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| Maria Luísa |
Nem caminhos brilhantes a mostrar
Não tenho nada que possa interessar.
Malas cheias de nada
Atiradas ao chão.
Roupas secas sem brilho
Espalhadas no chão.
Enganei o mundo
Que nunca me reconheceu.
Deixei de ser poeta
Nunca acreditei na poesia.
Sinto-me mal
Absorta, quente, sensual.
Envolta nas ondas gigantes
Do meu mar de ilusão.
As conquitas das certezas
Deixaram de interessar.
As almas misteriosas
Aparecem nas brumas do mar.
Sou mar revolto
Por ondas batidas, diluídas...
Não represento outra vez
A mesma vida!
Os encantos são inventados
Por tipos sem esperança
Dançando a última dança.
Escrevi e escrevo coisas
Criadas por mim.
E tenho uma sensibilidade
Que nunca pedi.
Meu sentir foi morto
E me deixaram viver,
A troco de linhas desconexas
Que ninguém vai entender.
Ajuda-me a esquecer minha vida
E esconde-me numa mala antiga!
E eu torne a nascer!...
Maria Luísa



















