Pelas esquinas,
como se não fosses Nada!
Não falas,
Não dizes,
Não contas?
Então tu és o Nada!
Deixa-me as quimeras
Do meu sentir de Poeta
Esquecido, aniquilado
Nesta Era!
Mas lembra-te...
Tu és o Nada,
Eu sou o Tudo!
Não esqueças
Não te percas,
Mas sabe...
Tu és o Nada!
Mas eu sou Amor
Luz e Vida!
...O Tudo e o Nada!
Maria Luísa
quarta-feira, 19 de maio de 2010
REALIZAR
Há um tormento a esquecer,
Flores a nascer
Gente a morrer.
Há uma noite insensata
Há um luar de prata
Maldade de quem mata,
Há quem morra por amar...
Há a tua voz sem coragem
Há o amor em vantagem,
A subtileza da fluidez humana
A água que cai e te chama.
Há os espelhos da nossa Casa
Há os espelhos do Salão,
Igualmente plácidos
Divinamente exactos.
Há a dor daquele que não sai
E do outro que não tem casa
E prolonga na vida,
Um sonho mudo e fortuito.
Oh, quanto me pesa,
Minha memória passada
Minha memória presente
Minha memória ausente.
Há um sonho a realizar
Há uma insensatez a esquecer,
Flores a nascer
Gente a morrer.
Há um verso a caminhar
No Universo,
A tentar um ramo aberto
Para adormecer
Na linha recta,
O Olhar na linha curva.
Há um sonho a realizar
E és tu, meu amor!
Maria Luísa
sábado, 15 de maio de 2010
REPARO
Quando te vi
Quando te olhei.
Reparei em ti
E me perguntei
O porquê desse reparo.
Reparei em ti
E me lembrei
De alguém ou um lugar.
Reparei em ti,
Na tua forma
De dar.
Reparei em ti
E pensei,
Te posso amar!
Reparei em ti
Reconheci em ti,
A minha forma de estar.
Reparei em ti,
Senti e reconheci
O meu Altar.
Reparei em ti,
Olhei para mim
Através de ti.
E reconheci
Finalmente percebi,
Esse olhar fixo em mim.
E descobri,
O meu olhar no teu olhar
E duas, espelhadas, numa única.
E gostei de ti,
De te reconhecer
De reparar em ti.
Reparei em ti,
Gostas de escrever
Como a água
Que necessitas de beber.
E fiquei a saber
...Esta eu sou
A Primeira e a Última!
Como ser mortal, novamente.
Maria luísa
terça-feira, 11 de maio de 2010
Não Ouço as Vozes
Vou sem rumo
Tão grande o Mundo
E países tão distantes...
Hoje não ouço as vozes,
As vozes daquele tempo.
Hoje estou unida a ti,
Desejosa de ti
Do teu amor
Flores molhadas
Junto a mim.
Hoje sou magia e esplendor
Num mundo de fogueiras acesas
No mistério de quem sou.
Que te vou dizer
Se me interrogas
Acerca de tudo?
Conheço as sombras,
Conheço as luas,
Conheço assombros,
Conheço o amor
À distância
E cubro minha nudez,
Com esse amor.
Te beijo,
Te abraço,
Te amo,
Te desejo,
Te quero...
Me perco
Em teus braços.
A fogueira acendeu
Eu sou a fogueira,
E ardo nos teus braços
Do teu desejo e afecto,
De meus abraços.
E quando apagar
Apago com amor,
A perdição
De uma vida!
E nesse instante,
Torno a ouvir,
As vozes
Daquele tempo.
Mas hoje, não...
Hoje és tu e eu!
Maria Luísa
segunda-feira, 10 de maio de 2010
sábado, 8 de maio de 2010
AMEI-TE
Desconexos
Vivi para ti,
E tu me olhas-te
Esquecido de mim
Mais tarde agradeci
Só eu fui invulgar
Pára no deserto de meu caminho
Amei-te,
Me olhaste longamente,
Deixei de respirar,
Meus versos deixaram
Maria Luísa
terça-feira, 4 de maio de 2010
Deixa Que Te Leve
Caminhemos pelas ondas,
Mansas, sonolentas,
Sedentas de tudo.
Deixa que te leve,
Ao encontro dos sonhos
Sonhados,
Nunca encontrados.
Deixa que te leve,
Ao meu jardim encantado
Com flores de mil tons
E clarões alaranjados.
Deixa que te leve,
Através da multidão
Que corre,
Sem piedade.
Deixa que te leve,
Para meu recanto breve
Onde tudo canta
E é leve.
Deixa que te leve,
E sejas meu, finalmente
E esqueçamos o mundo
De forma breve.
Deixa que te leve,
Ao encontro de espelhos
Diluídos na noite de agasalhos
E aguardemos
E nos amemos
Como sabemos.
Deixa que te leve,
A escutar meu silêncio,
De palavras perdidas
Num canto agreste.
Deixa que te leve,
Não contes o tempo
Talvez se esqueça
De mim, de ti
E nos deixe ficar...
E acredita,
Outros se buscam no espelho!
Maria Luísa
sábado, 1 de maio de 2010
É MAIS FÁCIL
Senti-las passar,
Do que entender a terra
E alcançar meu sonhar.
É mais fácil amar-te
Do que te repudiar.
É mais fácil falar do amor
Do que viver esse amor.
É mais fácil sentir a maresia do mar,
Do que olhar ao longe
O barco que parte,
Chamando por mim.
É mais fácil dizer que te amo
Do que te amar.
É mais fácil, meu coração parar,
Do que o tempo a contar.
É mais fácil te reconhecer na multidão,
Do que olhares meus olhos, na escuridão.
É mais fácil aceitar, falar,
A escrever temas abstractos.
É mais fácil subir,
Escadas de pedra
Do que entrar no meu Palácio.
É mais fácil caminhar
Nas ondas do mar,
Atravessar desertos
Olhar ao longe
E nada vislumbrar,
Nada escrever,
Nada contar,
Nada dizer.
É mais fácil
Do que Viver!...
E escolhi o mais Difícil!...
Maria Luísa
quarta-feira, 28 de abril de 2010
SEDE
Nu tu e o poema,
Nu tu e as palavras ardentes,
Nu tu e o desejo de ser crente,
Nu tu e o teu sentir
Desprovido,
Seduzido,
Na chamada
Loucura de quem sente.
Nuas as palavras ao vento
Penetrantes no sentir
De quem mente...
E se transformam no desejo
E nuvens de saudade
Por cima da Verdade.
E sejas tu,
O vento e o poema
E estrelas eriçadas
Das horas lentas e caladas.
Pára nas pontes frágeis
Da poesia
E não contes mais!
Diz adeus
E não procures,
Hoje e sempre.
Esta é a minha dor!
Maria Luísa
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Rosas Vermelhas

Vermelhas,
Sensuais,
Salpicadas de orvalho,
Ardentes
Como nós somos.
E tu de olhar solene
Recusaste sem falar,
As rosas vermelhas
Do meu sonho
De encantar.
Recusaste,
Não analisaste,
Indiferente
Ao meu pedir,
Por eu escrever
Sobre as rosas
Do meu jardim
E não escrever
O amor por ti.
Recusaste,
Ollhaste em frente
Absorto
E que viste?
Rosas de várias cores
Desfolhando luz e amor
No jardim de mil tons,
Mas sem o calor
Das rosas vermelhas de cor,
Do meu amor sensual, ardente.
E faço gáudio
Em ter rosas vermelhas,
Como o sangue
Que grita,
Como o sensual
Que exalta
E nos lembra
O primeiro amor,
Feito de fogo e dor.
Mas nunca mais esquece,
O calor daquele fado
Que canta, sem cantar
E o que se escreve
Sem escrever.
E por tudo isso
Recusaste,
As rosas vermelhas
Que te pedi.
Que cruel foste,
Meu amor!
Maria Luísa
domingo, 18 de abril de 2010
CLARÕES
Nas tardes procuradas e sentidas,
No silêncio de íntimo Fogo
Ardente...
Eu abro as janelas fluorescentes
Pintadas,
Pelo acender dos clarões das rosas
No meu jardim isolado.
E vejo deslumbrada a Luz
Dos clarões
A transformarem-se
Em figuras geométricas,
Desconexas
E dançarem.
Ao longe toca uma guitarra!
Os clarões tomaram o Tempo
Iluminaram
Num gesto leve
As rosas de mil cores
E cantaram...
Ao longe toca uma guitarra!
Fizeram amor de quimera
Com alegria,
Plantaram flores de nostalgia
Rolaram uns sobre os outros,
Transformaram...
Ao longe toca uma guitarra!
E ninguém os via...
Mas eles - são clarões de luz e fogo
Transformados em humanos
Perdidos,
Distorcidos,
Esquecidos.
E ninguém os via
E a guitarra gemia!
Tomaram conta da Noite,
Dos seus Fados
Cantados
Ao som dessa guitarra
Que tocava ao longe,
Não se sabia onde...
E ninguém os via!
E como clarões que eram
Brilharam
Nos recantos,
Onde o Amor impera!
Cansados retornaram
Ao jardim solitário
E esquecido,
Ficaram a esmorecer
Com o aparecer do Dia.
Ao longe uma guitarra tocava
Em som gemido...
O meu mundo estremecia
Dessa noite de encantar
A terminar
E o aparecer do dia...
Clarão não havia
E o som da guitarra
Se perdia...
Mais um dia!
Maria Luísa
terça-feira, 13 de abril de 2010
NÃO ACUSES!

Apenas fujo de mim.
Eu sou a mais difícil,
Aquela a quem ninguém entende
E não sofre com esse desentender.
Ama-me como sou,
A não aceitar o comum
Como se fosse meu,
Pois não é meu!
Deixa-me ser como sou,
Não me aperceber da maldade
E continuar a viver,
Como se tudo fosse verdade.
Deixa-me ser feliz
Como gosto,
Amar-te em apoteose
E deixar-te a olhar
Minha sombra
Quando me afasto.
Não te lamentes
Não acuses,
Somos Deuses!
Maria Luísa
quarta-feira, 7 de abril de 2010
APENAS...OLHEI!

E não te reconheci
E tanto te amei
Num amor sensual,
Ocasional,
Ardente...
Em mim, havia amor,
Eu era
Fogo e terra
Nesse amor,
Mas tu...
Não tinhas aquele amor
Que ressalta
Que prende
Que ressuscita
E torna a noite
Em dia
E não deixa descansar...
Em ti não existia amor!
Apena o sentir
De um encanto
Feroz e agreste
E depois o acalmar
E retornar sempre,
Até um dia
Não voltar...
Passou...
Nada ficou
E no fundo de mim mesma,
Bem no fundo,
Reconheci
Que não te tinha amado,
Apenas desejado!
Em ti não havia amor
Em mim,
Não sei que se passou
Nada ficou
Nada deixou!
E quando te vi
Não te reconheci!
Esqueci!...
Maria Luísa
segunda-feira, 5 de abril de 2010
NINGUÉM

Podes ser tudo quanto queres
Mesmo aquilo que não és.
Se não és de ninguém,
Te podes transformar em Alguém
Numa página solta de meus versos.
Se não és de ninguém,
Podes ser aquela nuvem além
A lembrar a Alma de alguém.
Se não és de ninguém,
Podes ser o Vento
Ninfas e flores.
Se não és de ninguém,
Constroi teu mundo
E sê Alguém.
Se não és de ninguém,
Leva a rosa
Que deixei em meu corpo
E não temos despedidas!
Maria luísa
terça-feira, 30 de março de 2010
Não Sei!...

Não sei quem sou
Não sei onde estou
...E para onde vou
Não sei! Confesso!
Queres-me mesmo assim
Amamo-nos como sempre
Não repudias este não saber
De nada...Nem de Ti?
E o amanhã?
Sorri...
Para que o mundo seja mais gentil
Por ti e por mim.
Aceitas esta forma subtil e árdua
de Amar,
Própria de mim
Tão a meu jeito?
Aceitas?
Então...És meu!
Meu Amigo, meu Marido, meu Amante!
Não te quero longe...
Nunca!
Maria Luísa O. M. Adães
segunda-feira, 22 de março de 2010
NEM SEMPRE

Nem sempre se fala de nostalgia,
Nem sempre se fala o que se pensa,
Nem sempre se fala o que se sente,
Nem sempre se vive de euforia!
Nem sempre!
Apenas tu existes
No meu dizer de poeta,
Apenas tu me chamas de poeta,
Apenas tu...e ninguém mais!
Nem sempre existo!
E vivo no encontro e desencontro
Do que sou,
Vivo da minha ilusão,
Vivo da minha insensatez
E da minha lealdade
Que ninguém sabe
Que ninguém vê
Que ninguém sente
Ou pressente,
Neste meu dizer...
Nem sempre!
Tentem lembrar este meu canto,
Tentem apreciar
E não esquecer
O que não vê
O que não sente.
Nem sempre, assim é!
A solidão e a luz da noite,
Cobrem com seu manto
Os céus e as estrelas
De quebranto...
Nem sempre!
Apenas eu fico,
Apenas eu espero,
Apenas eu suplico,
talvez por ser poeta
Esquecido!
Nem sempre, eu sou!
Mas fico sempre esperando
Até àquele dia,
Perto ou distante,
Onde te possa encontrar
Beijar e amar
Sem parar,
Como se o meu mundo
Fosse morrer,
Naquele instante.
Nem sempre sinto,
Nem sempre!
E eu morro,
No desejo
Do meu Canto.
Nem sempre, eu morro!
Tudo o resto
É poeira
E ar.
Mas nem sempre
Eu reparo,
Naquele instante.
Tento olvidar,
O meu dizer
De poeta
Por algum tempo,
O Teu tempo...
E esquecer!
Maria Luísa O. M. Adães
segunda-feira, 15 de março de 2010
FONTE

Depois de esgotar o amor
E a Fonte desse amor.
Recolhia-se ao lugar escolhido,
Na colina silenciosa
E a água
Corria temerosa.
Orava nessa solidão,
Num silêncio que se renova
E retorna consumado, nessa prova.
E brotavam dessas águas,
Dessa Fonte que falava
O amor esperado e encontrado.
Longe da multidão,
O som alegre titubeante
De quem não estava.
E a calma silenciosa,
Da solidão vivida a dois
Como se fossem um só.
Os envolvia nessa tarde sinuosa,
Onde se cantava ao longe
E ali se amava no final do dia.
E a sombra descia,
E os encantava
Em novos jogos de amor.
E a água da Fonte escondia,
Os outros sons que se ouvia
E o grito rouco que gemia.
E jogavam como sombras,
Num mundo de magia
Num términus de nostalgia.
-Que belo final do dia,
Tu me deste meu amor
E eu te dei tudo, como sabia...
E tu gostas deste amor,
Desta fonte de água fria
A gotejar bolhas fugidias.
A aparecer,
A acabar,
A cintilar,
A esmorecer
No Final
De um Novo Dia!
Maria Luísa O. M. Adães
sábado, 13 de março de 2010
NÃO FUJAS
terça-feira, 9 de março de 2010
MULHERES

De submissão e de medo,
A mulher se levanta
De forma bem lenta...
Olha em frente,
Procura seu desejo
De ser Gente.
Quem ouve
Quem pede por ela
Quem escuta seu canto
De labirintos se movendo?
Mulher, procuras renascer
Do sofrimento
Do tormento de teu viver.
Abandonada,
Vendida,
Escondida nas estradas,
Espoliada,
Banida,
Mãe de um mundo absurdo!
Para ti
Há noite? Vozes? Portas a abrir?
Que dizes
Mulher esquecida?
O Tempo é teu
Este é teu momento,
Eu falo de ti
Me conta que sentes?
Te enalteço
Mulher,
Mãe do mundo.
Nada mais é preciso
A tão terna Grandeza.
Tu és o Universo!
Maria Luísa O. M. Adães
domingo, 7 de março de 2010
HARMONIA

Pergunto a mim própria
Como aplicá-la
À minha forma de viver
A tudo quanto me rodeia.
E não sei, como o fazer.
Não encontro a árvore
Da Harmonia
Nos jardins,
Nos campos à minha volta
E não vejo a semente viva,
Dessa árvore.
Procuro dentro de mim,
No meu sentir,
Em tudo quanto sou,
Mas estou perdida
No caminho.
Não soube ler,
O Teu mapa
A Tua escrita
A Tua palavra.
Caíu a noite...
Os sentimentos fugiram
Amedrontados,
As estrelas esconderam-se,
As nuvens levaram a beleza
E fiquei sem encontrar,
A árvore
Que tanta falta faz,
Ao Amor de cada dia.
do livro "Não Sei de Ti"
de Maria Luísa Maldonado Adães
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Dissertação

O mal matou o bem
Por inveja do bem
E Deus castigou
Num deambular eterno
Numa viagem pelo Tempo
Numa viagem sem Tempo,
Passado
Presente
Futuro.
Se diz que o mal não foi
E não é o mal,
Mas se transformou no mal
Por culpa de Deus.
Há sempre uma desculpa
Para tudo
E o mal procurou
E encontrou essa desculpa.
Desconheço a origem do mal,
Mas sei que ele existe
E vive dentro de cada um,
Isso sei!
Os tempos mudam,
As causas e efeitos
Desses tempos
Mudam.
E o acontecer
Pode ser contado,
Como se visiona
E não corresponder
À Verdade.
Muitos acreditam no mal
E o louvam,
Queimam incenso
À sua volta
E o adoram,
Ele é o mal!
Outros não sei,
Ninguém me conta dos outros…
Ninguém escreve do bem
E o culpam do mal
Acontecido ao mal.
Só o mal tem desculpa
Da culpa!
E as fontes de longe,
O restar dos sonhos,
O caír das folhas,
Tudo me assombra.
Só nuvens escurecem
Meu sentir e meu pranto,
Só nuvens envolvem
Meu tempo,
Lágrimas derramadas
A cada instante,
Num estado latente.
Para mim, o mal
É silêncio e dor
De multidões abandonadas
Pelas culpas,
De quem governa o Mundo.
Não contesto nada,
Mas não aplaudo
A peça representada.
O mal matou o bem
Deus é culpado…
Eu não digo,
Mas diz a história!
E ao perdermos
Deus,
Onde está a Glória?
Maria Luísa O. M. Adães
22 Nov. 09
Análise baseada no Livro CAIM
de J. Saramago
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
SER POETA
Ser Poeta,
É subir
Planar
Voar
Esquecer
Lembrar.
Ser poeta,
É acolher todos
Quantos amam
Sua poesia
E agradecer.
Ser poeta,
É um dom adquirido
Quando nasce
E a leva consigo
Quando morre.
Ser poeta,
É voar às Estrelas
Trazer uma delas
E com ela,
Abrilhantar o mundo
E dar amizade
Utopia, amor
Magia, esplendor
Alegria
E tristeza também.
Ser poeta,
É ser árvore,
É ser estrada,
É ser sonho,
É ser Tudo,
É ser Nada.
Ser poeta,
É ser amor,
É subir escadas,
É cantar aos deserdados
Aos abandonados
É ser esquecido
Vilipendiado
Espezinhado,
Mal entendido.
Ser poeta,
É ser humilde,
É ser mais Alto
É dar os sonhos
Que volteiam
À sua volta.
E aguardar
Que Deus o mande
Ajoelhar um dia...
Para o abençoar.
Ser poeta,
É ser o Tudo
E o Nada.
E não saber
Não lembrar,
Sonhar e esquecer
O Sonho.
Somos todos de Cristal ao Vento!...
Maria Luísa O. M. Adães
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
TÃO LONGE...

Eu plano nas nuvens
Muito ao alto.
Visiono o encontro,
Onde comecei a cantar
Em noites de luar.
E me encontro
E te encontro
E te amo
E me amas,
Como eu gosto
De amar.
Desço das nuvens,
Encontro o Mar e a Terra...
Este é o meu mundo,
Este és tu, meu amor!
Que saudade imensa
Do Tempo a passar.
Levo-te as rosas,
Escondidas em meu peito.
Aqui deixo minha Voz!
Maria Luísa O. M. Adães
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Ele é Amor
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
VERDADE
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
QUANTAS VEZES

Quantas vezes me falas
E eu escuto, meu amor?
Ao longe a colina
O lago em baixo
Flores exóticas
Como eu, meu amor.
Como podes saber
Se te amo,
Como podes acreditar
Neste amor?
Não por mim o vais saber
Mas por ti.
Estou indiferente,
A indiferença mata o amor,
Mas te posso dar
O que desejas de mim
E depois caminhar
Sem me lembrar de ti.
Isso pode acontecer!
Se ficas feliz
Eu dou,
Mas nada ficou
Do que se passou...
Terminou!
Maria Luísa O. M. Adães
Dezº. 09
sábado, 5 de dezembro de 2009
SONHOS

Vagueaste no mundo
E não encontraste a luz,
Te perdeste!
A luz plasmada
No plano etéreo
É um plano de Paz
E amor verdadeiro.
Traçado, pintado por mim
Nada é real, definido.
A luta travada
Num mundo de nada
Continuou plantada,
Dominou!
Eu estava lá, aguardando por ti,
Não procuraste
Fugiste de mim.
Mas as luzes não retrocederam,
Continuaram a marcar
Sua presença
E me acompanharam,
Só a mim.
Tu fugiste,
Não deves fugir
Aceita com amor
A tua luta
E vais sobreviver!
Doutro modo, és destroçado!
Maria Luísa Adães
sábado, 28 de novembro de 2009
PACTO

Tu caminhas comigo
Neste campo minado,
Eu caminho contigo
E nos amparamos
Na escolha de lugares
Por onde passamos.
E talvez juntos,
Possamos limpar
Os campos minados
E criar os Prados.
Caminhar nesses prados,
Escrever nossos sonhos
De mudança
Nas mentes
De quem pensa.
E tornarmos estes campos
menos densos,
Mais palpitantes
De luz
E estrelas cadentes,
Descendo, descendo...
E amor constante.
Fazemos um pacto,
Trazemos o Bem alvitado
Pela demência de alguns.
E assim,
Reconstruímos
Este Mundo,
Em que escrevemos.
Maria luísa O. M. Adães
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
JOGO

Nesta vida.
Do topo da montanha piramidal,
Só se contempla as multidões
Sem rumo, fugindo às guerras,
Fugindo à fome e à sede.
A vida tornou-se num jogo
indecifrável,
Os meninos carregam às costas
Todo o mal do mundo.
Apenas no pano verde
E nas luzes cintilantes,
Se nota uma pretensa alegria
A transformar-se em lágrimas
E desenganos...
Tudo por magia de incertezas
Constantes,
Apenas o homem sonâmbulo
Diz de quando, em quando,
- Façam o jogo, meus Senhores!
domingo, 1 de novembro de 2009
Tu o Dizes...

Eu assim faço como dizes.
Ontem adormeci,
Havia alegria
Ao pé de fogueiras acesas.
No meio da noite despertei,
Apenas ouvi o murmúrio
Do silêncio,
A multidão adormecia longe...
Assim cumpri teu pedido,
De forma lenta, abstracta,
Intimista.
Hoje não ouço mais as vozes,
O ritual se finalizou
E ficou,
O teu nome e o meu.
Maria Luísa O. M. Adães
sábado, 17 de outubro de 2009
Nada Podemos Dizer!

Se aproximam
E colhem uma flor
Do nosso jardim
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
Já não se escondem
Pisam as flores, matam o cão
E não dizemos nada.
Até que um dia,
O mais frágil deles, entra
Em nossa casa, rouba-nos a alma
E conhecendo nosso medo
Arrancanos a voz da garganta
E porque não dissemos nada
Já não podemos dizer nada!
Bertold Brecht
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
AMOR

Sem algumas angústias.
A vida é isso que tu dizes,
como num filme passa por nós
pequenas cenas passadas,
grandes cenas vividas.
Tudo deixa de ser real
e até o presente do instante
esquecemos.
Mas o flash é momentâneo,
muito breve, por vezes,
ou sempre.
O recordar não é benéfico,
mas ficou preso na memória
e a memória nos traz
nostalgia.
Ela simboliza a nossa pessoa,
A nossa vivência!
Maria Luísa
terça-feira, 15 de setembro de 2009
POETA

É livre dentro de seu coração,
Nesse lugar tem o seu mundo
...Ele sabe que nada lhe pertence.
Deveria ser aceite por todas as filosofias,
Todas as crenças, todas as raças.
O Poeta é livre, na sua forma de dizer.
Não o julguem pelo que diz no Mundo da Forma,
Mas pela verdade que pretende transmitir,
Ele pertence ao Universo puro e imenso
Nunca aos homens!
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
ACORDAR

Abrir os olhos e reconhecer
O Lugar onde estou.
Acordar é, apenas, abrir os olhos,
Esfregá-los com prazer
E olhar à minha volta,
Levantar-me e andar
E encontrar,
Tudo quanto amo
Com muita força.
Tão simples quanto isso!
O acordar!
Para alguns, difícil
O acordar,
Pois não chegam
A acordar.
Por Esses eu rogo
Ao me levantar!
Maria Luísa O. M. Adães
sábado, 1 de agosto de 2009
FINAL

escondem as rochas,
um barco estremece e eleva-se ,
outro barco balança as velas ao longe...
um outro segue o seu destino.
Tudo se aquieta num tempo derradeiro,
numa despedida de encanto
e sente-se a Tua presença,
qual farol ensinando o caminhante.
A magia do silêncio,
o canto da natureza,
juntam-se ao musgo sedoso
desse instante luminoso.
As ondas murmuram leves e nuas,
tudo é uma aventura constante
e o Tempo pára...
E dá o esquecimento
de terras a ruir,
pontes a abater
e Gente a morrer.
Maria Luísa O. M. Adães
sábado, 25 de julho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
OUVIR

ouvi dizer do teu afecto por mim!
Ouvi o teu pensamento,
apanhei-o nas asas do vento
e soube dos limites do meu tempo!
Ouvi de ouvidos fechados,
ouvi com todas as dificuldades
e não gostei dessa verdade!
Ouvi o canto de várias vozes,
ouvi os ecos do silêncio a dizer:
- eu estou aqui!...
Ouvi o rouxinol persa e das Índias,
ouvi com este ouvido
que se perdeu no burburinho do mundo!
Ouvi a mudança da voz do vento,
ouvi a mudança da minha voz
louca, envolvente, a lembrar o Oriente!
Interessa-me a Eternidade
à qual não posso fugir,
mas acredita...
"Gosto de viver"!
Não me tires esta ânsia,
esta alegria que eu sinto
quando te vejo ou te pressinto...
E te peço - :
Ama-me,
Como da primeira vez!
Maria Luísa Adães
quarta-feira, 8 de abril de 2009
DENUNCIEMOS:
sexta-feira, 3 de abril de 2009
ENCONTRO

Quem sou?
Para onde vou?
O que procuro?
Mas antes de tudo,
Tenho de sobreviver
Às minhas interrogações
E cumprir o meu propósito,
Não antes nem depois...
No tempo certo da separação,
Calcular bem esse tempo
E descobrir escrito,
Nas estrelas ou nos astros,
No Oceano,
Nas planícies deste Planeta
E nos espaços
Libertos dos flagelos,
A Tua escrita
A Tua palavra
O Teu mapa
E possa partir ... Sem me perder!
Maria Luísa Adães
sexta-feira, 6 de março de 2009
PRINCÍPIO e FIM
quinta-feira, 5 de março de 2009
POETA

É livre dentro do seu coração,
Nesse lugar tem o seu mundo.
Procura dar aos outros, esse mundo,
ele sabe que nada lhe pertence!...
Pede para ser lido com simplicidade
E diz...como só ele sabe dizer
E sente...como só ele sabe sentir!
Deve ser aceite por todas as filosofias,
todas as crenças,
todas as raças.
O poeta é livre, na sua forma de dizer!
Não o julguem, pelo que diz no mundo da forma,
mas pela Verdade que procura transmitir!
A beleza, tal como a poesia
Ou a prosa,
Pertencem ao Universo
Puro e imenso...
Maria Luísa Adães
quarta-feira, 4 de março de 2009
AMOR

nem tudo se pode fazer,
nem tudo é o Todo,
nem tudo é o Uno!
Procuro dizer ou escrever
com cuidado e com Verdade:
O Planeta está coberto de cinzas,
feridas abertas,
ainda não fechadas.
Desbravando caminhos,
abolindo o injusto
e sabendo que a dor da Terra,
é também a minha dor...
Não posso deixar de ouvir
lamentos e súplicas
dos Necessitados!
É isto o Amor!
Maria Luísa Adães





















