quinta-feira, 22 de maio de 2008

TRANSFORMAR O MUNDO!


Podemos transformar o mundo
Podemos transformar a forma,

E todos se admiram
E todos ficam estupefactos
E todos se vão interrogar!

E eu digo:

Ao impulso damos o Espírito
Ao movimento damos a Alma.

A Natureza fala
E pede clemência ao Homem …

E escutando essa forma suave de pedir …
Aprendemos a acreditar,

… Num Mundo melhor!

Maria Luísa

sexta-feira, 16 de maio de 2008

MAGIA




Sou mágica, num mundo em que não faço desaparecer o Mal
E o Bem não aparece, mercê dessa Magia.
Tudo quanto é visível, continua visível
E a minha magia não transforma o mundo
Em que vivo.
Transformar … é um passe de mágica que os próprios mágicos,
São incapazes de realizar.
Transformar o mal, modificar tudo para o bem do homem?
Magia sem mistérios e sem ilusões? Apenas a magia dos corações?
E isso é possível?... Mudar o mundo?
E para maior alegria fazer voar as flores,
Respirar o seu aroma cândido e dolente;
Fazer voar os animais, as fadas, os duendes
E dar-lhes um mundo quente de ternura …

Fazer voar as mentes absortas
Em pensamentos sombrios
E dar-lhes vivacidade sem sombras
E apenas dar a Luz mágica do dia,
As estrelas brilhantes da noite
E fazer voar o mal,
Para um poço bem fundo
Ou sem fundo…
Fazê-lo desaparecer e dar lugar
Ao Bem e às flores de perfume encantado,
Ainda não nascidas neste mundo?

Isto sim! É – Magia!

sábado, 10 de maio de 2008

CÂNTICO DE AMOR


Cantam à minha volta e o som do canto, envolve-me e lança a minha sensibilidade para o Infinito. Deixo de ser Eu e vem a outra; a que escreve melhor, a que diz coisas diferentes, a mais difícil de entender…mas Ela é melhor do que eu sou!
Vamos ouvi-la; Ela vem de outro lugar e traz outro cântico de amor…Vamos ficar com Ela e comigo, também. E para ser mais fácil, tornamo-nos Uma…apenas uma, ou escrevemos um diálogo de amor – as duas!
Continua o cântico a envolver o lugar e enquanto espero o Seu regresso – o regresso daquela personagem etérea que diz coisas tão belas…começo a sonhar!

No meu sonho há quatro personagens:

Três delas estão juntas, vestidas de negro, de cara escondida:
A outra, distancia-se das três primeiras, vestida de cores claras e tem a face sorridente.
Olha-me de frente e eu distingo os seus olhos verdes…
Quatro personagens – três delas juntas…a outra separada; sentadas numa mesa ampla e comprida – e não são fictícias – eu conheço-as! Mas fazem parte de um sonho!
Eu digo:
- Não quero acreditar – mas continuo a vê-las e sei que são verdadeiras, como o tudo e o nada no meu sentir! Espero a minha Amiga, mas alguém me veio visitar, antes Dela.
E o meu cântico de amor?
E o nosso diálogo?
E o teu dizer tão rico e nobre?
E a nossa cumplicidade?

Tudo perdido por um sonho…Não soube esperar por Ti! Adormeci e sonhei; um sonho sem encanto.
E descobri que três delas iam morrer…e a outra tinha descido para as receber e as levar, para um outro lugar.

E Aquela que eu esperava? Deixou que adormecesse…para saber, o que ia acontecer.

E assim terminou o meu cântico de Amor.

Perdoem a desilusão!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

NÃO SEI...




As mais lindas palavras de Amor
São ditas no silêncio de um olhar




Não sei o que sou
Não sei quem sou
Não sei onde estou
…E para onde vou
Não Sei! Confesso!

Queres-me mesmo assim?
Amamo-nos como sempre?
Não repudias este não saber
De nada … Nem de ti?
E o amanhã?

Sorri …
Para que o mundo seja mais gentil
Por ti e por mim …

Aceitas esta forma subtil e árdua
De Amar,
Própria de mim?
Tão a meu jeito?

Aceitas?

Então … És meu!

Meu Amigo, meu marido, meu Amante!


Não te quero longe …

Nunca!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

CONVERSA COM UM PINTOR


Não sei se sou humilde – confundo, um pouco, o sentido dessa palavra...
Um dia, um Pintor amigo, disse-me: - procure ser humilde, nas dificuldades surgidas quando pretende fazer, a mistura das cores.
Na realidade, eu sentia essa sensação difícil, para mim, ao tentar misturar as diversas cores.
Mas a palavra Humildade – deixou-me perplexa…E respondi:
- Eu sou humilde! Não sei a que se refere…
Sei que nada sou,
Entendo as dificuldades, só minhas,
Aceito as facilidades dos outros,
E lamento, não ser mais diligente,
Na mistura das cores,
Sou humilde no viver, no dizer.

Diga-me como devo Ser!
E se for possível, EU SOU!

Mas defina a minha falta de humildade…
Não define?
Então, eu vou aprender a pintar!

Levei as tintas (das mais caras em preço), os pincéis, a tela e a minha vontade.
Em determinada altura o Pintor disse-me (vendo a falta de habilidade) – tem de ser humilde! - Eu olhei estupefacta para ele e respondi:
Eu sou humilde!
E ele continuou a insistir na necessidade desse sentimento, para aprender uma arte (que admiro) …mas não me pertence…não é minha.
E aí eu pensei – vou desistir, não tenho o dom de saber pintar. Reconheço a minha falta de talento. E nessa aceitação – eu sou humilde!
Calei-me naquela sala, cheia de gente, desejosos de aprender.
E eu com raiva a misturar as cores e a sujar tudo à minha volta – incluindo, eu própria.
Não sei pintar! Desisto e é tudo! Não tem nada com humildade!
É esta a conclusão a que cheguei!
Adeus pintura! Tanto gosto de ti!
Mas não sei pintar!
Escrevo, não sei bem como…mas gosto de escrever!
E esta foi a minha última conversa com o Pintor!

GEORGE ORWELL


“1984”, George Orwell
Descreve o mais totalitário
Dos regimes,
“Em que o próprio pensamento
Pode ser crime”.
“Clara Barata” – colecção Mil Folhas 1984. Público 6 Nov. 2002
Jornal Cultura


Escrevi alguns livros – escrevi e continuo a escrever e não posso deixar de citar 1984 como um alerta, à nossa Liberdade!

Só eu conto no contexto em que escrevo e sou verdadeira, na forma de escrever.
Assim, Eu Sou!
Estes são os meus Diários, depois de escrever as Nove Cartas.
Num Diário tudo pode aparecer, depende da forma de viver e dos acontecimentos a chamarem a minha atenção.

Tornei a ler 1984 – parece lendário e impossível de acontecer e Ele próprio na sua ficção, conta a desilusão, das teorias lançadas ao mundo pelo próprio mundo.
Foi inesperado tornar a ler este livro e falar dele, neste diário. Espero não contundir, nem encontrar objecção.
Mr. Orwell – é esta a minha época, cheia de contradições.

Mas temos liberdade! Nada foi como previu!
Sinto-me feliz, por isso…e continuo a escrever, num confessar de todos os dias.


Maria Luísa

terça-feira, 6 de maio de 2008

MEU AMIGO


O tempo deixou de ser medido; não sei contar as horas, os minutos, os segundos e por essa razão, mandei parar todos os relógios da Terra!
E Eles obedeceram a este estado confuso!
Os relógios do Mundo pararam – a meu pedido! E gerou-se uma terrível convulsão…

Neste instante escolhido, peço a tua amizade, para me ser possível entender a razão, deste estado caótico, criado por mim. Olha e vê … os relógios parados … e o mundo submerso onde o tempo deixou de contar.

Acorda a minha Alma; dá-me a luminosidade mágica das estrelas; enriquece o meu caminho de luz amarela e branca, numa mistura de amor e faz-me esquecer os reflexos da ilusão transitória. Te ofereço a minha Prosa Poética para que me digas quem Eu Sou e eu possa acordar e mandar ligar os relógios parados – por minha culpa e o mundo entre no seu pulsar, como pulsa o meu coração.

Hoje eu posso ler o “Livro Sagrado dos Poetas”; escolho o meu caminho; entro por entre as sombras e a luz ilumina a obscuridade do meu sentir...

Lanço o meu abraço no Espaço e olho…lentamente o amanhecer e conto as horas, os minutos, os segundos. Abro o coração e na sua tranquilidade ele entra no Templo para meditar…e não para pedir!...

E sou outra, diferente da primeira…nascida neste instante!
Saúdo quantos encontro; feliz por o tempo estar a contar as horas, os minutos, os segundos e tudo ter sido um pesadelo, criado por mim.

ÈS TUDO! Eu nada sou!...Ou sou, um pouco mais, CONTIGO!...
.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

EUGÉNIO DE ANDRADE


Meto as mãos nas algibeiras
E não encontro nada,
Antigamente tínhamos tanto
Para dar um ao outro …

Eugénio de Andrade


POEMA




É urgente o amor
É urgente um barco no mar,

É urgente destruir certas palavras
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.

É urgente inventar alegria
Multiplicar os beijos, as searas
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Do poeta,
Eugénio de Andrade

domingo, 20 de abril de 2008

SEREIA


Há Algum tempo contaram-me uma história, cheia de alegria e de paz. Todos vão gostar de ler e analisar. Supera o mundo, os divertimentos desse mesmo mundo, as tristezas, os rancores e a falta de piedade … Dá-nos encanto e Poesia e eu, vou tentar contar de forma simples, essa história tão diferente, do que costumo dizer. Talvez não seja, tão fora do vulgar, mas eu vou dizer e todos vós, vão julgar! Mas sejam benevolentes e eu fico contente!

Era uma vez …
Uma Sereia cintilante, no seu manto de lantejoulas, brilhando ao Sol e à luz do luar.
Tinha aprontado o seu casamento e preparava com algas verdes, uns outros tons de verde, na gruta onde morava.
Nadava a toda a hora, alegre e contente; saltava por entre as algas verdes e os tesouros do mar. Sempre, sempre, sem parar … E entoava aquele cântico de feitiço e adormecia o mar e os peixes que ali viviam …

Mas um dia, levada por outras águas, sem se aperceber do malefício, perdeu a noção do caminho de regresso à sua gruta, à maré que lhe pertencia … e perdeu-se …
Pobre Sereia! E o seu casamento?
A sua boda, os seus amigos, o seu banquete, o seu noivo e a felicidade sonhada?

E chora todos os dias, à procura do seu sonho de encantar.
Tal como os humanos, desconhecidos por ela, desenvolve sentimentos de Esperança..,.

E encontra o caminho de regresso ao Lar!
Bendita Esperança!
Símbolo da Alegria! … E canta, o seu canto de feitiço, a envolver o seu fato cintilante e o seu corpo dançante, nas ondas do seu Mar.

E tudo vai sarar …
O mar acalma,
Deixa de soluçar
E torna-se outro mar.

Aquieta as suas águas … Espelha à luz do Sol a sua cor – azul, verde, cinza, copiando o Infinito. Olha! Sabe! Encontra a pequena Sereia, da qual se lembra e recorda, sem sombra de dúvida …

ELA VAI CASAR!

Há sempre uma história a contar.

SOLIDÃO DO POETA




Um poeta escreve a sua prosa
Escreve e põe nesse escrever
A sua alma, feita da sua verdade
Ele diz e expressa sentimentos em palavras…
Ele torna possível que este e o outro
Se defina e sinta…

Entende o amigo
Esclarece o desconhecido
… Como só ele sabe fazer.
Mas não tem Pátria
Não pertence a qualquer lugar do mundo
Distanciou-se, mercê desse Dom…

Pertence aos que dispersos imploram
A entrada no Templo Sagrado.
Diz coisas que encantam as gerações
… Mas não encontra a sua própria felicidade
Isolou-se do mundo
E de si próprio
PERTENCE AO UNIVERSO!

Transpôs o Limiar de uma porta fechada
… Assim em solidão
E não de outra forma.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

QUIETUDE


“ E o discípulo entrou no Santuário do seu Coração”.


Nele havia um Altar, sobre o qual ardiam duas luzes.

Ele compreendeu que essas eram as luzes da sua própria Vida. Eram ele mesmo.
A chama de luz que lhe estava mais próxima era de muitas cores vibrando na riqueza do seu colorido e emanando ligeiro fumo. Ele reconheceu os seus pensamentos e emoções e ainda, os seus sofrimentos, pelo próprio ritmo familiar das suas Vibrações.


A segunda chama estava mais longe, incolor, mas os seus raios penetravam tudo, até as cores mutáveis da primeira luz.
Imóvel na sua antiga pureza, brilhava tranquilamente, respirando uma paz tão grande como a própria Eternidade.

Então o Mestre vestido de branco aparece:

Apanha as luzes com as suas mãos e troca os seus lugares dizendo: a partir deste instante olhas a vida inconstante através da luz da Eternidade em vez de, como estás fazendo até agora, olhá-la através da luz efémera que torna tudo mais difícil.

Quem és tu? Quem és tu? Quem és tu?

E a esta pergunta meditativa tens de responder mergulhando na vida passada, na ignorância de tantos anos e na ilusão dessa mesma vida. E sentir que aquela para quem olhavas e tudo quanto vias não te pertencia. Tudo quanto viveste não se assemelhava contigo. Eras, apenas a espectadora da tua própria vivência e não aquela que representava.

Olha com indiferença esses tempos passados, reconhece a ilusão de tudo quanto viste e de tudo quanto foste – pois nada é teu. E és outra – a verdadeira, a Real...
A quem procuras? Aquela que procuras não está aqui. Partiu e não volta mais; não chores por ela!

Os lugares percorridos do passado ficam para trás; não há retorno, mas sim uma continuação.
Pensa na liberdade adquirida…de forma sofrida … e caminha ao encontro da VIDA.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

INICÍO DE O DIÁRIO


Depois de ter escrito AS 9 CARTAS. Inicio o Diário, aliás já o fiz, com o texto dedicado
A INGRID BETANCOURT. Agradeço o interesse por este assunto que nos fala dos “Inimigos sem Rosto” a que faço referência no Preâmbulo.

No Diário aparecem vários acontecimentos, escritos em Prosa e outros em Verso.
É feito de verdades, algumas abstractas e não é um” Livro Comercial”, disso eu tenho consciência e esse facto, não vai ajudar no agrado dos visitantes.
Mas o Escritor está preparado para a indiferença do Público! A Net vai dar a oportunidade da tentativa de o lançar no mundo, antes de ser Editado.
De qualquer forma, agradeço a presença dos Leitores que o começaram a acompanhar.
Com comentários ou sem eles – O Livro vai continuar!
Obrigada pela atenção.

Maria Luísa O. Maldonado Adães

sábado, 12 de abril de 2008

NONA CARTA


Vem, noite silenciosa e extática,
Vem envolver na noite, manto branco,
O meu coração …

Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)


Assumo a minha responsabilidade de Poetisa, num mundo em que a Poesia morreu!
E assim, começo a minha última carta, com a saudade prematura, de não as tornar a escrever…

Não posso esquecer as dificuldades de um caminho…solitário, onde as saídas se entrecruzam e os inimigos não deixam, o artista, representar o seu papel.
Mundo de insensatez e de maldade; amigos não existem e está provado, através dos tempos e dos exemplos…Que o Poeta, é uma pessoa infeliz! Mas procuro estar acima do vulgo que pretende devorar.
Não peço nada! Nada tenho a pedir!

A música continua a tocar e a falar da pessoa generosa que dá ao indiferente! Dá com ternura e nada vai receber…mas dar, é a sua continuidade…na forma de estar e de sentir…. E espera o lugar onde vai descansar! E aí, nada a pode magoar!

Os inimigos desaparecem devorados pela sua própria iniquidade.
E ela analisa o sentimento e espera…E pede…A Consciência do Mundo!

Assim, termino as minhas Cartas!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

OITAVA CARTA


Meu Amigo

A nossa festa acabou, mas deixa-me dizer-te, uma vez mais: trazias pedaços de luar nos Teus cabelos dourados e o Teu corpo, macio e brando entregava-se com quebranto e langor … Mas não parecias Tu …
Com essa forma subtil de amar!

Tudo terminou em cânticos de luz e de louvor!

Recordo o banquete, preparado por mim … aquele sabor ao néctar puro das abelhas – sem misturas –
Apenas os favos amarelos – alvéolos trabalhados com fervor – e os vinhos nos seus tons dourados e rosa, as flores perfumadas, ao longo do caminho … Tudo tão simples ao longo desta vida, nunca antes contada.

Mas a simplicidade, não é o meu atributo maior … Nada pode mudar neste meu Eu invulgar e vou continuar como sou – eu sei!

Perguntas se sou adepta do Paganismo?
Não sou!
Sou crente em DEUS … Sem esquecer o Filho!

Sentes como sou? Entendes-me? Acreditas em mim? Tornamos tudo mais fácil, na forma Poética de dizer.

Quando for possível – arranjo outra festa e convido mais gente.
E despida de modas e trajes complicados … Vou como em passerelle mostrar como sou e o meu costureiro mostra o meu corpo despido de fantasias e faço disso – o meu modelo – como escrevo os meus versos ou a minha prosa. É uma representação abstracta … Como um quadro pintado que só os críticos sentem, saber definir.

Jogo xadrez – agrada-me essa espécie de jogo – apreciada por tão poucos –, mas sinto-me bem no meu mundo, escrevendo com amor – gosto, por vezes, das coisas, lugares e pessoas de quem os outros não gostam. Escrevo para Todos e ainda mais, para aqueles que não querem ou não podem, entender – mas não o confessam!

Olho as figuras para a próxima jogada e lembro o meu Livro “Os 7 Degraus”, onde me foi mostrado o verdadeiro caminho e me deram a Luz quando as trevas desceram e me taparam, como se fosse NADA.
E fiquei sem ver … apenas cintilavam as figuras e eu apercebia-me que Elas ensinavam a vencer,a ganhar o Primeiro Lugar – ou quem sabe? O Último Lugar …

O teor desta Carta fala de tantas coisas, contadas por mim e por Ti. As Tuas, são as mais belas …
Intimistas e abstractas – quem dá por Elas? Os que passam e não lêem? E ainda, aqueles QUE NÃO PASSAM … Esses são os mais fáceis. Nada têm a dizer …

Admiro-Te com ternura, pela Tua solidão – Só Tua … E me deixares compartilhar o Teu estar.

Não estou mais só … Tenho-Te e escrevo por Ti … Apenas por Ti!

terça-feira, 8 de abril de 2008

SÉTIMA CARTA


Ontem rumei à nossa Serra – subi aquele carreiro com degraus – estreitos e íngremes, cobertos de musgo a escorregar…ali estava a minha gruta; uma vela acesa e no ar o magnetismo e o mistério secular – como se orações e pensamentos retidos no tempo, ali me esperassem, para me ajudar e me falar.
Sentei-me junto ao Altar, na esperança, sempre crescente, de Te encontrar e escrever esta carta, Contigo – meu Amigo…meu Amigo… das horas calmas e mansas e das noites com luar.

Vou dar uma Festa! Resplandecente e quente! Repleta de magia e sensualidade!
Preparo o banquete – e És meu Convidado!
Esquecemos as críticas e os críticos, os que lêem e os que fingem ler…E é outra…
Diferente da primeira…parecida com a última...

Lança ao mundo, os meus livros,
Como símbolos e despidos de qualquer vaidade – somos livres de pintar os muros à nossa volta – e as flores surgem de mil cores, rodeadas do verde, não agredido, da nossa Serra e a nossa nudez é real e pura, misturada da nossa alegria.

Canto uma canção de amor!
É uma canção pagã!
E eles não entendem, este riso, esta alegria!

Podem esquecer, isto que digo!
Mas digo a verdade e agrido a mentira!

Tudo quanto escrevo veio comigo quando aceitei a Vida!
Reconheço as dificuldades em descobrir o lado certo…mas sou Poeta – como sabes – e não vou deixar de o ser, para agradar. E a festa quente e pura já começou…Quando chegaste!

Eis a nossa missão a ser cumprida e a felicidade acompanha as nossas danças no lugar Sagrado e embala-nos neste sonho e torna tudo realidade.


ENTÃO ISTO É REAL!

Com ternura.

sábado, 5 de abril de 2008

QUINTA CARTA


Ontem não adormeci! Acontece muitas vezes não adormecer e sentir frio e envolver-me numa página gigante com vários poemas ou prosa e essa página vai banir o frio e mostra-me o abandono do que escrevo.

Sabes qual a sensação desse abandono? Aquele apertar do coração quando eles saem de mim, quais criaturas vivas a reclamar a sua entrada no mundo e o sentimento de ofensa e ultraje, deste tempo, sem remorsos.

Nesta forma de escrever, fujo à contagem das rimas, das palavras alinhadas a condizer com as anteriores. Nada disso, meus amigos! As minhas palavras são livres e espontâneas, formam figuras inquietas, num cenário natural.

A forma pomposa de dizer, transforma-se num acontecimento de alegria e felicidade por me pertencerem e nada, mas pode tirar. Apenas Deus com toda a sua Grandeza, mas pode levar. Sou crente! Aí está uma faceta, importante, da qual me esqueci de falar.
Alguém pergunta: - não é clássica? Não procura rimar com cuidado?
E para vos falar com sinceridade – eu não respondo…
Perguntas simpáticas, de quem não entende… O mundo é assim, como eu digo, ou um pouco diferente – eu não sei tudo –, mas ninguém sabe…daí a minha aceitação!
Mas o mundo é mau, no apontar dos defeitos, - mas não importa – é saudável falar – dizer alguma coisa, sem magoar – não falar, é por vezes, trágico!

- Deixa-me acreditar que tudo isto é verdade;
- Deixa-me ouvir as censuras inesperadas; - e não temer;
- Deixa-me pensar que tudo vai acontecer, como eu, espero;
- Deixa-me brindar a tudo quanto os outros desconhecem;
-Deixa-me ficar com estes pensamentos e não vacilar;
- Deixa-me jogar este jogo de palavras e GANHAR;
- Deixa-me voar e regressar sem sofrer;
- Deixa-me esquecer a maldade disfarçada de várias cores, na ânsia de não ser
reconhecida;
- Deixa-me esquecer a insensatez … na qual acreditei;
- Deixa-me ter a coragem de não recordar…os que por medo me esquecem;
- Deixa-me ficar em paz escutando o que dizem e esconder…o meu dizer;
- Deixa-me ser como gosto…repudiar algemas e entender o reverso da medalha;
- Deixa-me continuar o caminho…escolhido por Ti e aceite por MIM;
- Deixa-me confiar nos sonhos, como os entendo e ser submissa e humilde;
- Deixa-me envolver o meu corpo no teu, a tua mão fresca na minha…e sorrir;
- Deixa-me entregar todo o meu ser e gritar – bem alto, à Liberdade;
- Deixa-me viver este amor louco e profundo…e mostrar ao mundo este amor ;
- Deixa-me ser espontânea…sem medos…do entardecer, da própria vida e do
final, dessa mesma vida.

Recuso o acabar desta carta! Quero ficar dentro dela e viver num recanto com ela!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

QUARTA CARTA


Nestas cartas tento desnudar o coração e dar a minha verdade, a todos quantos me lerem.
Continuo na aventura de escrever e dizer como um triunfo da minha alma, ou um desespero que tudo me pertence e tudo quanto digo – é meu!
As críticas e as suas interferências não matam o meu espírito, não me tiram a vontade de cantar e dançar.
- Percebes pequena criatura?
Todo o meu corpo gesticulado e as minhas mãos que falam, te dizem quem eu sou!
Interessa-me escrever e não obedecer às tuas ordens, maldosas e supérfluas. É tudo.
Assunto acabado! Sem ressentimentos!
Vou continuar à minha maneira e não, à tua!
E tu se me leres…Tu se me leres? Pergunto eu…mas isto traduz falta de firmeza no que se escreve! Mas eu, sinto-me firme na única coisa que gosto de fazer – Escrever –!
E dentro dessa firmeza eu vou continuar o meu diálogo contigo, ignorando a tua crítica!
É necessária coragem para usar a magia simbólica da escrita! És o meu inimigo – eu sei!
Mas vou tratar-te, como Amigo e vou ser sincera…sem a chamada sinceridade, não há amigos! Tu sabes desta verdade – mas não és assim, como digo…não és!
Pensei sempre em ti, mas o que escrevo é diferente do que conheceste em mim…!

Pergunto:

- Fiz tudo quanto me foi dado fazer? Daí o obstáculo que arrasto e ao qual não sei
Responder...
- Cai nos tropeços do caminho, por acreditar!
- Fragilizo a minha batalha, por confiar!
- Perco as minhas unidades de defesa e fico isolada num campo imenso!
- Não espero a compreensão dos exaltados, ansiosos por esgrimir!
- Afasto-me do mundo – sem rancor, mas com mágoa!
- Aproximo-me de mim e crio um espaço invisível, onde vou esperar!
- Espero, mas não regresso – e Quero Regressar!
- Procuro o meu jardim, onde chegam os clarões desta cidade!
- Contemplo as flores…de várias cores…plantadas por mim!
- Encontro a beleza dos meus sonhos e a frieza dos meus pesadelos!
- Ensina-me a perdoar…e a saber viver desse perdão!
- Ajuda-me a chorar…e o meu olhar lavado, se torne mais vivo, até chegar à alegria e ao riso!
- Vivo? Do verbo viver? Sim! Do verbo Viver!
- Ouço a cadência rítmica de” KITARO”… vibra em todo o meu ser e não esqueço os que me amam, nesta Terra que me foi oferecida, para VIVER!

Assim termino esta carta.

terça-feira, 1 de abril de 2008

TERCEIRA CARTA


Hoje é um outro dia; um dia diferente – talvez com mais esperança, ou alegria…menos pesado de nostalgia! Vamos analisar este dia!...


Ouvi falar da tua transformação;
Ouvi dizer do teu afecto por mim;

Ouvi o teu pensamento e apanhei-o no ar, nas asas do vento e soube dos limites do meu tempo. O vento sussurrou ao meu ouvido esse segredo. E não gostei, dessa verdade!

Ouvi, de ouvidos fechados pela própria natureza – ouvi, com todas as minhas dificuldades! Mas o vento que me conhece, contou o teu segredo e eu senti-te no som deste vento e soube…estiveste comigo!

Ouvi o canto de várias vozes e os ecos repercutiam-se à minha volta, longe de mim e voltavam várias vezes e diziam – eu estou aqui!
Ouvi o rouxinol Persa e das Índias no dizer de um poeta amigo – BULBUL – assim chamado pelo João Carlos Raposo Nunes….ouvi com este ouvido que tanta falta me faz e se perdeu no burburinho do mundo…
Mas ouvi a mudança da voz do vento e da minha própria voz, tornada num canto mais doce e maior a lembrar o BULBUL do Oriente.
Lembro o Oriente e o Poeta Fernando Pessoa – quando ele diz:

“Ao Oriente excessivo que eu nunca verei”…

Nostálgico e belo … Vem e Sê meu amigo!
E eu digo: interessa-me a Eternidade à qual não posso fugir – mas acredita …
“Gosto de Viver” – não me tire esta ânsia e esta alegria …
Que eu sinto pela VIDA.

sábado, 29 de março de 2008

SEGUNDA CARTA


Hoje, acordei mais cedo, sem saber como começar a contar, aquele tempo abstracto,
Misturado com o momento presente.

Hoje, havia Estrelas no Infinito como pontos de interrogação, aguardando os meus propósitos.

Hoje, um Poeta disse que “escrever é uma necessidade e também, um caminho solitário”.

Hoje, lembrei-me da palavra “Gratidão” e recordo o meu pouco merecimento, no uso dessa palavra.

Hoje, deixei de me sentir triste, pela indiferença, à minha volta.

Hoje, não encontrei o eco da minha voz – apenas, trovões ao longe – rasgam os pensamentos, desfazem a voz e transformam-na num som inerte e desbotado.

Hoje, idealizei o Amor a envolver o mundo – e gostei!

Hoje, dei vida aos sentimentos bons e fiz Deles – AMIGOS!
Conversei de tarde, à luz do dia e juntei-me com alegria à noite e não apetecia acabar, o que dizíamos …

Hoje, olhei o ecrã de um Computador minúsculo e dei vida aos barulhos, distantes da Cidade e reconheci, nesse pequeno espaço, a tela semelhante a mim própria.

Hoje, deixei de estar cansada e desiludida e acreditei na Saudade e nesta carta.

Hoje, esperei a hora mágica e bela do Poente, nesta cidade e te dei o meu Amor!...

Prometi esta carta, da qual não me esqueci, mas nada contei de importante e digno de ti. Fui divagando, como tu sabes … E tantas vezes, ficas igual a mim, como se fossemos gémeos – e não somos!

Vencemos, os dois, os obstáculos dos Silêncios e estamos juntos!
Não te vou mandar esta carta – é minha – e nada diz que te encante!

Um beijo.

quinta-feira, 27 de março de 2008

PRIMEIRA CARTA




Sinto a noite a aproximar-se e o cheiro das flores do campo fazem-me pensar em ti e naquela casa onde vivemos e da qual não me esqueci.
Pouco dei do meu tempo – tudo foi perdido na forma como vivi, nas teorias que contei a mim própria e nas quais acreditei.
E tornei-me indiferente ao lado de Gente que tratou de mim.

Lembro a tua forma de amar – só tua – como um Dom natural.
Contigo aprendi, de forma imperfeita – eu sei – esta maneira de dizer – só minha –.
És aquela a quem confiei os meus pensamentos e escondi os meus segredos.

Dividis-te comigo um pão que se parte e alimenta uma multidão faminta.
Deste-me a tua Sabedoria e eu não me tornei sábia e não retribui o amor…e não me apercebi, na hora certa…
Fiquei com esta carta por escrever…sem saber…
Não sei se a principiei, alguma vez!

Mas hoje, lembrei-me de ti – e não sei lembrar o passado – esquecido por mim…
Acumulo as culpas e continuo a viver! As culpas não são tuas – mas apenas minhas.
Deixei de ouvir! Sabias deste pormenor? Tão minúsculo – mas difícil?
A audição foi-se … sem pedir a minha permissão.

Lembro o teu olhar e a tua voz! Tanto amei a tua voz, o teu carinho, a tua calma no dizer e no estar.
A minha alma desdobra-se em pétalas de flores…pisadas por caminhos desencantados e solitários – separada de mim!

Lembro a doçura dessas mãos que repousaram em mim – no bater do meu coração, mas não têm as marcas dos meus beijos.
Era muito nova para entender e não me apercebi que um dia…ficava sem ti…

E hoje pergunto … Como foi possível viver sem ti?
Sobreviver às desilusões e continuar o caminho, sem a tua presença. Mas tem sido uma forma de continuar no mundo – nada pude alterar!


Perdoa-me…Avó! Perdoa-me! …

quarta-feira, 26 de março de 2008

PREÂMBULO


Nove Cartas e um Diário são dirigidas ao todo que nos rodeia e de certa forma ficcionadas e falam de personagens ilusórios, ou não, fruto da imaginação dignos de um interesse que mostra a personalidade da autora. Aprende a lição de que tudo pode desaparecer no instante seguinte.
Tempo de inimigos sem rosto e da dificuldade de os combater, talvez seja a época em que a crueldade, tem sido mostrada em todo o seu terror.
Procura ser leve na escrita, mas por vezes os acontecimentos sobrepõem-se a esse intento.
Ficam ao livre arbítrio de quem os ler e analisar.

Possa esta razão ser clara num contexto de verdades e mitos.

Maria Luísa