sábado, 6 de abril de 2019

PARTILHAR

Partilhei contigo               
E ele toca uma canção de amor...


Toda a nossa vida
todos os anseios 
todas as dúvidas
todos os sonhos
e ainda os de exaltação intima 
todos os esplendores da própria vida
e a negação dessa mesma vida

Partilhei
os desgostos
as mágoas
as incertezas
os lutos que surgiam 
a ânsia de amar 
e de dar com amor e alegria 

E um dia acordei e não te encontrei
e estavas a meu lado 
dormindo o teu último sono
E aceitei e sofri e chorei

E neste momento apenas te peço
Ajuda-me a continuar...


Maria Luísa Adães



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sexta-feira, 29 de março de 2019

VEM...

Vem e entra em meu jardim
e volta sempre à mesma hora

E não esqueças nunca
Que o plantei para ti...



Maria Luísa Adães




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terça-feira, 19 de março de 2019

TEATRO VII (Missão Cumprida)

Como se alguém nos olhasse                      
Me esqueci quem foi o artista. Me desculpem!

Do cimo do Universo
Desce uma escada de Sete Degraus
Apenas uma escada

Fica suspensa
Entre a Terra e os Astros
A escada flutua
Não cai está presa pela Lua

Por cima um mundo aliciante
por baixo o Planeta Terra

Meus gatos
têm um novo estatuto
são gatos da Terra e do Ar

O feitiço caiu
eles estão libertos
prontos a me abandonar

Estão entre as estrelas e o mar
levitam em cada lugar

Tomam as sete cores
abandonam a porta chapeada de sete chaves
e escolhem nos sete degraus
O lugar onde vão ficar

Começam a miar
levantam os olhos ao luar
estão prontos a amar

A lua sorri
os astros entendem
as fadas e duendes se juntam a louvar

Minha missão está cumprida
os salvei de monstros e lhes dei guarida

Fico a olhar  os Sete Degraus
onde vão ficar 
A daí planar...


Maria Luísa Adães



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sábado, 9 de março de 2019

SOLIDÃO

Ama a solidão                       

as colinas
os lagos
os rios
os oceanos
o teu amor
os teus filhos e netos
o teu clamor de justiça
O teu esplendor

Não esqueças nunca os teus versos

Ama a solidão
o silêncio da força que se renova
o silêncio da força que brota
de uma fonte profunda
as águas da vida
Ama em especial o teu amor
repousa em seu peito
e sonha...sonhos impossíveis

Mas ama tudo à tua volta
e faz do amor
a tua arma mais pura
o amuleto que te salva
da solidão que procuras
da solidão que sentes
Como um imã à tua volta

E procura descansar
na solidão do amor
Que se escondeu de ti!


Maria Luísa Adães



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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

TEATRO VI (Salvo meus gatos)


Mercê do feitiço                                                    

da bruxa de chapéu alto
meus gatos lindos
da cor do arco-íris
se encontram aprisionados
numa porta de sete chaves
Não sei quebrar o feitiço
não sei que fazer...

Pedir ao Deus
que está no azul do firmamento
uma luz vinda com o vento

E esta pequena prece me mostrou
Os Cinco Dedos da Mão de Deus

O infinito embranqueceu e sorrio
e cinco traços com cinco tons
de alabastro antigo apareceu
Cada tom mais suave do que o outro

E meus gatos disfarçados nessa cor
voltam aos meus braços
Os tenho em meus braços
e eles cansados deitados
sob a superfície lisa
Da cor do alabastro
passam despercebidos
Perdeu-se a força dos abraços

Mas os libertei
de uma morte de feitiço
já não há tempos
a cantar sua vida

E os salvei de coisas impossíveis
Feitas de correrias e de pânico!...


Maria Luísa Adães


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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

TRISTE

Quero andar contigo lentamente             
Meu amor...

na memória
na essência de meus versos
E acreditar
Que não há mil rostos
pedindo guarida e mil infelicidades


E tu que me dizes
Meu amor...




Maria Luísa Adães




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domingo, 6 de janeiro de 2019

DESCONHECIDO

Meu espírito sentiu a mudança                
Imagem de Maria Fet

meus ouvidos ouviram à distância
meus olhos viram
e te seguiram no grito que subia
até avistar a casa
na praia longa e sombria

Entraste à minha espera
de novo veio o vento
tu olhaste fundo
num fundo atrás de mim
e à frente de ti
Quem vinha comigo eu não conhecia
Mas tu sabias...

Vinha do mar à nossa volta
vagueando por entre ondas altas
E nos ia levar

Tu sabias
eu não sabia
tu sofrias
Eu não entendia 

Desamparada na areia fria
Percebi
A amargura da partida

Chorei esquecida do que tinha vivido
num tempo quente de amor
E entrei contigo numa outra vida...


Maria Luísa Adães

Do livro "Palavras e Caminhos"
de Maria Luísa Maldonado Adães


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domingo, 30 de dezembro de 2018

(Teatro V) O FEITIÇO

A noite está perdida                      
Meus dois gatos

escuto o silêncio
E encontro Sete Gatos

A noite é silenciosa
desnudada
A noite é insolente

Máscaras passam velozes
passam por mim e me perdi
e outra vez a noite silencia
E eu subo e desço escadas

Oh quanto me pesa
Auroras da minha vida
Há muito passadas

E meus dois gatos
transformados em Sete gatos
inertes pendurados nos sete fechos
de uma porta chapeada

Um feitiço
o andar de treva em treva
os prendeu...

O Universo está vermelho e negro
não vejo estrelas nem lua nem nada
E tu Narrador que me dizes
Só a ti te vejo e meu amor ao longe
muito ao longe...como se fosse nada

Que faço? O feitiço prendeu
Meus olhos infindáveis!...


Maria Luísa Adães :  101


quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

PERDOA

Através de toda a imperfeição do meu mundo
Entra e dulcifica esse mundo
Possa a eterna juventude deste Planeta
voltar a florescer
e das cinzas da crueldade
possa reviver e Terra que pensei conhecer

Deixa que a natureza agredida queimada
se transforme no amor e na compaixão
e Te possa pedir misericórdia
pelos que estando vivos deixaram de viver

Deixa que Te veja nos meus irmãos perdidos
e Te encontre nos deserdados e nos esquecidos
deixa que o Teu amor me envolva e me acalente
e limpe a minha vida imperfeita

Deixa que o Natal envolva a terra
a toda a hora, a todo o momento
E não deixe nunca de ser Natal
nos lugares mais escondidos e indiferentes

E Vem
aos pontos mais obscuros
dos corações perdidos

Perdoa mas vem...!!!


Maria Luísa Adães


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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

ESPELHO

Eu vi um espelho                                   
Talvez seja Apolo, mas não estou certa disso...

estava reflectida nele

Dentro do espelho estavas tu
com teu olhar penetrante e nu

A tua sombra diluía o fundo
e eu te via para lá do mundo

Tu estavas aprisionado no espelho
eu estava aprisionada fora do espelho

O mundo meu e teu se espelhavam
naquele espelho que tolhia meus afagos

Os caminhos assombrados
por sombras que vagueavam

Nua me encontrava e ferida
e não entrava no amor que sonhava

Ávida de amor te esperava
mas o espelho nos separava

Acordei, tu estavas a meu lado
e tudo se tornou num sonho vago

Eu fui a heroína de uma peça
representada por um DEUS fechado

O tempo que me foi dado
não era o meu tempo

No outro lado me olhavam
e esperavam...

No espelho não se escreveu nada!


Maria Luísa Adães


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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

(TEATRO IV) BLESSED

O gato branco                                


A gata preta,

De olhos esverdeados a vaguear
percorrem o palco
qual arco-íris da chuva
do sol da meia-noite

As noites de amor
trementes de fogo ardente
os chamam e novos jogos
Clamam...

Descobrem os símbolos
musicalmente os descobrem
uma bruxa feia de chapéu alto
entra no palco
Blessed a acompanha
e ventos uivantes
de terras distantes
e luzes sem Luz
atropelam o instante

O fantasma da morte espreita
procura os ruídos escondidos

Os gatos olham
nada os amedronta
Nem bruxas
Nem magos
Nem medos.

O amor acalenta e chama
a Lua sorri
os astros se multiplicam
as estrelas espreitam
O Universo Respira
E DEUS se avista

E tudo pára
traços sulcam o ar
Não há caminhos fáceis de encontrar

Olho ao longe
como narrador que sou
e agora sou eu quem pergunta...

Que se passa?...

Altos contrastes se levantam!


Maria luísa Adães


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domingo, 25 de novembro de 2018

Teatro III O AMOR

A cortina desce
voluptuosa, misteriosa
o Universo escuta silencioso
admirado do tempo passado

Personagens saem cansados
do canto
da dança
Do Amor

A lua olha com intensidade
no brilho de mil tons das estrelas
palpitante na natureza cósmica
que flutua por entre elas

Outros vão chegando
e se mostrando
tentando entender que se passa
e o Amor perfuma o ar
lança tapetes floridos
flores amarelas
de um tom esquisito

Sem testemunhas os deuses adormecem
o universo se cobre
de nuvens negras e vermelhas
no palco as personagens olham
E querem a ilusão maior
de jardins aéreos
reluzentes e felizes

De um lado o amor
E do outro o esquecimento...


Maria Luísa Adães



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terça-feira, 20 de novembro de 2018

Te Espero!

Tu foste minha paixão
e por ti escrevo
e por ti aqui estou
e por ti espero
todos os dias
e sei que não é possível voltar

Sem ressuscitar e viver de novo!...


Maria Luísa Adães
Botticelli




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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

(Teatro II) FOGO ARDENTE

Meus olhos fixam o palco
os personagens olham
meu amor me beija
eu estremeço
tudo estremece
Todos se desejam.

Os deuses deslumbrados
com o amor dos gatos
O desejo dos humanos
o arrepio da noite
interrogam os astros

Que se passa?

E no palco os personagens 
formam arabescos com seus corpos
Dançam uma dança
De Amor e desejo

Que se passa?
Pergunta a lua a quem passa

Os personagens não falam
apenas se ouvem movimentos
como se a terra se deslocasse
e se juntasse ao êxtase
Do momento abstracto.

Vamos mandar o arco-íris
a iluminar o espaço
precisamos de olhar
reconhecer e ver
Como se sabe amar

E as quatro personagens
o gato-branco
a gata-preta
eu e meu amor
No vasto chão amamos.

Tudo esquecemos
no momento chamado de profano
No instante de Fogo Ardente
E a fuga, súbita
da Estrela Cadente.


Maria Luísa Adães


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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Quatro Personagens

(Teatro 1)                                                
Tanta coisa escrevi e depois perdi...


A peça em sete actos
no palco quatro personagens.

Um gato branco
uma gata-preta
eu e meu amor
criaturas humanas.

Sete notas musicais
se diluem no espaço...
Que conteúdo estranho
a ser representado...

Olho os vários mundos
os ventos sopram frios
reconheço o Infinito
as estrelas brilhando
uma Lua sorrindo
o luar descendo
Iluminando

Os personagens se movem
tomam seus lugares
os deuses se admiram
e escutam o canto
E todo o Universo se queda em silêncio

E cada personagem
elevada na noite imóvel
Ama
Nos símbolos e enigmas


Maria Luísa Adães

A continuar...


Maria Luísa Adães


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domingo, 21 de outubro de 2018

PARA TI...

Nas tardes quentes                                                  
PARA TI...

  Eu escrevo

No tempo florido
   Eu danço

Nas noites frias
  Eu esqueço

E sou feliz
Sim
Sou feliz
Por um momento

Apenas nesse instante eu vivo
E lembro a neblina subindo

  Do fundo ao cimo
  O amor flutuando
  Volátil como o fumo

E amo tudo
lembro e estremeço
no rodopio do abraço

Do teu abraço

  Meu amor
  Meu amor

Quanta fragilidade
Quantos sonhos
Não vividos...



Maria Luísa Adães


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terça-feira, 9 de outubro de 2018

DIVAGAR

Devagar sem estremecer                      

procuro o Passado
e a forma de entrar
e conversar contigo

Trabalho difícil
desprendimento da realidade
encanto só meu e não teu

E até final talvez seja
A minha única Verdade!



Maria Luísa Adães



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terça-feira, 2 de outubro de 2018

ELA dá e Ela tira

A vida é preciosa
não deve ser vivida
de forma desencantada...


A vida é sombra fugidia
de noite e de dia ela se esconde
como uma injustiça infinita

A vida é silêncio e alegria
a vida é amor e fantasia
a vida é dor inesperada

A vida é que nos dá o pranto
a vida é que nos dá prazer 
a vida é que nos dá desencanto
A vida é volúpia nas noites quentes de amor
a Vida dá vida à própria vida
a vida leva de repente a nossa vida
A VIDA É TUDO E É NADA

Mas quem não admira a vida?
Ela dá e ela tira
mas não deve ser vivida de forma desencantada
E perdida...não deve...

Dentro dos teus olhos eu vivi
E acreditei em ti e perguntei
Por  que se morre
Por que se vive?...


Maria Luísa Adães

Do livro "Palavras e Caminhos"

De Maria Luísa Maldonado Adães



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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

EU

Eu olho sem saber quem sou
sem saber quem procuro
sem saber onde vou

E subo, como poeta que sou
ao Altar do Sacríficio
olho numa despedida a Via-Sacra
como a subida de um justo
na hora da partida

Vejo o submerso
onde tantos se debatem
e se prendem sem salvar
e desço uma vez única
para escrever meus versos
e dar a saber aquele que se perdeu
O caminho de regresso

Volto ao meu mundo
por eles e por ti meu amor

Almas perdidas, partidas
Num deserto de dor!


Maria Luísa Adães



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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Mil Rostos

Há mil rostos olhando para mim
e neste instante não reconheço nenhum

Há mil sentimentos à minha volta
e no momento não tenho nenhum

Há mil infelicidades pedindo guarida
e neste tempo não vejo nada

Há mil pessoas perdidas, esquecidas
e não digo nada
e sinto e penso estar voltada para a vida
e nada do que penso ou do que sinto é verdade
Quero andar contigo lentamente
na memória na essência de meus versos
e acreditar que não há mil rostos
pedindo guarida e mil infelicidades

E tenho de abandonar meus versos!


Maria Luísa Adães



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