terça-feira, 29 de maio de 2012

ROSAS

Te pedi rosas
Ausências e cegueiras
E pedi amor.

Nascentes que eu pressenti
Rios que correm por mim
E um céu de princípio e fim.

Espanta as sílabas tórridas
Submerge-me nas tuas ondas
Enterra os meus temores.

Olha-me e esconde-me
E de noite fecha minha boca
E ao nascer da aurora oculta-me.

Faz-me descer aos teus ocasos
Leva meu olhar
Se outros me olharem.

Proíbe o meu pranto
Ensina o amor sem quebranto
Até me perder no campo.

Dilui-me no vinho dos Deuses
Segura meu cálice de vate
E bebe-me sem pressas.

Já não suspiro por tempos futuros
E nada vou dizer a quem passa
E por não dizer, talvez te venha a perder.

Eu já perdi muitas coisas
Que me foram tiradas
Por gente sem graça.

Que a nossa história a dois
Continue a viver
A encher nossas noites de prazer.

Mas te peço rosas
De todos os tamanhos
E de todas as cores.

Isso eu peço e continuo a pedir!...

Maria Luísa Adães

domingo, 20 de maio de 2012

Espelho...

Eu vi um espelho
Eu estava refletida nele.

Dentro do espelho estavas tu
Com teu olhar penetrante e nu.

A tua sombra diluía o fundo
E eu te via para lá do mundo.

Tu estavas aprisionado no espelho
Eu estava aprisionada fora do espelho.

Os mundos, meu e teu, se espelhavam
Naquele espelho que tolhia meus afagos.

Os caminhos assombrados
Por sombras que vagueavam.

Nua me encontrava e ferida
E não entrava no amor que sonhava.

Ávida de amor te esperava,
Mas o espelho nos separava.

Acordei, tu estavas a meu lado
E tudo tinha sido um sonho vago.

Eu fui a heroína de uma peça
Representada por um Deus fechado.

O tempo que me foi dado
Não era o meu tempo.

No outro lado me olhavam
E esperavam...

No espelho não se escreveu nada!


Maria Luísa

sábado, 12 de maio de 2012

Patético

Tudo passa e se renova
Não há hora derradeira e final
Há apenas a mudança da vida
O passar de gerações.

Muda o cambiante das cores
E o vento traz uma canção diferente
E o mar fica gritante e dorido
Adivinha a mudança.

As formigas recolhem ao celeiro
Não as vemos
Caminhando nas pequenas estradas
Feitas por elas.

As cigarras deixam de cantar                                          
Não têm casa
Nem sonhos a realizar.

Tons dourados
Espelhados no mar
E uma canção dolente.

Se fala de amor
O mundo liberta-se da dor
E da amargura pungente.

E nada me pode agredir
E tudo é o Princípio
Não há Fim!...

Fechar os olhos
Sentir-te em mim
Perder-me na noite
Junto a ti.

Sonhar o nosso espaço
Pisando a terra
Olhando o chão
Clareando a vida.

O poeta chora
O poeta sorri
O poeta sofre
O poeta vive
O poeta é a pétala
Dos reflexos inúteis.

Mas esquece tudo
No abraço íntimo do amor
De um amor diferente.

Para que sobrevivas
Eu cairei antes de ti
No teu abismo.

Patético momento...

Maria Luísa

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Que me resta?...

Internet/ Salvador Dalí/ Meditação/1934
Quanta lembrança passada
Quanto tempo vivido sem nada.

Quanta alegria escutada
Quantos anseios e desejos de nada.

Quanta vaidade escondida
Quanta sombra dolorida.

Quanta ventura esperada
Quantos desejos frágeis e inúteis.

Quanta tragédia vivida
Quantos versos destruídos.

Quanta poesia cantada
E não lida, nem escutada.

Quanto tenho sido esquecida
Num mundo onde não fui acolhida.

Apenas me resta o amor
A indiferença de quem passa.

Meus olhos choram
Caudais de lágrimas interiores

E meu rio se esconde
Nem em mim acredita.

Que me resta?...


Maria luísa

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Tão diferente...

Tudo tão diferente
Do que conheço
Tudo tão diferente...

Atirei a rede ao mar
E minha rede trouxe
Outras coisas do mar.

Tudo tão diferente...

A lua veio espreitar
Eu olhei essa lua
Diferente da lua do meu lugar.

Uma lua maior
Se espraiou no ar
Pintada de laranja e vermelho.

Tão diferente...

Ela atirava um outro luar
Me mostrava outras estrelas
E pareciam as mesmas estrelas.

E não eram
As mesmas estrelas.

Que encanto!

Há outra lua
Outras estrelas
Outro lugar
E outro mar.

Eu não sabia,
Mas o poeta não pode
Parar de olhar.

Mas pode morrer
Longe do seu lar...


Maria Luísa

domingo, 15 de abril de 2012

Floresta Negra

Prometeste encontrar-te comigo
Num local negro e sem fim...

Eu cedi
Confiante em ti.

Havia nevoeiro cinza
E nuvens tocavam em mim.

Alguém se aproximava
Mas eu esperava por ti.

Figuras estranhas, perdidas
Se diluíam nas árvores extintas.

O silêncio era cortado
Com vidros na sombra vaga.

Nada me fazia temer
Eu era a estrela que esperava por ti.

Entre a nuvem, o negro e o mar
O caminho não era fácil de andar.

Nunca encontrei
Caminhos fáceis de andar...

A minha sombra caminhava devagar
Eu andava mais rápido para te encontrar.

Árvores se entrelaçavam
E me cortavam meus braços
Que esperavam te abraçar.

Eu caminhava nas pontes frágeis
Da minha poesia e não te via...

A dor me acompanhava
E se alimentava de mim.

E entrei na floresta extinta e vazia
E mergulhei nos pântanos de outra elegia

E nunca te alcancei...


Maria Luísa Adães

terça-feira, 3 de abril de 2012

E Regressei...

Internet
Um dia parti
E na minha pressa
Esqueci a razão da partida.

Desci ao escuro do mundo
Perdi a minha luz imutável
Estremeci e parei...

Caminhei por cima de tudo
Conheci amigos e antepassados
Que nunca tinha amado.

E deixei de estar presente
Tornei-me num ser ausente
De uma música interminável.

Olhei em frente e recordei
E regressei de uma maneira diferente
E chorei...

A porta se abriu e eu entrei
E depois de tanta dor
Voltei, olhei e te amei.

Tu estavas presente
As vozes caladas não se assombraram
Só eu as ouvia numa agonia.

As rosas do jardim floriam
Os clarões acendiam
Livres das lutas de cada dia.

Falei ao meu amor
Pedi mais amor
E muito mais...

Sensual e pálida voltei
Num desdobrar amplo e calmo
Aceitei e regressei.

A dor e os fantasmas
Da minha solidão
Fugiram de mim.

E amei!...


Maria Luísa Adães

p.s. dedico este poema a uma amiga :
http://lagatacoqueta.blogspot.com/

quarta-feira, 21 de março de 2012

Para Ti!...


Internet/ Gogh, Olive- trees
Em todos os lugares
Da minha vida solitária
Eu te procuro.

Em todos os momentos
A pensar e a amar
Eu te procuro.

Em todas as agruras
Que me surjam num tormento
Eu te procuro.

Nos ventos que rodopiam
Vadios à minha volta
Eu te procuro.

Nas flores que vão nascendo
Nesta Primavera do tempo
Eu te procuro.

Nas árvores solitárias
Perfeitas e puras
Eu te procuro.

Nas músicas que escrevo
Nas músicas que não ouço
Eu te procuro.

Nos amigos que não tenho
Nos amigos que partiram
Eu te procuro.

Nos lugares inatingíveis
Que percorro nas asas dos sonhos
Eu te procuro.

Nos campos que não têm chuva
E suplicam essa chuva
Eu te procuro.

Nos que vivem abandonados
Sem lar e sem estrada
Eu te procuro.

Nos meus olhos
Que olham as flores e os ramos
Eu te procuro.

No rumor das fontes
No amor que jogamos
Eu te procuro.

Nos sorrisos de loucura
De poeta que sou e te dou
Eu te procuro.

Me diz onde fica esse ponto
Esse lugar de encontro
E eu te procuro.

Acompanhada do vento e do silêncio
Rodeada das flores a nascer
De uma Primavera a aparecer
Me diz onde te encontras
E eu te procuro.

Nos pontos impalpáveis
Decido a minha razão e não minto
Me diz onde estás
E eu te procuro.

Eu sou o Outono
Tu és a Primavera
Num lugar tão distante
E eu te procuro.

E no dia do encontro
Fica no meu coração
Ó Deus do meu pranto!

Maria Luísa Adães

quinta-feira, 15 de março de 2012

Acredito...

Internet/ Salvador Dalí
Acredito em ti
Acredita na vida a passar
E entende o meu pesar.

Mas eu pouco mais te posso dar
Passou o tempo a contar.

Contou tua vida
Contou minha vida
E mandou aguardar.

Olho as nuvens a passar
Coloridas ou sem ser
Doridas e sem amar.

Linhas geométricas
Se concentram em mim

Olhares lânguidos e dolentes
Se fixam em mim

Criaturas sem lar
Olham para mim

Eu os deixo passar
Absorta nas nuvens e no luar.

A lua tem outras cores
A lua é colorida neste lugar

As estrelas são outras
Os astros clamam por mim

E eu sinto o deslumbrar
De uma vida a acabar.

Me dirijo a outros lugares
Onde penso encontrar a minha vida,
Eu que nunca percebi essa vida.

Entro nos labirintos das nuvens
E choro lágrimas...
Que vêm molhar a secura do olhar.

Aceita-me tal como sou
Com as incoerências do que digo.

Música de tempo e lágrimas
Se aproximam de mim

Fluída sem exigências
De Princípio e Fim.


Maria Luísa Adães

sábado, 10 de março de 2012

Absurdo!...

Internet/ Salvador Dalí

 Que coisa absurda e magoada
Se instalou em mim...

E eu deixei?
Não, não deixei...

Se instalou e não disse nada
E não disse, por favor...

Não disse não
Isso sei...

Desenhou sentimentos
Misturados de cor e de lamentos...

Isso misturou
Eu sei...

Comandou a vida
A minha vida...

Me amordaçou
E me transformou...

Em momentos pobres e doloridos
Me desfez em pedaços partidos...

A minha alma voou
E a dor continuou
E não me abandonou nunca...

Me manipulou
E me levou a outras vidas...

Aniquilada perdida
Com dor e sem vida
Que será de mim?

Maria Luísa

quinta-feira, 1 de março de 2012

VEM!...

Internet/ Salvador Dalí
Vem
E mostra-me um jardim
Que esteja a florescer,

Como se eu sentisse
Que acabava de nascer.

Mostra-me a partitura
Incompleta por mim,

No ensaio constante
De indecisões
Quando toco.

Pedaços de luz
Se espalham
E fogem de mim...

Chego a corações sedentos de luz
E a outros que não vêm a luz...

Transformada em migalhas
Suspensas e inertes
Como lágrimas
Que não chegam a caír...

A morte e a música
São inexplicáveis...

Mostra-me o mar cálido e dormente
Como eu o conheci...

E eu sinta o esplendor
De voltar a viver.

Maria luísa

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Oferta de La Gata Coqueta

Oferta do blogs http://lagatacoqueta.blogspot.com/

Recebi uma flor...

Uma amiga pensou
Olhou as estrelas
E os astros
Nos seus contrastes
E com sua arte criou.

Eu a recebi
E fiquei com ela
Sensitiva , tocada
Como poeta que sou!

Maria luísa

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Contra-senso

Internet/ Salvador Dalí
Há quem tenha alma
Há quem não acredite na alma.

Há quem tenha mistério
Há quem não acredite no mistério.

Há quem seja sempre igual
E desleal.

Há quem goste do silêncio
E acredite no silêncio.

Eu acredito em tudo,
Mas prefiro o contra-senso.

Há outra lua
Outras estrelas
Outras almas
Outros fantasmas.

Tudo é diferente,
Mas igual ao mesmo tempo.

E há outros poetas
Outras idéias
Outras misérias
Outros pensamentos
Também...

E lá no fundo
Há coisas por trazer
Há coisas por julgar
Há amantes que não sabem amar...

Ó minha noite que nasceste no mar
Onde vou ficar?

Maria Luísa

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Prelúdios I/ II/ III/ IV/ V

Internet

  
As crianças ricas
As piscinas cheias.

Sonham sonhos
E vivem vidas
Que não são delas.

E a multidão grita
Exulta
Estremece
Brinca
Ri e chora.

É um mundo fora do outro mundo
Silêncio...
São símbolos e enigmas.


Maria Luísa


O meu pensamento sobe
A minha alma se desprende
Meus pés acentes na terra quente.

Esquálida e fria eu sou
Casas, jardins, árvores,
Água
E ainda caminho morrendo...

M. Luísa


Eu não posso escrever
Deixei de poder cantar
Deixei de falar de mim.

Eu já não existo em mim
E continuo a amar
E continuo a lutar.

Tão escondida estou do mundo
Quando devia ser tão conhecida!

M. Luísa


Sou tão pobre de versos e melodias!

Meu corpo cedeu
Fez-se o silêncio à minha volta
Não posso mudar as águas do mar.

Fico ao teu lado!

M. Luísa

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Quando te leio...

Internet/ Salvador Dalí
Quando te leio
Me apetece escrever
Dizer da minha dor
E do meu entardecer.

Quando te leio
Sei quem sou
Naquele caminho
Que já não posso percorrer.

Quando te leio
Ressuscita minha dor
Como se ela não estivesse presente
E viva, no mais simples momento.

Quando te leio
Não posso decidir de minha vida
Pois sei, não poder voltar ao que fui
Nem poder esquecer-te
E prefiro morrer.

E o viver
Não deixa de ser dor
E o morrer
E o amor
Não deixa de ser dor.

Sou sempre um pouco menos
do que pensava ser!

Maria Luísa

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ser Poeta



As palmeiras rodopiam com o vento
O vento é agreste e grita
Apanha as vozes que encontra
Espalhadas no tempo.

Só o poeta canta e entende o vento!

O poeta não tem tempo,
Mas tu podes ler a bola de cristal
Que te engana
Ao contar o teu ideal.

O vento grita,
Junto-me a ele e grito a minha dor.

Me aproximo do mundo
Me aproximo do sofrimento
E das multidões dispersas
E dos excluídos dos excluídos.

E o vento grita sempre!

Me lanço no espaço
E me perco nesse espaço
E junto meu grito
Ao grito dos que sofrem
Vivos ou mortos.

E o vento me entende
Não há gente que me entenda
E se me basta o que tenho...
Não sou poeta!

Maria Luísa

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Cidade



A cidade é corrida
As pessoas correm com a cidade.

A sensibilidade foi engolida
Nos vários buracos abertos na cidade.

A cidade não aceita os mais fracos
O dia nasce sem ter adormecido.

A chuva cai como um caudal de lágrimas
E esconde um sol nunca nascido.

Os mais fracos se escondem
E sào engolidos nas ruas desiguais.

A dor não é entendida
Não há tempo para a dor
Não há tempo para fraquezas doloridas.

E não há gente para contar
A última verdade.

Há ilusões perdidas,
Mas as amo mais do que a minha vida.

As horas sào inúteis
Não levam a nada.

Amor,
Quantos crimes se cometem em teu nome.

E eu tenho um único olhar
Que chora sem começar!

Maria Luísa

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Desconexo

Maria Luísa
Não tenho histórias belas a contar
Nem caminhos brilhantes a mostrar
Não tenho nada que possa interessar.

Malas cheias de nada
Atiradas ao chão.

Roupas secas sem brilho
Espalhadas no chão.

Enganei o mundo
Que nunca me reconheceu.

Deixei de ser poeta
Nunca acreditei na poesia.

Sinto-me mal
Absorta, quente, sensual.

Envolta nas ondas gigantes
Do meu mar de ilusão.

As conquitas das certezas
Deixaram de interessar.

As almas misteriosas
Aparecem nas brumas do mar.

Sou mar revolto
Por ondas batidas, diluídas...

Não represento outra vez
A mesma vida!

Os encantos são inventados
Por tipos sem esperança
Dançando a última dança.

Escrevi e escrevo coisas
Criadas por mim.

E tenho uma sensibilidade
Que nunca pedi.

Meu sentir foi morto
E me deixaram viver,

A troco de linhas desconexas
Que ninguém vai entender.

Ajuda-me a esquecer minha vida
E esconde-me numa mala antiga!

E eu torne a nascer!...

Maria Luísa 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Virtual

Oferta/ http://rosamariblanco.blogspot.com/

 Neste mundo virtual
Nada é igual
Ao mundo real.

Não o aprovo,
Mas o aceito!

Nele escrevo
Nele canto meus versos
Nele conto meus sonhos
Nele ficciono a vida.

A minha e a dos outros!

O mundo real passa
De forma vertiginosa,                                             
O virtual é perene
Não passa...

Se mantém numa eternidade
Cálida e envolvente
Lançada no espaço sideral!

Em Tempo,
Está acima do Tempo.

E os versos no virtual,
Podem ser lançados no espaço
Se envolverem em novas galáxias
Criar outros mundos
Com novas estrelas
E astros.

Nos contrastes desfolhados
Em ritmos alucinantes
Como lembrança de vozes
Há muito caladas.

E ao longe...

Geme sempre uma guitarra
Num canto de Fado.

Maria luísa Adães

Feliz Natal!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Solidão

Internet/ S. Dalí
Quando toco nos pedaços de luz
Elas se espalham
Na forma como toco.

Ficam suspensas e inertes
Como as muitas lágrimas
Que não chegam a caír.

Sou tão pobre de palavras
Esbatida na árvore sem folhas
Do meu entardecer.

Atravessei o Oceano
Infringi todas as regras
Cantei todos os cantos.

E não te vi
E não tive repouso
Em nenhuma praia.

Podes ajudar-me a perceber
O meu último erro?

E fomos diferentes de todos
Na loucura em que vivemos,
Mas houve um erro...eu sei...

E assim, rasguei meus versos
Varri meu nome.

As lágrimas fervem
E eu estou desprovida de apegos
E quero solidão!...

Maria Luísa

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

FUGA

Internet/ Salvador Dalí
O vento gemia
Nós dois fugiamos
De nós...

Nos embrenhávamos na floresta
Sem conhecer o caminho...

Caminho agreste
Complexo, insolúvel,
Num mundo ainda por nascer.

E nós já tinhamos nascido
Num outro tempo escondido.

Há uma sombra que me prende
Um som de vida
De ventura e encanto...

Tantas coisas se perderam
E outras se encontraram...

E eu tão perto do silêncio
Que me confundo com ele.

O beija-flor desce a Penedo
A cachoeira canta,
Eternamente ela canta...

Um canto antigo e desmembrado
Sem qualquer espécie de canto,
Mas canta...

E eu tento o equilíbrio
Enquanto olho para ele...

A vida é a arte do encanto
Culpada de tantos desencantos
Ou seremos nós...
Tu e eu os desencontrados?

Seremos os culpados
Por não termos encontrado
O amor no nosso canto...

E descemos...
Antes, muito antes
Do nosso tempo exausto...
Antes do tempo.

Lá no fundo há coisas
Que não posso trazer,

Há critérios
Que não posso dizer,

Há relatórios da existência
Difíceis de entender,

Há ternuras, desencantos e espantos,
De palavras constantes...

E na sequência,
Abri os caboucos superficiais
Da minha existência...

Maria Luísa

domingo, 23 de outubro de 2011

Suplicante...

Internet/Salvador Dalí
Sussura-me um segredo
Espanta as palavras tórridas
Submerge-me nas ondas do mar
Enterra os meus medos
Nas areias transparentes e lúcidas
Do teu mar...

Me faz uma emboscada
E me prende
Se eu gritar!

Olha-me,
Se eu merecer esse olhar
E me esconde da noite
E me dá o levantar.

Liberta-te
Liberta-me
Eleva-me
Aos teus ocasos.

Esconde-me, se outro olhar
Se aproximar
Se outro nome me pronunciar.

Condena-me ao desencanto
De quem não sabe amar.

Proíbe o meu pranto
Traz o outro manto
Feito do luar.

Ensina-me a amar
Ao luar desnuda
E eu possa dançar e cantar.

Segura meu cálice
Uma vez e outra vez...
Dilui-me no vinho dos Deuses
E bebe-me,

Ó Deus do meu silêncio.

Maria Luisa


Por razões de saúde deixo de escrever!

Deixei de os visitar
Deixei de escrever
Deixei o tempo passar...

Chegou a hora de agradecer...

A companhia ao longo do caminho,
A assiduidade,
A ternura,
A amizade.

Não é um adeus
E espero não seja uma despedida,
Mas é necessária uma explicação.

Aqui a deixo com amor,

Maria Luísa Adães

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Nem Sempre

Internet/ Salvador Dalí
Nem sempre se fala de amor
Nem sempre se fala de nostalgia
Nem sempre se fala o que se pensa
Nem sempre se fala o que se diz
Nem sempre se vive de euforia.

Nem sempre!

Há uma sombra que me prende
Um som de vida
De ventura e encanto.

Tantas coisas perdi
E outras encontrei
E nem sempre te amei.

Nem sempre!

Umas vezes estou presente
Outras vezes estou ausente.

A vida é fonte
A vida não cessa.

Apenas tu existes
No meu dizer de poeta,
Apenas tu me chamas de poeta
Apenas tu sabes que que sou poeta
Apenas tu...e ninguém mais.

E vivo no encontro e desencontro
Do que sou
Vivo da minha ilusão
Vivo da minha insensatez
E da minha lealdade.

Nem sempre, assim é!

Mas fico sempre esperando
Até aquela dia
Perto ou distante
Onde te possa encontrar
Beijar e amar
Sem parar
Deixar de respirar
Como se o mundo fosse morrer
Naquele instante.

E a morte fosse o jogo escuro
Das ilusões...

Maria Luísa

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ser Diferente

Internet/ Salvador Dalí
Lembro o calor dos teus beijos
Lembro a loucura que vivemos
Lembro quando pareciamos ser diferentes
Do tempo,
Em que no tempo viviamos.

E fomos diferentes de todos
E continuamos a ser diferentes
E pagamos por essa diferença.

Nos libertamos de festas
Pois as festas são nossas
E não interessam a ninguém.

Vivemos com alegrias e tristezas
Nos amparamos ao que somos
E lutamos e vencemos.

Somos o que somos
Nos amamos em lugares idilicos
E abatemos o tempo
E não ligamos ao tempo.

Continuamos a ser como fomos!

Maria Luísa

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

ROUBO



Internet/ Salvador Dalí
Me roubaram os sonhos
Me deixaram os medos e pesadelos.

Deus não paira nas águas
A praia se encheu de pedras.

Amei-te mesmo assim
Sedento e exausto.

Te procuro
E não te encontro.

Tudo mudou num instante
E tudo que conheci
Não existe mais.

Fala-me,
Atira as lembranças de ti
Como um convite ao meu caminho.

Volta,
Ajuda-me a encontrar os sonhos
A vida não está completa.

Tu eras o meu sonho
E me roubaram os sonhos.

Neles me via
Neles me reconhecia
Com eles falava
Eles me respondiam...

Solitárias ondas saltam
Viajo nos poços abertos
Nos crepúsculos que se abrem.

Aceita-me,
Dá-me uma solidão só minha,
Mas perfeita.

Me deixaram sem perguntas
Desinteressados
Frios no ar da noite.

Sem eles
Sem ti
E sem tempo,
Que será de mim?

Beija-me no silêncio da noite
Mesmo sem te ver
Acredito em ti!...


Maria Luísa

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Ela Dá e Ela Tira

Internet/ Pintura Surrealista de Salvador Dalí
A vida é preciosa
Não deve ser vivida
De forma desencantada.

A vida é sombra fugidia
De noite e de dia ela se esconde
Como uma injustiça infinita.

A vida é silêncio e alegria
A vida é amor e fantasia
A vida é dor inesperada.

A vida é que nos dá o pranto
A vida é que nos dá prazer
A vida é que nos dá desencanto
A vida é volúpia nas noites quentes
De amor,
A vida dá vida à própria vida
A vida leva de repente a nossa vida
A vida é tudo e nada.

Mas quem não admira a vida?
Ela dá e ela tira
Mas não deve ser vivida
De forma desencantada
E perdida...não deve...

Dentro dos teus olhos eu vivi
E acreditei em ti e perguntei,
Por que se morre
Por que se vive?...

Maria luísa

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

PACTO

Internet/ Salvador Dalí
Fazemos um pacto,
Tu caminhas comigo
Eu caminho contigo
Neste campo minado
De armadilhas.

E nos amparamos
Na escolha dos lugares
Por onde passamos.

E talvez juntos
Possamos limpar
Os caminhos minados
E criar prados.

Caminhar nesses prados
Escrever nossos sonhos
De mudanças,
Nas mentes de quem pensa.

Trazemos o bem alvejado
pela demência de alguns

E reconstruímos o mundo
Em que escrevemos
Em que vivemos.

Que a nossa história a dois
Continue a viver,
A encher nossas noites de prazer.

E os dias iluminados
E tão breves - tão breves...
Nos façam andar de novo
Mesmo de forma incompleta,

Mas isenta e livre!

Com amor,

Maria luísa

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

E Voltei !

Sagrado Coração de Jesus/ Salvador Dalí / Internet
Olhei e rolei no Universo
Pintado de vermelho e negro.

Olhei astros, estrelas desconhecidas
E a solidão do contraste.

Encontrei vozes que reconheci
Falei, mas elas se calaram.

Talvez me conhecessem
E sentissem saudades desta voz...

Junto a uma estrela brilhante fiquei,
Quieta, pálida, sagrante.

Minha Ilha cintilava
Eu estava longe.

Meu amor chorava o abandono
Eu o chamava, mas tudo inútil e distante.

Olhei o cimo e à transparência
Vi um trono, onde Alguém se sentava.

E chorei lágrimas que caíam
E desfaziam o vermelho e o negro.

Só eu sofria,
Só eu escurecia no frio da noite.

E voltei!...

Maria luísa

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A Ilha

Internet
Nasci numa ilha
Uma ilha próximo
Da terra e do mar.

Mas eu amei mais, muito mais,
A que estava próximo do mar.

Aprendi o que sei nessa ilha
E tornei-me tudo quanto sou,
Nessa mesma ilha.

Flores tropicais se transformavam
E se alimentavam pelo ar
E o prenúncio do mar.

Eu não sabia se era única na ilha
Nunca soube dizer onde ficava.

O mapa apontava várias ilhas
A bússola apontava vários mundos.

Mas eu nunca saí da ilha
Nela fiquei
Nela amei
Nela inventei meu amor.

E um dia nela morri e ressuscitei!

Ouvia vozes à noite
Não sabia donde vinham
E diziam coisas tão belas...

E eu sonhava com elas!

E agora, não dizem mais nada,
Mas ouvem a voz dos poetas
Que tal como eu...
Partiram há muito!

Maria luísa

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Tão Próximo dos Salpicos do Mar...

Internet/ Magritte
Em quem vou acreditar
E quem vai reconhecer quem sou?

Quero caminhar de novo
Estar longe e perto de tudo.

Há quem possa ouvir-me
Se não há, deixem-me
Nas cinzas desertas.

O mar é só mar
Uma solidão de ausência humana.

Eu sou queda de água
A caír em traços longos
Trajada de infinito.

Formo um lago, só meu
Tão próximo dos salpicos do mar...

Se me procuram
Olhem meus olhos
E leiam que diz esse olhar.

Já não tenho mais dias
Para falar de mim e te amar.

Desci ao escuro do mundo
Perdi minha cor imutável
As trevas cantaram, dominaram.

Eu não soube entender
Sedenta do esplendor do inútil.

Tenho um destino fixo na terra
Solitária, igual a árvore intocável.

Chorem a ausência
E esqueçam quem ela foi
E esqueçam quanto disse.

Assim se afastam e se perdem
No que já estava perdido.

Ela não volta,
Seu jogo é eterno e perfeito
Não há resposta!

Apenas um suave exemplo
De alguém que passou!...


Maria Luísa