quinta-feira, 27 de setembro de 2012

OUTONO


Imagem Internet


Sensual e ardente
Este Outono.

Onde o silêncio sopra
E as rosas se desfolham

Onde o pranto se espraia
Em lágrimas pungentes

Onde teu corpo descansa
E tua alma se prende.


 Vesti-me de vermelho
E te deixei entrar

Deixei que possuísses este corpo
E acariciasses esta alma.

E escrevi palavras
Em páginas em branco.

Dancei
Escutei
Amei
Lutei

E me despi
Como as árvores se despem.

Te acariciei
Como nunca o tinha feito

E gostei do odor desse corpo
Deitado no meu.

Tu foste o Outono
Tu és o Outono

Mas um Outono diferente
Despido e ardente...


Maria Luísa Adães

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Acabou...


Internet/ Salvador Dalí
Pode escrever
Pode suplicar
Pode implorar
Pode chorar.

Em qualquer lugar
Te vou encontrar.

No silêncio
Onde rosas se desfolham
No pranto de lágrimas
Onde meu corpo descansa
E minha alma se prende.

Não vou esquecer
Este desejo de amar,
Mas vou morrer...

E sou um poeta
Que nunca deixou de cantar!
Maria Luísa

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Meridiana

Imagem Internet
Mergulhar na escuridão
Mar branco e liso
Lugar de pensamento puro.

Não ter tempo a passar
Não ter acordes finais
De um prelúdio
Ainda por tocar.

Tocar sinfonias irreais
E falar com palavras
Inventadas
Ultrapassadas
Nunca comentadas
E amar.

Fazer de mim
A própria solidão
E no meu palácio
Habitar e deixar
De me pertencer.

Não ter medo
De quem entrar
E mergulhar
E respirar
Sem morrer.

Que ninguém me procure
Que ninguém me engane.

Pedi ao vento
Pedi ao ar
Pedi aos lamentos
Que ouvi no mar.

Não tinha mais
A quem me acolher.

Segmento de reta
Num vértice
Ainda por nascer.


Maria Luísa Adães

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

E disse adeus...

Imagem internet
Afastei-me dos lugares que amei
E disse adeus...

Aromas
Sons
Cores
Caminho
Família
E os amigos
Que nunca encontrei.

E acabei por amar outras terras
E outros lugares
Troquei minha vida
Por ti
E disse adeus
Ao outro adeus
E minha exixtência se tornou num adeus.

Não há dúvidas que morri
Há tantas formas de morrer.

E comecei a gostar da solidão
E comecei a gostar da minha sombra
E comecei a gostar das outras sombras.

Mas em cada caminho me acorrentei
E ao teu amor me entreguei.

E enquanto te amei
Tudo esqueci.

Sensual e mística
Caminhei voluptuosa
De forma sinuosa
Nas asas do teu vento.

Gostei do teu abrigo
Da tua música ao entardecer
Dos teus beijos únicos...
E tu sabes beijar!

E com o adeus
Sempre presente
A recordar
O primeiro adeus.

Te amo!

Maria Luísa Adães

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

INFINITO...



Imagem Internet
  Olho o Infinito austero
  Que se mostra
  E se esconde na imensidade.

Se veste de mistério
E vive como mistério.

Fugidio e imponente
Envia para a terra
As coisas incertas.

Enlouquece pessoas e coisas
E nunca se conhece
E eu vejo linhas geométricas.

Só isso se vê!...

Procuro a linha
Que não foi descoberta
As partículas incertas
E as escritas
No buraco vazio.

Não vejo nada
E o que vejo não é verdadeiro!

Desiquilibra-me
No equilíbrio do que sou.

E talvez nunca lamente
A partida.

Tantas coisas que não viram
Meus olhos
Tantas coisas que não ouviram
Meus sentidos.

E gostava de ter visto
E ouvido
E sentido
E amado.

Montanhas azuis escuras
Verdade
Azuis escuras.

Não há planície
Nem doçura
Não há.

Mas ao longe
O mar murmura...

Maria Luísa Adães

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Apenas tu!...

Imagem Internet

 Apenas tu existes
No meu dizer de poeta
Apenas tu me chamas de poeta
Apenas tu sabes que sou poeta
Apenas tu...e ninguém mais.

Só a hora da solidão
Para a inquietação do poeta.

Só a hora do amor
Para o desabrochar do poeta.

Só as horas lentas e caladas
Representam o poeta.

Tudo o resto é fantasia
Representada nas horas incertas.

Assimilar as horas
Não abrir as cartas
Não ler o diário
Perseguir sonhos de outras eras
Roubados na terra.

Pelos que sendo poetas
Se deixam perder
Nos sonhos sonhados
E nunca encontrados
No mistério da vida.

Só tu existes
No meu dizer de poeta
Só tu és o inatingível
Nas horas derradeiras.

Frágil como as sombras
No declínio do amor
No clamor sem eco
Nos sons do universo.


Maria Luísa Adães

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Caminho...

Imagem Internet
Há quem não tenha alma
Há quem não tenha mistério
Há quem seja sempre igual
Num viver desigual.

Quietude da noite
Desaparecendo na sombra
Dessa mesma noite.

O caminho não é fácil de andar
Nunca encontro
Caminhos fáceis de andar.

Eu fui a estrela
Entre a nuvem, o negro e o mar
Fui...e deixou de ser.

As árvores falavam
Se entrelaçavam
Como se fossem voar.

Os fantasmas perdidos
Choravam
Não se reencontravam.

Figuras estranhas tocavam em mim
E eu esperava por ti
E tu não voltavas para mim.

Me deixaste num caminho
Onde me convidaste a entrar
E fugiste de mim.

A minha sombra caminha devagar
Eu caminho sem ti
À frente dela...

As palavras vêm em segredo 
Sem qualquer medo
E se deixam apanhar...

E eu as apanho no ar!...


Maria Luísa Adães

terça-feira, 17 de julho de 2012

Ilusão I

Imagem Internet
Te encontrei um dia
Me encantei por ti
Por tudo o que não dizias.

E no tempo a passar
Eu fui a ilusão
Que tu não pressentias.

Talvez fosse um contraste
Mal entendido,
Um tempo gravado
No próprio tempo.

Espero pela alvorada
Espero que o longe fique azul
E troco minha existência.

Atravesso o Oceano
Infrinjo todas as regras
Canto todos os canto
Sem saber cantar.

Entro no palco das nuvens
Represento a minha vida
E volto de novo sem voltar.

Mas fui a ilusão
Que nunca esperaste
Encontrar!

Aquela
Que nunca soubeste amar
A que canta sem saber cantar.

E nos afastamos sem dizer
E não voltamos sem saber
Quanta ilusão se escreveu.

Mas se voltei...
Foi por nunca ter partido!...


Maria Luísa

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Noutro lugar...

By Kiug
Aromas, sons e cores
Mar, serras e árvores
E eu...

A música do entardecer
Na sua beleza já nascida
E a solidão do esquecer.

A luz do esquecimento
Próximo da partida
As mensagens ocultas, perdidas.

Os meus sonhos lembrados
Ocupando uma vida
E a minha procura de ti.

Ninguém me ouvia
E eu sentia a falta desse ouvir
Que tanto mal me fazia.

E quem nos entende
E quem nos ouve
E quem nos ama?

Não sabemos...
Apenas o mistério predomina
Nos últimos instantes.

Ousadamente me dispo
E me olho ao espelho
E te vejo dentro do espelho.

Tu existes para meu deleite
Ou és apenas parte do sonho?

Assim somos nós
E por vezes não somos
Somos todos os outros!...

Te amo!

Maria Luísa

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Apenas eu...

Oferta / Sor. Cecilia

Despida de cansaços
De dores e amarguras
Eu flutuo no espaço
Nua.

Numa outra dimensão
Eu vivo
Enquanto escrevo.

Sinto no ar a diferença
O mar tomou a cor do Infinito
As águas mais azuis e frias.

As nuvens correm
Minúsculas e brancas
E eu canto louvores ao tempo.


 Que procuro mais?
Se nada encontro igual
A este instante de ritmo diferente.

Enleei-me em ti
Dei voltas e voltas
Para me libertar de ti.

E o momento se tornou suspenso
Quando caminho na terra
E atenta fico
À incompreensão dos outros.

O triste é verdadeiro
Misterioso e sublime
Quando entra nos redemoinhos do Passado
E caminha nas estradas do Presente.


Maria luísa

terça-feira, 19 de junho de 2012

NUVENS

Nuvens modeladas
Chuvas paradas
Amores encontrados
Músicas não tocadas
Morte a sorrir.

Mar ondulado e branco
Tapando a terra ao meu lado.

Um outro céu
Um outro espaço
Um outro canto,
Na subida súbita
Do instante.

Caminho nas nuvens
Ilhas dispersas
Figuras diluídas
Solidão estranha
Num mundo pintado
E desenhado.

Tempo de amar
Tempo em que se não diz
Vamos amar!

O amor é inútil
E deixou de ser como era,
Mas sempre pronto a fugir
Quando menos se espera.

O pensamento é triste
A amizade insuficiente
E tudo está ausente
Num baralho de cartas
Inexistente.

Os olhos não choram
O coração deixou de bater
Os ouvidos deixaram de ouvir,
Estão numa dimensão diferente.

Mas amar-te-ei sempre
Estarei sempre contigo
Se tu estiveres sempre comigo.

As nuvens não me impedem
De te sentir
Mesmo sem te ter.

E importa é o sentir 
Mesmo sem viver!


Maria luísa

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Tu és...

Gloria O´Keeffe / Black Iris/ Internet
Tu és o maior encanto da minha vida
Por ti estou espalhada no tempo
Não no tempo convencional.

Tu sabes quem sou
Me conheces melhor do que eu,
Mas não sabes quanto sofro
Por ser como sou.

Não sabes! E eu não quero que saibas
Quero que me sintas feliz
Num lugar tropical
Tão a meu gosto
E me ames, como tu sabes amar.

Nada é suficiente para mim
Reconheço o erro de ser assim
E quero mudar tão rápido                                                                                  
A chamada bola de cristal.

Não vou continuar neste lugar
Nem sei onde procurar o lugar.

De tanta beleza que me tem sido dada ver
Eu não sei escolher onde vou ficar.

Sem mim tu nada és e eu sei disso,
Mas ainda não sei se sou real.

Me amas demais e esperas tudo de mim,
Mas é tão difícil viver assim...

Fico enquanto me pedires
Sem saberes que me pedes.

Enquanto traçares linhas complexas
No ar e no vento
E te enredares nelas junto a mim.

Tu és alegre e eu sou triste
Vivi dentro do tempo mais rápida do que tu.

Compreendi as razões da minha vinda
E tu nada sabes dessa vinda
Pois estás junto a mim.

Eu sou a muralha que te dá guarida
E ainda não sei se tu és a verdade
Ou uma mentira minha.

E tudo quanto digo
Seja o silêncio da noite
A quietude dessa noite
Desaparecendo na sombra
Brusca, dessa mesma noite.

São as vozes que encontro
Espalhadas no tempo...

Maria luísa

terça-feira, 29 de maio de 2012

ROSAS

Te pedi rosas
Ausências e cegueiras
E pedi amor.

Nascentes que eu pressenti
Rios que correm por mim
E um céu de princípio e fim.

Espanta as sílabas tórridas
Submerge-me nas tuas ondas
Enterra os meus temores.

Olha-me e esconde-me
E de noite fecha minha boca
E ao nascer da aurora oculta-me.

Faz-me descer aos teus ocasos
Leva meu olhar
Se outros me olharem.

Proíbe o meu pranto
Ensina o amor sem quebranto
Até me perder no campo.

Dilui-me no vinho dos Deuses
Segura meu cálice de vate
E bebe-me sem pressas.

Já não suspiro por tempos futuros
E nada vou dizer a quem passa
E por não dizer, talvez te venha a perder.

Eu já perdi muitas coisas
Que me foram tiradas
Por gente sem graça.

Que a nossa história a dois
Continue a viver
A encher nossas noites de prazer.

Mas te peço rosas
De todos os tamanhos
E de todas as cores.

Isso eu peço e continuo a pedir!...

Maria Luísa Adães

domingo, 20 de maio de 2012

Espelho...

Eu vi um espelho
Eu estava refletida nele.

Dentro do espelho estavas tu
Com teu olhar penetrante e nu.

A tua sombra diluía o fundo
E eu te via para lá do mundo.

Tu estavas aprisionado no espelho
Eu estava aprisionada fora do espelho.

Os mundos, meu e teu, se espelhavam
Naquele espelho que tolhia meus afagos.

Os caminhos assombrados
Por sombras que vagueavam.

Nua me encontrava e ferida
E não entrava no amor que sonhava.

Ávida de amor te esperava,
Mas o espelho nos separava.

Acordei, tu estavas a meu lado
E tudo tinha sido um sonho vago.

Eu fui a heroína de uma peça
Representada por um Deus fechado.

O tempo que me foi dado
Não era o meu tempo.

No outro lado me olhavam
E esperavam...

No espelho não se escreveu nada!


Maria Luísa

sábado, 12 de maio de 2012

Patético

Tudo passa e se renova
Não há hora derradeira e final
Há apenas a mudança da vida
O passar de gerações.

Muda o cambiante das cores
E o vento traz uma canção diferente
E o mar fica gritante e dorido
Adivinha a mudança.

As formigas recolhem ao celeiro
Não as vemos
Caminhando nas pequenas estradas
Feitas por elas.

As cigarras deixam de cantar                                          
Não têm casa
Nem sonhos a realizar.

Tons dourados
Espelhados no mar
E uma canção dolente.

Se fala de amor
O mundo liberta-se da dor
E da amargura pungente.

E nada me pode agredir
E tudo é o Princípio
Não há Fim!...

Fechar os olhos
Sentir-te em mim
Perder-me na noite
Junto a ti.

Sonhar o nosso espaço
Pisando a terra
Olhando o chão
Clareando a vida.

O poeta chora
O poeta sorri
O poeta sofre
O poeta vive
O poeta é a pétala
Dos reflexos inúteis.

Mas esquece tudo
No abraço íntimo do amor
De um amor diferente.

Para que sobrevivas
Eu cairei antes de ti
No teu abismo.

Patético momento...

Maria Luísa

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Que me resta?...

Internet/ Salvador Dalí/ Meditação/1934
Quanta lembrança passada
Quanto tempo vivido sem nada.

Quanta alegria escutada
Quantos anseios e desejos de nada.

Quanta vaidade escondida
Quanta sombra dolorida.

Quanta ventura esperada
Quantos desejos frágeis e inúteis.

Quanta tragédia vivida
Quantos versos destruídos.

Quanta poesia cantada
E não lida, nem escutada.

Quanto tenho sido esquecida
Num mundo onde não fui acolhida.

Apenas me resta o amor
A indiferença de quem passa.

Meus olhos choram
Caudais de lágrimas interiores

E meu rio se esconde
Nem em mim acredita.

Que me resta?...


Maria luísa

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Tão diferente...

Tudo tão diferente
Do que conheço
Tudo tão diferente...

Atirei a rede ao mar
E minha rede trouxe
Outras coisas do mar.

Tudo tão diferente...

A lua veio espreitar
Eu olhei essa lua
Diferente da lua do meu lugar.

Uma lua maior
Se espraiou no ar
Pintada de laranja e vermelho.

Tão diferente...

Ela atirava um outro luar
Me mostrava outras estrelas
E pareciam as mesmas estrelas.

E não eram
As mesmas estrelas.

Que encanto!

Há outra lua
Outras estrelas
Outro lugar
E outro mar.

Eu não sabia,
Mas o poeta não pode
Parar de olhar.

Mas pode morrer
Longe do seu lar...


Maria Luísa

domingo, 15 de abril de 2012

Floresta Negra

Prometeste encontrar-te comigo
Num local negro e sem fim...

Eu cedi
Confiante em ti.

Havia nevoeiro cinza
E nuvens tocavam em mim.

Alguém se aproximava
Mas eu esperava por ti.

Figuras estranhas, perdidas
Se diluíam nas árvores extintas.

O silêncio era cortado
Com vidros na sombra vaga.

Nada me fazia temer
Eu era a estrela que esperava por ti.

Entre a nuvem, o negro e o mar
O caminho não era fácil de andar.

Nunca encontrei
Caminhos fáceis de andar...

A minha sombra caminhava devagar
Eu andava mais rápido para te encontrar.

Árvores se entrelaçavam
E me cortavam meus braços
Que esperavam te abraçar.

Eu caminhava nas pontes frágeis
Da minha poesia e não te via...

A dor me acompanhava
E se alimentava de mim.

E entrei na floresta extinta e vazia
E mergulhei nos pântanos de outra elegia

E nunca te alcancei...


Maria Luísa Adães

terça-feira, 3 de abril de 2012

E Regressei...

Internet
Um dia parti
E na minha pressa
Esqueci a razão da partida.

Desci ao escuro do mundo
Perdi a minha luz imutável
Estremeci e parei...

Caminhei por cima de tudo
Conheci amigos e antepassados
Que nunca tinha amado.

E deixei de estar presente
Tornei-me num ser ausente
De uma música interminável.

Olhei em frente e recordei
E regressei de uma maneira diferente
E chorei...

A porta se abriu e eu entrei
E depois de tanta dor
Voltei, olhei e te amei.

Tu estavas presente
As vozes caladas não se assombraram
Só eu as ouvia numa agonia.

As rosas do jardim floriam
Os clarões acendiam
Livres das lutas de cada dia.

Falei ao meu amor
Pedi mais amor
E muito mais...

Sensual e pálida voltei
Num desdobrar amplo e calmo
Aceitei e regressei.

A dor e os fantasmas
Da minha solidão
Fugiram de mim.

E amei!...


Maria Luísa Adães

p.s. dedico este poema a uma amiga :
http://lagatacoqueta.blogspot.com/

quarta-feira, 21 de março de 2012

Para Ti!...


Internet/ Gogh, Olive- trees
Em todos os lugares
Da minha vida solitária
Eu te procuro.

Em todos os momentos
A pensar e a amar
Eu te procuro.

Em todas as agruras
Que me surjam num tormento
Eu te procuro.

Nos ventos que rodopiam
Vadios à minha volta
Eu te procuro.

Nas flores que vão nascendo
Nesta Primavera do tempo
Eu te procuro.

Nas árvores solitárias
Perfeitas e puras
Eu te procuro.

Nas músicas que escrevo
Nas músicas que não ouço
Eu te procuro.

Nos amigos que não tenho
Nos amigos que partiram
Eu te procuro.

Nos lugares inatingíveis
Que percorro nas asas dos sonhos
Eu te procuro.

Nos campos que não têm chuva
E suplicam essa chuva
Eu te procuro.

Nos que vivem abandonados
Sem lar e sem estrada
Eu te procuro.

Nos meus olhos
Que olham as flores e os ramos
Eu te procuro.

No rumor das fontes
No amor que jogamos
Eu te procuro.

Nos sorrisos de loucura
De poeta que sou e te dou
Eu te procuro.

Me diz onde fica esse ponto
Esse lugar de encontro
E eu te procuro.

Acompanhada do vento e do silêncio
Rodeada das flores a nascer
De uma Primavera a aparecer
Me diz onde te encontras
E eu te procuro.

Nos pontos impalpáveis
Decido a minha razão e não minto
Me diz onde estás
E eu te procuro.

Eu sou o Outono
Tu és a Primavera
Num lugar tão distante
E eu te procuro.

E no dia do encontro
Fica no meu coração
Ó Deus do meu pranto!

Maria Luísa Adães

quinta-feira, 15 de março de 2012

Acredito...

Internet/ Salvador Dalí
Acredito em ti
Acredita na vida a passar
E entende o meu pesar.

Mas eu pouco mais te posso dar
Passou o tempo a contar.

Contou tua vida
Contou minha vida
E mandou aguardar.

Olho as nuvens a passar
Coloridas ou sem ser
Doridas e sem amar.

Linhas geométricas
Se concentram em mim

Olhares lânguidos e dolentes
Se fixam em mim

Criaturas sem lar
Olham para mim

Eu os deixo passar
Absorta nas nuvens e no luar.

A lua tem outras cores
A lua é colorida neste lugar

As estrelas são outras
Os astros clamam por mim

E eu sinto o deslumbrar
De uma vida a acabar.

Me dirijo a outros lugares
Onde penso encontrar a minha vida,
Eu que nunca percebi essa vida.

Entro nos labirintos das nuvens
E choro lágrimas...
Que vêm molhar a secura do olhar.

Aceita-me tal como sou
Com as incoerências do que digo.

Música de tempo e lágrimas
Se aproximam de mim

Fluída sem exigências
De Princípio e Fim.


Maria Luísa Adães

sábado, 10 de março de 2012

Absurdo!...

Internet/ Salvador Dalí

 Que coisa absurda e magoada
Se instalou em mim...

E eu deixei?
Não, não deixei...

Se instalou e não disse nada
E não disse, por favor...

Não disse não
Isso sei...

Desenhou sentimentos
Misturados de cor e de lamentos...

Isso misturou
Eu sei...

Comandou a vida
A minha vida...

Me amordaçou
E me transformou...

Em momentos pobres e doloridos
Me desfez em pedaços partidos...

A minha alma voou
E a dor continuou
E não me abandonou nunca...

Me manipulou
E me levou a outras vidas...

Aniquilada perdida
Com dor e sem vida
Que será de mim?

Maria Luísa

quinta-feira, 1 de março de 2012

VEM!...

Internet/ Salvador Dalí
Vem
E mostra-me um jardim
Que esteja a florescer,

Como se eu sentisse
Que acabava de nascer.

Mostra-me a partitura
Incompleta por mim,

No ensaio constante
De indecisões
Quando toco.

Pedaços de luz
Se espalham
E fogem de mim...

Chego a corações sedentos de luz
E a outros que não vêm a luz...

Transformada em migalhas
Suspensas e inertes
Como lágrimas
Que não chegam a caír...

A morte e a música
São inexplicáveis...

Mostra-me o mar cálido e dormente
Como eu o conheci...

E eu sinta o esplendor
De voltar a viver.

Maria luísa

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Oferta de La Gata Coqueta

Oferta do blogs http://lagatacoqueta.blogspot.com/

Recebi uma flor...

Uma amiga pensou
Olhou as estrelas
E os astros
Nos seus contrastes
E com sua arte criou.

Eu a recebi
E fiquei com ela
Sensitiva , tocada
Como poeta que sou!

Maria luísa

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Contra-senso

Internet/ Salvador Dalí
Há quem tenha alma
Há quem não acredite na alma.

Há quem tenha mistério
Há quem não acredite no mistério.

Há quem seja sempre igual
E desleal.

Há quem goste do silêncio
E acredite no silêncio.

Eu acredito em tudo,
Mas prefiro o contra-senso.

Há outra lua
Outras estrelas
Outras almas
Outros fantasmas.

Tudo é diferente,
Mas igual ao mesmo tempo.

E há outros poetas
Outras idéias
Outras misérias
Outros pensamentos
Também...

E lá no fundo
Há coisas por trazer
Há coisas por julgar
Há amantes que não sabem amar...

Ó minha noite que nasceste no mar
Onde vou ficar?

Maria Luísa

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Prelúdios I/ II/ III/ IV/ V

Internet

  
As crianças ricas
As piscinas cheias.

Sonham sonhos
E vivem vidas
Que não são delas.

E a multidão grita
Exulta
Estremece
Brinca
Ri e chora.

É um mundo fora do outro mundo
Silêncio...
São símbolos e enigmas.


Maria Luísa


O meu pensamento sobe
A minha alma se desprende
Meus pés acentes na terra quente.

Esquálida e fria eu sou
Casas, jardins, árvores,
Água
E ainda caminho morrendo...

M. Luísa


Eu não posso escrever
Deixei de poder cantar
Deixei de falar de mim.

Eu já não existo em mim
E continuo a amar
E continuo a lutar.

Tão escondida estou do mundo
Quando devia ser tão conhecida!

M. Luísa


Sou tão pobre de versos e melodias!

Meu corpo cedeu
Fez-se o silêncio à minha volta
Não posso mudar as águas do mar.

Fico ao teu lado!

M. Luísa

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Quando te leio...

Internet/ Salvador Dalí
Quando te leio
Me apetece escrever
Dizer da minha dor
E do meu entardecer.

Quando te leio
Sei quem sou
Naquele caminho
Que já não posso percorrer.

Quando te leio
Ressuscita minha dor
Como se ela não estivesse presente
E viva, no mais simples momento.

Quando te leio
Não posso decidir de minha vida
Pois sei, não poder voltar ao que fui
Nem poder esquecer-te
E prefiro morrer.

E o viver
Não deixa de ser dor
E o morrer
E o amor
Não deixa de ser dor.

Sou sempre um pouco menos
do que pensava ser!

Maria Luísa

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ser Poeta



As palmeiras rodopiam com o vento
O vento é agreste e grita
Apanha as vozes que encontra
Espalhadas no tempo.

Só o poeta canta e entende o vento!

O poeta não tem tempo,
Mas tu podes ler a bola de cristal
Que te engana
Ao contar o teu ideal.

O vento grita,
Junto-me a ele e grito a minha dor.

Me aproximo do mundo
Me aproximo do sofrimento
E das multidões dispersas
E dos excluídos dos excluídos.

E o vento grita sempre!

Me lanço no espaço
E me perco nesse espaço
E junto meu grito
Ao grito dos que sofrem
Vivos ou mortos.

E o vento me entende
Não há gente que me entenda
E se me basta o que tenho...
Não sou poeta!

Maria Luísa

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Cidade



A cidade é corrida
As pessoas correm com a cidade.

A sensibilidade foi engolida
Nos vários buracos abertos na cidade.

A cidade não aceita os mais fracos
O dia nasce sem ter adormecido.

A chuva cai como um caudal de lágrimas
E esconde um sol nunca nascido.

Os mais fracos se escondem
E sào engolidos nas ruas desiguais.

A dor não é entendida
Não há tempo para a dor
Não há tempo para fraquezas doloridas.

E não há gente para contar
A última verdade.

Há ilusões perdidas,
Mas as amo mais do que a minha vida.

As horas sào inúteis
Não levam a nada.

Amor,
Quantos crimes se cometem em teu nome.

E eu tenho um único olhar
Que chora sem começar!

Maria Luísa

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Desconexo

Maria Luísa
Não tenho histórias belas a contar
Nem caminhos brilhantes a mostrar
Não tenho nada que possa interessar.

Malas cheias de nada
Atiradas ao chão.

Roupas secas sem brilho
Espalhadas no chão.

Enganei o mundo
Que nunca me reconheceu.

Deixei de ser poeta
Nunca acreditei na poesia.

Sinto-me mal
Absorta, quente, sensual.

Envolta nas ondas gigantes
Do meu mar de ilusão.

As conquitas das certezas
Deixaram de interessar.

As almas misteriosas
Aparecem nas brumas do mar.

Sou mar revolto
Por ondas batidas, diluídas...

Não represento outra vez
A mesma vida!

Os encantos são inventados
Por tipos sem esperança
Dançando a última dança.

Escrevi e escrevo coisas
Criadas por mim.

E tenho uma sensibilidade
Que nunca pedi.

Meu sentir foi morto
E me deixaram viver,

A troco de linhas desconexas
Que ninguém vai entender.

Ajuda-me a esquecer minha vida
E esconde-me numa mala antiga!

E eu torne a nascer!...

Maria Luísa