quinta-feira, 18 de abril de 2013

Eu Quero Voar

Eu sinto             
Internet


A alegria do amanhecer

Eu ouço

Os pequenos insetos
Fecundando a vida

Eu canto

Canções dolentes
Nas tardes quentes

Eu amo

O vento
O mar
O verde de mil tons
A voz de alguém
Distante...
                                                                                   
                                                                                        



Eu quero

Sonhar
Acompanhar
Viver
Sentir
O teu adormecer...


Eu espero

Ser alegre
Viva e forte
Como tu és...

E saber sempre
Nunca esquecer
O meu lugar...

E voar

Nas asas do Teu vento!...


E nada mais quero
E nada mais peço
Apenas isso eu peço!
          Maria Luísa

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Memórias

E uma ânsia constante       
Facebook/ Foto de Ars Europa
Firenze/ Italy

Sempre existiu em mim.

Algures pelo caminho
Largaste minha mão.

Depois de tanto tempo
Depois de tanta dor
Tu voltaste e te reconheci

E gostei!

Eu me lembrei de tua partida
Eu me lembrei da tua luta pela vida
E dizeres, quero falar-te!

A porta se abriu e tu entraste
Olhaste os retratos que deixaste
E choraste.

Sensual e ardente
Este desejo de ti
Onde o pranto se espraia
Onde teu corpo descansa
E tua alma se prende.

Mas talvez não sejas como eu
E não sintas como eu sinto
E nada tenhas a dizer do que vive em ti

Se tu não és o passado
Nem o presente em mim
Eu busquei o caminho e sonhei o encontro...

Procuro no céu a cor do girassol
E sinto a chuva nas figuras distorcidas
Nas árvores que continuam vivas.

Eu entrei sem entrar
Te vi sem olhar
E representei sem pensar!

Senhor que fiz na vida
Representei ou sonhei?...

Que me tornei num poeta
Que tinha nascido
E nunca nasceu!


Maria Luísa Adães

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Beijos

Há beijos sem palavras                               
Facebook/A World of Flowers for you

Beijos que cheiram à maresia do mar
Beijos que cheiram às flores
De bosques escondidos e escolhidos

Beijos que trazem o Paraíso
Inundados de ternura e amor

Beijos de duas bocas que se entendem
E se amam e gostam de beijar!

Há beijos que não simbolizam nada
Amargos como Fel-da-terra
E não são pedidos nem desejados
E beijam com crueldade

Beijos que traduzem perfídia
E não pertencem ao mar
Às flores dos bosques
Ao firmamento das estrelas

E trazem os medos
Que impedem de sonhar
E esmagam as rosas devagar.

E não conversaremos mais
Dessa origem selvagem
De sombras maldosas
E de montros tenebrosos.

Voltemos aos beijos de amor
De duas bocas que se entendem
E se Amam e gostam de beijar

Desprendidos da terra e do mar
Beijam com fervor
Num hino de amor.

Benditos sejam esses beijos
Quando a floresta delira
E o fogo alastra

E eu me perco no caminho!

Maria Luísa

terça-feira, 26 de março de 2013

Te Amo!

Eu sou aquela que procura          
Facebook/ Foto de MaCa Turkiye

Ilusões perdidas
Acorrentada à vida

Eu sou aquela que fala
De uma outra vida

Eu sou aquela que escreve
E se perdeu
Por um tempo breve

Eu sou aquela que vê e sente
As coisas que ninguém vê...

Eu sou aquela que não tem Presente
Nem Futuro nem Passado!

Há uma angústia nos vidros
Partidos e esquecidos.

Há uma mudança no entardecer
Mudança de cor e humor

E eu te vejo
E chego aos vidros e te beijo
Nesses vidros.

Te amo
Te perco
Te encontro
Te beijo
Te abraço
Te prendo em meus braços
E a música volteia comigo
No sonho de amor
Ocupando uma vida.

Assim somos nós
E por vezes não somos...

Somos todos os outros!

Maria Luísa Adães


segunda-feira, 18 de março de 2013

Sou?...

Facebook/ el hombre de las mil rosas
                                                          

 Me aproximo do mundo                      
 Me aproximo do sofrimento
 E das multidões dispersas
 E das almas errantes
 E dos gritos constantes

Quando digo e sinto
Sou poeta!

O vento se enfurece
Não gosta de poetas ao vento
Que rimam com seus gritos
E trazem sofrimento, majestosamente.

Não gosta!

Abro a janela da casa
Me lanço no espaço
E me perco nesse espaço

E junto meus gritos
Aos gritos dos que sofrem perdidos
Sem amor, num viver dolorido.

E posso dizer poesia
E posso me chamar de poeta
Se os esqueço vazios e perdidos?

Posso?

E o vento me entende
Não há gente nestes versos,
Apenas eu e o vento gritante.

Mas não entendo como devo ser
Se é isto ou aquilo
No horizonte florido ou árido 
De um destino...

Que me dizes Francisco?


Maria luísa

segunda-feira, 11 de março de 2013

Festa

Internet
A nossa festa acabou                           
Como naturalmente
Tudo acaba.

Mas lembro sempre...
Os momentos bons são para ficar
E para voltar ou não voltar.

Trazias pedaços de luar nos teus cabelos
Teu corpo macio e brando
Se acolheu ao meu.

Senti em ti, o sabor do néctar das abelhas
Favos amarelos e vinhos dourados
E as flores perfumadas dos caminhos.

E disse adeus a esta e àquela terra
Despi meu corpo de fantasias                                            
E fiquei olhando o Infinito junto a ti.

Te amo por tudo e pela tua solidão
E me deixares partilhar o teu mundo
Junto à minha insensatez, tão minha.

Nos ensinaram a vencer o primeiro lugar
E nos deram o último lugar da terra
E tudo se tornou mais simples.

Tão bela a vida assim retratada
Me prendo a ela
E me entrego a ti.

O poeta chora, o poeta ri,
Mas sabe porque chora
E sabe porque ri!

Meu viajante do Espaço
Tão próximo de mim!...


Maria Luísa

sexta-feira, 1 de março de 2013

Poesia!




Facebook/ Jardim de Flores y Poesias
 No Princípio e no Fim  
                                           
  Está a Poesia!


Meus olhos olham as flores
 Nos campos de sonho


Transparentes, nevoentos, lisos,
 Onde me movimento submetida ao tempo 

E tudo pode terminar antes ou nunca
 Fenómeno humano que incomoda

Beleza delicada e inflexível
 No silêncio de beijos infindáveis


De duas bocas que não se conhecem
E se prendem num encontro inesperado.


Que a Poesia seja
As Palavras que ficam por dizer...


Maria Luísa

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Nada nos Falta!


Internet/ Pablo Picasso
Nada nos falta            
E desse pensamento
Temos de partir
Para a nossa dança.

Se o mundo não entende
Que importa
És e serás sempre o meu amante.

O horizonte está muito ao longe
Coberto por montanhas azuis escuras
Toldado de nuvens do pouco que resta.

Qualquer que seja o rumo de nossas vidas
Vou continuar contigo aqui e ali
Longe ou dentro do mundo.

Te amo com as imensas diferenças
E nada me ocorre como eu gostaria
Mas tenho de aprender a dar
Como tu sabes receber e amar.

Compartilhemos o tempo que nos resta
No encanto problemático do amor
Eu vou por aqui
Vem se creditas em mim.

Vem!


 Quando pediste para dançar          
Me recordei de mim
E percebi que há coisas
Que não temos de esperar.

A noite se abre e dá a clareza
Que não tinha
Há beijos sem palavras
Beijos que cantam
A eterna melodia

E sinto no ar
Os meus sonhos
Os pesadelos
E as palavras
Que não disse
E nunca vou dizer!

Como te chamas?


Poema de Maria Luísa Adães

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Quantos...



Internet
      
Quantos vêm na procura da ilusão
Quantos se encantam nessa ilusão
Quanto se retratam de forma ambígua
Quantos se mostram como não são.

Quantos falam de alegrias sonhadas
Quantos falam de vidas amarguradas
Quantos suplicam a magia tolerada
Quantos repudiam a crueza encontrada.

Quantos aconselham e outros aceitam
Quantos se deleitam no canto que embala
Das desilusões desfeitas e queimadas 
E dizem coisas que não sentem e mentem.

Quanto o encontro da palavra não é fácil
E as tornar banais à força de as usar
Nem pensar
E as intelectualizar, muito menos.

Elas caminham em segredo
Sem qualquer medo
E se deixam apanhar.

Tanta coisa que não ouviu
E devia ter ouvido e sentido
Não por mim, mas por ti.

O triste é verdadeiro
Misterioso e sublime
Quando entra no Passado
E caminha estradas do Presente.

Deixa que estas palavras se fixem no Espaço
Ultrapassem pensamentos
Nebulosos e mundanos
E eu possa ter a alegria imensa de viver...

Que não tenho!...

Maria Luísa

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Canta

Ao colocar a mão           
No peitoril da janela
Ela coloriu-se
De vermelho
Azul
Amarelo
Como se de borboleta
Se tratasse.

E a própria água
Os ia tornando maiores
Para melhor abrangerem o mundo
Para além da casa
Do jardim
Das flores
E dos amores
Escolhidos por mim.

Canta
A tua canção de amor
E vem flamante e terno
Num estar de felicidade
Constante.

Te lembras
Do que se passou
Quando te pedi rosas
Do meu jardim
No silêncio de íntimo
Fogo ardente
Que nos cobriu
E nos levou?

Importa lembrar
Ou importa esquecer?

Nada importa
Quando a vida
É cheia de Lembranças
De danças
De cantos
E corais abstratos
Vindos do fundo do mar.


Maria Luísa

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Palavras e Caminhos

Cada palavra é suspensa           
Por um espelho.

O espelho reflete
As outras palavras por dizer.

Os caminhos não têm
Princípio nem fim.

E as secretas feições da vida
Estão escondidas por detrás de mim.

Não há idades para amar
Não há barcos na procura do amor.

Há poetas recolhidos
E esquecidos ao vento.

Há místicos diluídos
Disfarçados de mendigos.

Há luz quando a noite se avizinha
E é nossa, na transparência do tempo.

Não há títulos para nada
Não há títulos para ninguém.

E nem meditando olhando o longe
Eu te vejo no começo da partida.

Procuro seguir as estrelas
E vivo delas e não as quero perder.

E a noite leva-me
Como se eu vivesse dessa noite.

E me repito no dizer
Sempre me repito com prazer

E olho a Terra lá do alto
E o prazer é todo meu.

E é muito mais fácil
Ser como todo o mundo!


Maria Luísa Adães

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Esperança


Internet/ Pablo Neruda
     
Vou escalar qualquer montanha
Afasto-me do mar.

Quando o caminho for duro
Vou continuar e não parar.

Meu espírito é livre
De voar.

Preciso de todas as fantasias
De todas as presenças
Do silêncio dos ecos
E das ausências
Que passeiam em mim.
                                                                                        
Expandir toda a chama
De sentimentos e loucuras
E das carências que não tenho...

E sinto que tenho
E minto ao dizer
Que não tenho...

Não tenho medo do escuro
Não tenho medo de ti,
Mas tenho medo de alguém
Que sinto e não vejo.

E não minto ao dizer
Que tenho esse medo
De escolher o lugar
Onde vou ficar.

E não escolho
Não posso e não quero escolher!

Escalo a montanha na fuga
Na Esperança de te encontrar
E rir, amar e cantar.

Lutar pelos sentimentos abafados
Dizer palavras que nunca disse
E ter a Esperança que nunca tive.

E ser feliz ao chegar
Ao abraço longo de teus braços
E descansar...!!!


Maria Luísa Adães

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Perdoa...

Cristo-Redentor/ Rio de Janeiro/Brasil
Através de toda a imperfeição do meu mundo          
Entra e dulcifica esse mundo.

Possa a eterna juventude deste Planeta
Voltar a florescer.

E das cinzas da crueldade
Possa reviver a terra que pensei conhecer.

Deixa que a natureza agredida, queimada
Se transforme no amor e na compaixão.

Deixa que Te peça misericórdia
Pelos que estando vivos deixaram de viver.

Deixa que acompanhe as minorias
E sinta as multidões que clamam.

Deixa que transforme o tempo nublado
Em luz clara e manhãs soalheiras.

Deixa que Te veja
Nos meus irmãos perdidos.

Deixa que Te encontre nos deserdados
E nos esquecidos.

Deixa que o Teu amor
Me envolva e me acalente

E limpe a minha vida
Imperfeita.

Deixa que o Natal envolva a terra
A toda a hora, a todo o momento.

E não deixe Nunca de ser Natal
Nos lugares mais escondidos e indiferentes.

E vem aos pontos mais obscuros
Dos corações perdidos.

Perdoa, mas vem!!!...

Maria Luísa Adães

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

CANTO!...

Ilha Bela / São Paulo/ Brasil
O vento canta                 
Uma canção distante

Levanta a areia da praia
E tudo rodopia à sua volta

Naquelas tardes quentes
De águas tão frias...

Brilhantes
Cantantes
Coloridas
Da cor do dia.

Leva para longe a nostalgia
Deixa um areal diferente
E sinto que caminhas
Ao som desse vento.

A areia ondula levemente...
Espero a tua canção de amor
O teu abraço com calor

E depois,
Possuis este corpo
Sedento de ti.

A porta reabriu no horizonte
Depois de tanta dor
Que te levou de mim

Te esperei
Te visionei
Nas loucuras deste amor.

E me entreguei
E tu entraste em mim
E eu gritei a beleza da manhã
Que é tua...

Numa neblina só minha
No teu rosto amado!


Maria Luísa Adães

sábado, 24 de novembro de 2012

Quando Te leio....

Imagem Internet
Há poetas escondidos      
Por detrás das cortinas

Há místicos escondidos
E disfarçados nos poemas.

Há luz quando a noite
Nunca mais termina.

Há clareiras que se abrem
Como um caminho incerto.

Há estrelas que se mostram
E não são verdadeiras.

Há neblinas que descem
Em horas incertas.

Há certezas
Que nada têm de verdade.

Há horizontes que se mostram
Aos olhos nublados.

Há esconderijos
Fechados a sete chaves.

Há um canto
Quando as palavras me faltam.

Há uma floresta
Que convida ao destino.

Há um disfarce                                                                            
A cada bocado de folhas frias.

E a peça deixa de ser representada
E as cortinas se correm
E não deixam ver nada.

Quando Te leio
Sem saber nada de Ti
Sinto uma vontade forte
De perguntar -  porquê?

Mesmo sem resposta
Te continuo a chamar
Em todos os recantos da Terra.

Ó Deus do meu pranto!


 Maria Luísa Adães

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Quimera...

Internet/ Georgia O´ Keeffe / 1927

Parei 
A uma porta aberta

Entrei na descoberta
Dessa porta

E me parecia
Feita de alegria.

Pensei, de imediato pensei,
Eu vou viver para sempre

E vou amar para sempre
E ninguém vai morrer na minha vida,

Nem eu
Nem os outros...

Eu tinha encontrado                                                                            
O Palácio da Quimera!

A minha mente ocupada e submersa
No meu próprio Eu

Viu a cidade corrida
Que não dorme
E nunca está cansada.

Razões muito fortes
Me levaram
E eu esqueci essas razões
E entrei pela porta encantada.

Quem era eu
Qual o meu nome
Alguém de uma história
Mal contada?

E o amor que deixei
E o avião que te levou
Para o outro lado do Oceano

Onde estava
Todo o teu canto de amor?

E fiquei olhando a quimera do meu sentir
Da minha mente absorta
E louca

E dancei a mesma dança
Como se fosse criança.

Maria luísa

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Não há tempo!

http://stampsbrowneyes.blogspot.pt

Oferta e o meu agradecimento Maior!
Maria Luísa

Tudo conduz ao esquecimento                     
A simplicidade ilude
Os espaços vitais do amor.

Não há tempo                                   
E a falta desse tempo
Não mata a ânsia
Das coisas que ficaram por dizer.

Só resta a ilusão
E assume sua presença
Sem presença.

Conhecemos a vida
E conhecemos a morte do outro
Nunca a nossa

Quando ela é a única certeza
Que recusamos
E a habitante do futuro.

A porta reabriu
E mostrou o horizonte
E tu entraste,
Pronto a partir.

Senti o pulsar da tua vida
O teu canto de amor
E tu ficaste fora
E eu dentro.

Estamos de partida
E não temos tempo
À nossa frente
E eu estou perdida

Porque amei a vida
Me agarrei a ela

Como se para ela
Eu fosse diferente
E não sou
E tu não és.

E temos de dizer adeus
E fechar a porta
Que se entreabriu
E  mostrou o horizonte...

Perdemos o tempo, meu amor
E não temos mais tempo!...


Maria Luísa Adães

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Silêncio

Estou tão perto do silêncio
Maria del Carmen e a Magia das Rosas.
Oferta

Que me confundo com ele...

Esbocei o arquétipo
Distorcido
Perdido
Alterado

Pelos espelhos prateados
Partidos, gravados,
Num tempo simulado.

Olhei
E perdi-me nesse olhar

Amei e te senti rejubilar
Pela minha forma de dar,

Mas me cansei
Do rumor do amor
Da voz que sonhei

Só te falta aceitar
http://phenixbittencourt.blogspot.com.br

Oferta aos "7degraus"
Tal como sou, tal como digo.                                   

Pára e fica no tempo
Deixa-me olhar...

Com aquele olhar insensato
Do amor que te dei.

Sou um poeta
Que nunca acabou de cantar
Magoado
Perdido
Esquecido.

Espera por mim um dia,
Mas devagar sem devaneios constantes

De amores impossíveis
Desmedidos
http://perfumesepalavras.blogspot.pt

Oferta
Absurdos
Irreais.

Meus olhos fixam o universo
Meu coração pára no deserto
De antigos esplendores.
                         
Maria Luísa
                                                                                       




quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Transformar

Oferta/ Mis carícias del alma/ Com ternura agradeço

Maria Luísa
 
 É possível transformar o mundo
Fazer Voar as flores
Respirar o aroma cândido
Fazer voar animais, fadas e duendes
E dar um mundo quente de ternura?

É possível?

Fazer voar mentes absortas
E pensamentos sombrios
E dar-lhes vivacidade sem sombras
Se eu vejo erva rasteira
Em planícies longas.

É possível?

Fazer parar a saudade
Do que não ouço e não vejo
E do que vi em tempos passados?

É Possível?                             

Estendo meu corpo na areia
Muito próximo do mar
Olho as nuvens e seus arabescos
Habitantes do espaço etéreo
Por onde algumas vezes passo
E vou deixar de passar...

Ou eu peço um mundo a transformar
Numa espécie de magia só minha
E não tenho quem me acompanhar?

É possível
Que tudo seja inventado
E desejado por mim
E eu tenha entrado num mundo
Sem clarões e sem jardins?

É possível?

Talvez tudo isto seja um erro
Talvez não exista erro
Mas exista para mim.

É possível
Eu escrever páginas em branco
E estar iludida quanto a mim?

Beija-me em silêncio
E ninguém interfira
Se tudo quanto escrevo
Não transforma o mundo, nem a mim...

Mas quero transformar o mundo
Pretendo mudar este viver
E que ele seja
Eternamente nosso
E dos outros!...

E se não posso...

Continuo a mentir
Quando digo,
Eu vivo...

Maria Luísa Adães



terça-feira, 9 de outubro de 2012

Eu Vivo...

Prémio de Sor. Cecilia Codima Masachs

A vida do poeta
Tem um outro ritmo.

Na fragilidade desse mundo
Eu vivo.

Na apatia dos ruídos da rua
Eu vivo.

Onde o silêncio murmura
E as rosas se desfolham
Eu vivo.

Na solidão das noites caladas
De vidas perdidas
Eu vivo.

No carpir das mágoas contidas
O tempo se dissolve
E eu vivo.

Na saudade antecipada da partida
Eu vivo.

Persigo há anos um sonho
Que nunca vou alcançar,
Mas vivo.

Piso a terra abandonada
Olho o céu enegrecido
E vivo contigo.

Volto ao princípio de tudo
E a noite se ilumina
Com outra claridade
E duvido se vivo.

Será que tudo emudeceu
Será que os céus estão vazios
Será que há vozes?

Entrei sem entrar
Pensei sem pensar
E representei.

Que tenho feito na vida
Se represento momentos vividos
E não sei meu nome...

Tenho pedido por mim
E por ti a todas as horas
Que passam e fogem
Aos meus pedidos.

E continuo a escrever
Sem me mover
Do mesmo recanto
Onde nasci.

E digo que continuo a viver
E minto quando digo,
Eu vivo!...

Maria Luísa Adães

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

OUTONO


Imagem Internet


Sensual e ardente
Este Outono.

Onde o silêncio sopra
E as rosas se desfolham

Onde o pranto se espraia
Em lágrimas pungentes

Onde teu corpo descansa
E tua alma se prende.


 Vesti-me de vermelho
E te deixei entrar

Deixei que possuísses este corpo
E acariciasses esta alma.

E escrevi palavras
Em páginas em branco.

Dancei
Escutei
Amei
Lutei

E me despi
Como as árvores se despem.

Te acariciei
Como nunca o tinha feito

E gostei do odor desse corpo
Deitado no meu.

Tu foste o Outono
Tu és o Outono

Mas um Outono diferente
Despido e ardente...


Maria Luísa Adães

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Acabou...


Internet/ Salvador Dalí
Pode escrever
Pode suplicar
Pode implorar
Pode chorar.

Em qualquer lugar
Te vou encontrar.

No silêncio
Onde rosas se desfolham
No pranto de lágrimas
Onde meu corpo descansa
E minha alma se prende.

Não vou esquecer
Este desejo de amar,
Mas vou morrer...

E sou um poeta
Que nunca deixou de cantar!
Maria Luísa

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Meridiana

Imagem Internet
Mergulhar na escuridão
Mar branco e liso
Lugar de pensamento puro.

Não ter tempo a passar
Não ter acordes finais
De um prelúdio
Ainda por tocar.

Tocar sinfonias irreais
E falar com palavras
Inventadas
Ultrapassadas
Nunca comentadas
E amar.

Fazer de mim
A própria solidão
E no meu palácio
Habitar e deixar
De me pertencer.

Não ter medo
De quem entrar
E mergulhar
E respirar
Sem morrer.

Que ninguém me procure
Que ninguém me engane.

Pedi ao vento
Pedi ao ar
Pedi aos lamentos
Que ouvi no mar.

Não tinha mais
A quem me acolher.

Segmento de reta
Num vértice
Ainda por nascer.


Maria Luísa Adães

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

E disse adeus...

Imagem internet
Afastei-me dos lugares que amei
E disse adeus...

Aromas
Sons
Cores
Caminho
Família
E os amigos
Que nunca encontrei.

E acabei por amar outras terras
E outros lugares
Troquei minha vida
Por ti
E disse adeus
Ao outro adeus
E minha exixtência se tornou num adeus.

Não há dúvidas que morri
Há tantas formas de morrer.

E comecei a gostar da solidão
E comecei a gostar da minha sombra
E comecei a gostar das outras sombras.

Mas em cada caminho me acorrentei
E ao teu amor me entreguei.

E enquanto te amei
Tudo esqueci.

Sensual e mística
Caminhei voluptuosa
De forma sinuosa
Nas asas do teu vento.

Gostei do teu abrigo
Da tua música ao entardecer
Dos teus beijos únicos...
E tu sabes beijar!

E com o adeus
Sempre presente
A recordar
O primeiro adeus.

Te amo!

Maria Luísa Adães

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

INFINITO...



Imagem Internet
  Olho o Infinito austero
  Que se mostra
  E se esconde na imensidade.

Se veste de mistério
E vive como mistério.

Fugidio e imponente
Envia para a terra
As coisas incertas.

Enlouquece pessoas e coisas
E nunca se conhece
E eu vejo linhas geométricas.

Só isso se vê!...

Procuro a linha
Que não foi descoberta
As partículas incertas
E as escritas
No buraco vazio.

Não vejo nada
E o que vejo não é verdadeiro!

Desiquilibra-me
No equilíbrio do que sou.

E talvez nunca lamente
A partida.

Tantas coisas que não viram
Meus olhos
Tantas coisas que não ouviram
Meus sentidos.

E gostava de ter visto
E ouvido
E sentido
E amado.

Montanhas azuis escuras
Verdade
Azuis escuras.

Não há planície
Nem doçura
Não há.

Mas ao longe
O mar murmura...

Maria Luísa Adães

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Apenas tu!...

Imagem Internet

 Apenas tu existes
No meu dizer de poeta
Apenas tu me chamas de poeta
Apenas tu sabes que sou poeta
Apenas tu...e ninguém mais.

Só a hora da solidão
Para a inquietação do poeta.

Só a hora do amor
Para o desabrochar do poeta.

Só as horas lentas e caladas
Representam o poeta.

Tudo o resto é fantasia
Representada nas horas incertas.

Assimilar as horas
Não abrir as cartas
Não ler o diário
Perseguir sonhos de outras eras
Roubados na terra.

Pelos que sendo poetas
Se deixam perder
Nos sonhos sonhados
E nunca encontrados
No mistério da vida.

Só tu existes
No meu dizer de poeta
Só tu és o inatingível
Nas horas derradeiras.

Frágil como as sombras
No declínio do amor
No clamor sem eco
Nos sons do universo.


Maria Luísa Adães