terça-feira, 26 de abril de 2011

Testemunho

Internet/ Salvador Dalí / Gala



Testemunho o mistério das sombras,
A alegria do amanhecer
Sinto o falar dos sonhos
Ainda por nascer.

As folhas das árvores,
As flores trepadeiras,
As raízes imersas
Se transformam,
Em braços que amam.

Não temas a solidão!
Ela está no interior das palavras
Pela mão que não treme
E entrecruza os passos
Na cadência rítmica
Deste coração.

E os passos não retrocedem,
O caminho é urgente e é em frente!

As nuvens trazem o cheiro do mar
E a maré é diferente,
Das muitas marés da minha vida.

Reconheço os amigos
Nas horas vivas
E não no silêncio das muralhas.

E no meio do verde e do azul
Espero alguém,
Que se una ao meu amor por ti.

Tu possas ser a personagem pacífica
A transformar a batalha
Em ondas transparentes
Como uma tela acabada de pintar.

Noites e noites nas vigílias do olhar
Gente do mar salgada
Gente da neblina
Gente do Nada.

E respondo aos suplicantes
Na forma como te amo
E em tudo que te dou.

Retomem o caminho
Nos campos da solidão
E ouçam a canção
Estranha e vazia
Dos Templos abandonados.

Maria Luísa

segunda-feira, 18 de abril de 2011

DISTÂNCIA

Internet/ Salvador Dalí
Que importa a distância?
Em espírito eu subo montanhas
Atravesso desertos intransponíveis
Caminho sobre as águas do mar

E sou livre,
De uma liberdade
Nunca existindo
Nunca percebida.

Meus olhos ficam nos lugares
Minhas mãos acariciam quem amar!

E toda eu sou nuvem branca
Que volteia no ar,
Dançando sempre, a mesma dança.

E te vejo, te ouço
Na hora silenciosa e única,
Num vago rumor
Saltando para um espaço inexistente.

Tu és a imagem sem tempo,
De toda uma vida
De todos os tormentos
E alegrias conjuntas.

A visão da manhã e do dia
Aparecida, na hora do silêncio
E da melancolia.

Caminhas elegante
Caminhas ao meu encontro
Te abraço, te amo, te contemplo
E olho teus olhos
E me vejo reflectida neles.

Te dou tudo quanto sei dar
E eu sei amar, mesmo na distância.

Sei quem tu és,
Ó feiticeiro de meu pranto...

sábado, 9 de abril de 2011

MISTÉRIO

Internet/ Salvador Dalí
O mistério é diáfano
Quando vem de ti.

As palavras são imóveis
Quando vêm de ti.

As vigílias das angústias
Dos espantos exilados
Me falam de ti.

Tudo é espaço e tempo
Desprendido de mim para ti.

Olha as rosas do meu jardim
E escuta como elas falam de mim.

E o mistério entra desdobrado
Maior do que o silêncio
Do coração vencido.

Talvez haja coisas sem futuro,
Talvez eu não tenha futuro.

E os abraços se tenham perdido
Em prelúdios desconhecidos.

Recorda, nada é urgente
E o adeus, caíu no nosso mar.

Deixa-o ficar,
Não há adeus!...

Mas importa o Presente
Mesmo sem Futuro!


Maria Luísa

sábado, 2 de abril de 2011

DOR

Internet/ Salvador Dalí
Conheço tantas dores
Aprendi a viver com elas.

Feliz não me tornou,
Mas nunca compartilhei a dor.

Nunca encontrei entendimento
E calei meu tormento.

Morei com Ela na minha casa
Mais anos, do que os meus anos.

Amigos, só para festas tentadoras,
Nunca para partilhar a dor.

Mas a dor foi contada sim
Como se fosse de outros,
Não de mim.

Nem meu amor pode partilhar a dor,
Sempre isso entendeu e aceitou.

A dor me pertence,
Só ela me pertence.

Nada mais é meu
Verdadeiramente meu.

E dor é minha,
Não a posso repartir.

Não a amo, não a quero,
Mas ela comanda meu viver.

E quando ela vem
Tudo é dor e nada mais...

Ela é a Velha Senhora,
Domina e mata.

Num tempo apenas meu
Pergunto,
Estou no mundo
Ou fora do mundo?

Aqui fica meu cálice
E o vento da solidão...

Maria luísa

sexta-feira, 25 de março de 2011

Presente!

Internet/ Salvador Dalí
Podes falar de mim
Imaginar quem sou
Podes acertar ou não,

Mas eu estou presente!

Podes magoar-me
Eu não me defendo
E continuo escrevendo,

E estou presente!

Pensas em mim
Acertas ou não
Nada te ofereço,

Mas estou presente!

O teu mundo se acabou
O meu continuou
Ausente de ti
Que duvidas de mim.

E no meu mundo, estou presente!

Imaginas quem eu sou
Não gostas do que sou
Meu mundo se acabou para ti.

E deixei de estar presente em ti!

Não há luzes, nem movimentos,
Nem esperanças, nem horizontes,
Pois eu me ausentei de ti.

E para ti,
Eu não vou estar viva
Não bates meu coração
E não me entendes.

Eu fico na ponte frágil
De minha poesia,
Ela acredita em mim

E aí estou presente!

Eu amei teu vulto distante, elegante,
Nas horas da minha vida,
Mas esqueci...


Maria Luísa

quinta-feira, 17 de março de 2011

Não Lamentes!...

Internet/ Salvador Dalí
Não me lamentes,
Não quero lamentos!

Não apanhes minhas lágrimas
Nas areias enterradas!

Não me lamentes,
Mas levanta-me e dá ao mundo
Minha forma de estar dilacerada.

Eu tenho meus versos
Tu não tens nada!...

Os meus caminhos não são fáceis de andar
E são limitados no chorar...

Mas não me lamentes a mim,
Eu sou sombra vaga
Indefinível, imprestável.

Mas sou Gente
E não vou deixar de ser Gente!

E procuro o Espaço
Na distância perdida!...


Maria luísa

quarta-feira, 9 de março de 2011

VIAGEM

                                                                         
Fiz uma viagem
Num caminho de adeuses.

Me transcendo quando escrevo
E me lembro, do tempo e da Ilha.

Tão longe estou desse tempo
Noutro lugar me encontro.

Estou fora sem tempo
Meu espírito se ressentiu
E meu corpo me abandonou.

Horas dolorosas
Emoções silenciosas
Horas fora do tempo!

Venho de dentro de maravilhas
E me encontro num desencontro
E não tenho mais despedidas...

Horas dolorosas
Emoções silenciosas
Horas sem tempo!

Caminho nas cachoeiras
Límpidas e cantantes,
Amo as flores e o canto.

E esta dor constante
É apenas minha...

Há uma força que me prende
Um som de vida,
De ventura e de encanto.

Tão longe estou desse tempo
E morro, fora do meu tempo.

Quem vem ao meu encontro?

Maria Luísa

sábado, 26 de fevereiro de 2011

INTERIOR

Internet/ Dalí / Figueres - spain
Tudo é interior em mim
O exterior não é meu.

Tudo simboliza amor
Mesmo o amor que se perdeu.

Tudo é ternura nesses beijos
Como um beija-flor, beijando.

Tudo é procura de uma alma ardente
Que olha um céu inclemente.

E o nosso amor dolente
Em mim, num corpo meu.

Oh, quanto me pesa a ausência
Deste amor, no espaço vago.

Só os mortos me lêem
Eu também morro um pouco.

Minhas lágrimas prementes
Tornam meus olhos quentes.

Te parece que não amo,
tanto como tu amas.

Te enganas,
Só tu vives em mim!

Na imóvel transparência de meu ser
Só tu...
E o resto, anda longe no vento...


Maria Luísa

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Desconhecido

Meu espírito sentiu a mudança
Meus ouvidos ouviram à distância
Meus olhos viram.

E te segui no grito que subia
Até avistar a casa
Na praia sombria.

Entraste à minha espera
De novo veio o vento,
Eu me despi antes de chegar a ti.

Tu olhaste fundo
Num fundo atrás de mim
E à frente de ti.

Quem vinha comigo
Eu não conhecia,
Mas tu sabias...

Vinha do mar à nossa volta
Vagueando por entre ondas altas
E nos ia levar.

Tu sabias
Eu não sabia.

Tu sofrias
Eu não entendia.

Eu estava despida
Junto a ti.

Desamparada na areia fria
Percebi,
A amargura da partida.

Chorei esquecida do que tinha vivido
Num tempo quente de amor
E entrei contigo, numa outra vida.


Maria Luísa

domingo, 13 de fevereiro de 2011

ILHA

A ilha é frondosa, bela
De flores matizadas únicas
O sol brilha por entre velas,
Ilumina o mar.

Flores tropicais
Vestidas de mil cores, mostrando beleza
O mar azul-turquesa canta esbelto e belo.

O calor assusta, deprime o caminhante...

Um caminho estreito e vago
Onde o verde predomina e brilha
E eu desço ao penedo
Onde o homem morto pesca,
Sem saber o que pesca.

Acerco-me dele, não fala,
Apenas olha em frente
E eu vejo solidão
Misturada na Ilha Bela.

Ele ignora minha presença
Num fundo negro ausente
De um silêncio horizontal presente.

O dançarino é o Mar
E o homem, o espectro da dor
Do céu, terra, flores
E de mim que sou humana.


Maria luísa

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

RAÍZES

Odeio dizer isto
Odeio sentir isto
Odeio que seja verdade!

E a saudade me atormenta
Pelo que deixei
Pelo que não encontrei...

Raízes perdidas, partidas
Em duas partes do mundo,
Do mundo por onde andei...

Meu coração se divide
Para o último céu que olhei
Para o último ar que respirei...

Lembro o mar de nuvens brancas,
Brancas esvoaçando lentas, brandas
E o poeta chorando, olhando o espaço...

Lembro meu último pensar
lembro meu sofrer por amar,
Ouvindo a voz do amor que sonhei.

E voltei!...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sonho

Internet/ Salvador Dalí
Há milhentos rostos
Olhando sem encanto, meu rosto,
Não reconheço esses rostos.

Nem um apenas, eu reconheço!

Estou sonhando um sonho,
Um sonho
E rápido vou acordar do sonho
E não sei o nome do sonho
Nem conheço o sonho
Nem sei reter o sonho.

Mil rostos me julgam
Sem me conhecer.

Mil esperanças me rodeiam
Neste entardecer,
Mas é tarde, excessivamente tarde,
para vencer
E regressar, para perceber.

Quero minha Alma
Para esquecer,
Mas não sei dela...

É tarde, demasiadamente tarde,
Para viver!


Maria Luisa

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Escrevo

Na fragilidade do meu mundo
Na saudade que me confunde
No beija-flor elegante,
Palpitante,
Tremente,
de prazer constante.

Eu te amo
Internet/ Salvador Dalí
Mais do que me amo...

Eu te desejo ainda mais
Do que tudo quanto canto
No feitiço do meu pranto...

Na música que tu tocas
Eu me encontro
E me perco
E caminho,
De mundo em mundo.

Qual o nome da minha alma?


Maria Luísa (Brasil)







terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Eu Vivo...

Internet
Na fragilidade do mundo,
Eu vivo...

Depois de atravessar caminhos,
Eu vivo...

Na apatia dos ruídos da rua,
Eu vivo...

Na solidão das noites caladas,
Eu vivo...

No fulgor dos dias soalhentos,
Eu vivo...

No carpir das mágoas contidas,
Eu vivo...

No choro interior de olhos secos,
Eu vivo...

Na melancolia do meu entardecer,
Eu vivo...

Na saudade de não tornar a nascer,
Eu vivo...

No meu amor contido de amargura e esperança,
Eu vivo...

Contigo eu estou esperando por mim
E assim eu vivo...

Contigo eu amo tudo,
Por ti volto ao princípio de tudo...

Contigo eu estou na descida e no cimo
E sonho, num sonho rendido.

Contigo eu sou,
Contigo eu amo,
Contigo volto,
Ao princípio e ao fim
E vivo...


Maria luísa (Brasil)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Novo Ano

Copacabana RJ, Final do Ano 010,

Janeiro de 2011
A contagem do tempo foi feita
E o céu gritou de milhentas cores
Brilhantes, reluzentes, presentes!

Escondeu o mar,
Escondeu o Infinito,
Escondeu as estrelas,
Escondeu a maresia desse mar,
Escondeu a favela...

Os barcos ao longe e perto
Acenderam luzes,
As casas voltada para o mar
Abriram janelas...

Meu espírito sentiu a mudança
Tudo tinha um ritmo diferente,
Diferente do dia,
Diferente da noite,
Diferente da maresia do mar.

O Infinito se aproximou
O Cristo Redentor olhou
O Pão de Açucar brilhou...

O mar batia leve e brando
Molhava a areia da praia,
Milhões de Almas aguardavam, pediam...

Eu estava na noite única
Olhava o espaço eterno
As ondas me beijavam
E eu lhes atirei flores...

Me juntei assim, à esperança,
De um povo exuberante
Na espera constante
De promessas cumpridas.

Busco a poesia
De outros poetas
E simbolizo todo o mundo,
Perto ou distante...

Aqui deixo minha voz!

Maria Luísa

(Rio de Janeiro 011)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Meia-Noite


Internet/ Salvador Dalí
 



É Meia-Noite
Hora de feitiços
E compromissos mentidos.

Eu sou a sombra
Da poesia morta!

O Novo Ano entra,
Vestido de Cerimónia
Fato preto, camisa branca, laço.

O Cristo se escondeu,
Não pode entrar no apogeu
De quem manda!

Lantejoulas reluzentes
  Luzes Ofuscantes                                                        
Músicas e cantos.

Meus olhos fixam seus olhos
E não me dizem nada!

A noite é quente
Nos salões repletos de gente,
Deusa da quimera.

Tudo fervilha,
Numa denúncia ao mundo!

Eu sou o ser enigmático
Na sombra obscura
Acompanhado da loucura!

Creio que este Novo Ano
É fantasia,
Igual aos outros Anos.

E a cerimónia de que se veste
É simbologia!

O mar reflecte a Luz
De multidões gritantes
Ao Infinito tão distante.

As nuvens correm, passam,
Se transformam em pedaços leves
Sem intento.

Eu estou presente,
Ausente,
Distante,

Mas longe, muito longe,
Do lugar dos indiferentes...

E traço a minha dança!

Maria Luísa  (Brasil)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

NATAL

..

Um cãozinho pedia uma esmola
Não para ele,
Para aquele que nele mandava!

A concertina tocava...

Como contar que se passava
Naquele viver,
Triste e miseráve!

A concertina tocava...

Deslocada nesta cidade
Não pertencia à cidade,
Pertencia àquele que tocava
E ao cãozinho que pedia
De olhos tristes
A quem passava!

Olhei
Parei
Analisei
Senti
Chorei...

E ele continuava a tocar
Não sei que toada
E o cãozinho cumpria
Um destino
Que não lhe pertencia!

Eu parti amargurada
Sem saber que fazer
E não fiz nada!

A concertina tocava...

Não sei que melodia
E eu derramei lágrimas
Escondidas
Contidas
No meu ser!

E se o mundo sorrisse
E nos desse a mão
E nos conduzisse?

Que bom seria...

Era Natal,
Nada mais havia
E ele e o cãozinho
Nada sabiam.

E tudo passava
E poucos ouviam o som,
Dessa concertina
Que pedia!...

Era Natal,
O Amor seria o principal
Naquele dia!..

Meus olhos ficam
Meu coração suplica...

A concertina gemia
E acompanhava
Os que pediam. 

Cada palavra uma lágrima,
Não posso acusar
Não espero perdoar!

Maria Luísa  (Brasil)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

SORRIR

Internet - Salvador Dali
Sorrio quando canto
Sorrio quando espero
Sorrio quando amo.

Tudo me faz sorrir
Levantar meu canto
Procurar meu sentir.

Sonho contigo, sorrio
Abro meus olhos, sorrio
Meus olhos sorriem, sempre.

Abro as janelas
Olho as estrelas
Estou perto delas.

Leva-me contigo
Leva-me sem medo,
Dá-me o teu sorriso.

Prendo a cauda brilhante
De uma delas
E voo com ela.

Chego à nossa casa
Atravesso o Oceano,
Tão longe a nossa casa...

Te beijo, te amo,
Te sinto um sonho inteiro
Nos meu corpo vivo.

Fixo o meu olhar, no teu olhar
E sem falar, sorrio...
Quem somos no Tempo?

Deixa dizer que te amo muito
E não vou deixar de te amar
E é tudo imenso...

Um dia lês o que escrevo
Ou não te atreves a ler,
Sentes o silêncio e ignoras tudo.

Mas eu sou o poeta que canta
A quem ninguém escuta
Sombra vaga na poesia...

Sorrio,
Só os meus passos se ouvem
O resto, é melancolia!...

Maria Luísa (Brasil)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A TURBA

Eu estava contigo,
Caminhávamos por entre a turba
Nada nos prendia nesse caminhar.

De mãos dadas,
Absortos na caminhada
Respirávamos o ar.

A Turba conturbava,
Fazia perder o ritmo
Da Caminhada.

Mas nada importava,
Nem a turba
De vozes alteradas.

Nem o patético momento
Tão presente
Que ressuscitava
E o Profeta iluminava.

Olhando as estrelas
Nossas bussolas,
Caminhávamos.

Nada contava,
Nem os que fugiam
Não nos pertenciam!

Procurávamos a paz,
Uma e outra vez encontrada
Uma e outra vez procurada.

Perdidos na turba
Na sombra vaga
Nós caminhávamos.

Procurando não perder
A estrela que nos guiava!

Tudo se diluía ao passar,
Não olhávamos
E aceitávamos.

A turba já cantava,
Não nos interessava
Nada mais contava.

A alma do sonho chegava,
As portas de ouro se abriam
E nós entrávamos.

Quietos e pálidos,
Assombrados
Mistificados
Perdidos
Sem Terra
Sem Estrelas
Olhos fechados
Sem abrigo...

Símbolos e enigmas,
Nós estavamos presentes
A turba faltava.

As sombras corriam
As nuvens resplandeciam
Ao nosso olhar.

Nós pediamos
Deixem-nos passar,
Temos o Amor a aguardar...

Tão longe...
E o tempo é pouco
Para te Amar!


Maria Luísa  ( Brasil)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Jogo de Palavras e Figuras


Internet/ Salvador Dalí
Embalei as Palavras 
Na minha mão
E joguei,
Um último jogo
Feito de tudo quanto sei
E tudo quanto sou!

Alinhei as Palavras na mesa,
Vestida de Cerimónia
E Elas correram céleres
Para a Grande Vitória.

Fiz o jogo que sei jogar!

Juntei às palavras
As figuras do meu jogo
E elas responderam com ansiedade,
Ao meu desejo,
Juntaram-se...dominaram!

Deixei esta ânsia de dizer,
Neste sentir de Outono a fenecer.

Tudo vai ser esquecido,
Como se da Noite
Se apagassem as últimas Luzes,
Feitas das lantejoulas
Do Firmamento a escutar!

Jogo, sem ter o desencanto
De quem perde...
É uma benesse a recordar,
É uma mistura de palavras e figuras
E acompanha o Espaço Sideral,
Num conjunto de doação Total!

Jogo com as palavras e as figuras
Num jogo Ancestral...

Por Ti e por Mim
Meu Amor,
Este Jogo Fatal
Irreal,

De quem procura e não encontra
A parte FINAL!

Maria Luísa

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

ACEITAR!

Internet/ Salvador Dalí
Eu não quero ser olhada
Eu não quero mendigar
Eu não quero aceitar!

Vejam-me como sou
Sintam meus cambiantes de cor
Como música a soluçar.

Se um dia me encontrar
Quando o silêncio falar
Não preciso dizer nada.

Eu não pertenço à terra
Continuo na terra,
Mas há muito deixei a terra.

Lembranças, pensamentos, dúvidas,
Posso deixá-los em palavras escritas
Um dia, os podem levar.

E serem entendidos
Melhor do que hoje
Melhor do que ontem.

Vem meu amor
Só a ti eu tenho
Só de ti eu espero...

Não vais entender este amor
É impossível de entender
Cada palavra a rogar.

E o imaginar cresce, toma forma,
Na procura do que criou
Numa pequena demora.

As linhas ocultas
Devem ser lidas
Por poetas Divinos e Exactos!

Só eles sabem
Só eles aceitam
Só eles cantam!

Chegou o tempo de louvar
Chegou o tempo de procurar
Chegou o tempo de parar!


Maria Luísa Adães

sábado, 20 de novembro de 2010

Fantasma ao Vento

Internet/ Salvador Dalí
Deixei de sorrir
Deixei de amar
Deixei de esperar.

Meu coração está deserto
Destroçado,
Sobre a loucura do Universo.

Aparecem meus fantasmas
Quase se não vêm,
Minhas ilusões desfeitas.

Me saudam,
Sabem quem sou
Pouco me amparam.

E hoje, ainda hoje,
Neste instante mesmo,
Sou um poeta que cantou.

Não,
Sou um poeta que canta
E ninguém escuta.

Será que morri
Será que não sou eu
Solitária e louca?

O mundo não me vê
O mundo não me escuta
O mundo não me sente!

Falta-me o talento,
Sou Fantasma ao Vento!...

Maria Luísa

sábado, 13 de novembro de 2010

ARABESCO

Internet/ Salvador Dalí
O arabesco misterioso
Do poema
E da alma do poeta,
Do sonho e da dor.

E a minha placidez misteriosa,
Nebulosa, de quem não sabe
De quem não encontra
De quem não conhece Nada!

E o arabesco de folhas entrelaçadas,
De figuras desconexas, geométricas,
Desta metralha de céu e terra.

E não encontro a luz do teu dizer...
Procuro e não encontro,
Mas encontro o Nada!

Se pouco aprendi,
Como te vou encontrar
Tarde ou cedo,
Quando a morte me chamar?

E quando não souber de ti
Como te vou procurar?

Meu amor,
Quantos anseios, quanta procura
Quanta verdade, quanta amargura...

Como te vou encontrar?
Se nada sou
E Nada tenho!

Tenho...me lembro,
A sombra vaga, ó alheia
Dos poetas que cantaram

E ainda, como lembrança viva 
E Eterna,

...As loucuras da nossa Mocidade!


Maria Luísa

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Façam o Jogo

Internet/ Salvador Dalí
Frente à passagem do tempo,
Eu não estou serena
E temo esse tempo.

Sei que o canto é tudo
As lágrimas são nada,
Eu sou tua sombra, transformada.

Sonho, tantas vezes sonho
E antecipo minhas visões
Nesses sonhos.

A palavra é sempre,
Um elemento de jogo ancestral
Clara, louca, perfeita.

Com a palavra o poeta
Joga, brinca, chora, ama,
Se deslumbra, ou se mata.


A vida tornou-se num jogo
Indecifrável,
Os meninos carregam às costas
Todo o mal do mundo.

No último amor perdido,
Os homens tocam a terra
Como Deusa de desenganos.

Apenas no pano verde
E nas luzes cintilantes
Há um vislumbre, de pretensa alegria...

E o homem sonâmbulo
Diz de quando em quando,

Façam o jogo, meus Senhores!

Maria Luísa

terça-feira, 2 de novembro de 2010

NATURA


Internet / Salvador Dalí
A minha alma desdobrada
Sente o rugir da madrugada.

A Natureza clama e pede clemência
Às águas que correm como um lamento.

As folhas das árvores, as flores trepadeiras,
As raízes imersas transformadas - caem.

Não temo os gritos de Deuses sem vida,
Os transformo no interior de palavras escritas.

Entrecruzo os passos,
Na cadência rítmica do teu coração.

Os passos não retrocedem,
O caminho é em frente e é urgente!...

As nuvens trazem o odor do mar,
Dos muitos mares da minha vida.

Devolvo os ecos do Universo, para as horas vivas
E não para o silêncio das muralhas.

E no meio de quem fala comigo
Espero que te unas, ainda que seja tarde.

E quebres esta luta, em ondas transparentes
E me ames, na cadência de quem sente.

Eu, tu e a natura inclemente,
Noite estranha de amantes ausentes...

Eternamente sejas meu
Como a noite é minha!


Maria Luísa

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

MUDEI...


Internet / Salvador Dalí
Afastei-me de tudo quanto amei
Repeti o adeus ao meu amor
Mudei meus pensamentos e sentires
Habituei-me à multidão sem nada
E à grande solidão desenterrada.

E a penumbra apagou meus olhos
Não vislumbro nada,
Não tenho lembrança na memória
O caminho está gravado sem glória.

Os poetas como eu cantaram
E já ninguém os escuta,
São sombras vagas de loucura
Audaz e pura.


Quantas coisas esqueceram
E deviam lembrar.

Quantas coisas lembraram
E deviam esquecer.

Pior do que tudo
É não ter lembrança alguma
Na memória.

O coração tornou-se deserto
E o caminho
Num vago rumor de prece.

Tudo vai caír
E fica à superfície
O canto nativo do Amor.

Eu e minha forma de viver
Com minha maneira de esquecer,
Não esquecendo
O  desejo de esquecer.

Perdi não duvides,
Mudei de lugar tantas vezes
Olvidei meu lugar de pensamento.

Olho à volta
Não reconheço nada,
Mas não quero pronunciar teu nome

Te posso perder!...

Maria Luísa

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

GENTE


Internet / Salvador Dalí
Há tanta gente a morrer,
Há tanta gente sem viver,
Há tanta gente que não sente,
Há tanta gente sem amar.

No meu silêncio a escutar!...

Há tanta gente dispersa
Fazendo trabalhos duros,
Escutando promessas.

Que são noites de agonia!...

Há tantos vultos brancos,
Há tantos vultos negros,
Pés descalços,
Mãos levantadas em Oração.

Inalcançáveis mudanças!...

Meus olhos ficam nas dunas
Se fecham cansados de olhar
As ilusões dispersas.

Meu coração se parte,
Cai de mãos descuidadas
Distanciadas,
Como um Poeta a chorar.

Num tempo perdido, sem amar!...

Uma dor
Uma visão
Sem uma carícia.

Noites ermas
Perdidas
Sem mãos
No vento.

Sem a voz do amor, que diz meu nome!...

Maria Luísa

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mil Rostos

Há mil rostos olhando para mim
E eu neste instante
Não reconheço nenhum.

Há mil sentimentos à minha volta
E eu no momento, não tenho nenhum.

Há mil infelicidades pedindo guarida
E eu neste tempo, não ouço nada.

Há mil pessoas perdidas, esquecidas
E eu não digo nada.

E sinto e penso,
Que estou voltada
Para as coisas da Vida.

Quero andar contigo, lentamente,
Dizer-te aqueles segredos
Que nunca digo.

Quero amar-te eternamente,
Na memória, na essência
Dos meus versos.

Caminhar contigo pelo deserto,
Caminhar contigo
Nas Grandes Cidades.

E acreditar que não há,
Mil rostos olhando para mim
E mil infelicidades.

Só quero amar
Numa insónia feliz,

No deserto do amor,
Sem mais nada!


Maria luísa

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

DIREITOS ESQUECIDOS

Discutiu-se o teu futuro
Nas grandes Assembleias
E todos deram o seu apoio
À tua felicidade,
Mas os teus Direitos
Foram esquecidos,
Dos que têm de pensar
Em coisas mais sérias.

E tu interrogas a Noite
E a solidão
Dessa mesma noite
E a incerteza
Do próximo Dia.
                                               
A Estrada continua
À tua frente,
Apenas ela
É a tua realidade.

Nada te pode dar
O que os homens
Te levaram!

Comes a poeira
E a miséria...
Quem te espera?
Apenas o sofrimento
E a Guerra
E tu sabes...
Aprendeste essa lição.

Meu Amigo,
Onde estão as flores
Numa terra metralhada?
E os teus filhos...
...Os muito abandonados
E não foram sepultados,
Nem rezados,
Apenas queimados
Dilacerados.

Foi este o teu Mundo?

Possam as gerações vindouras
Estudar o teu caso
Noutras Assembleias
E descubram
As razões reais
Do teu abandono.

E encontrem os culpados
Para serem julgados.

A História vai analisar
Em breves palavras.

Mas tens Direitos
Que desconheces!...

Isso eu tenho a certeza!

Leva a rosa escondida no meu peito...


Maria Luísa


             
                    Liu Xiaobo/ Prémio Nobel da Paz / Setº. 010



terça-feira, 28 de setembro de 2010

Nudez

A tua nudez
Arrepia meus sentidos
Se traduz repetida
Por momentos esquecidos.

Te olho
Te aprecio
Te quero
Como beleza que és!

E não há pecado,
Apenas a ternura
Do encontro, do meu corpo
Junto do teu corpo!


Apenas isso eu quero!
Desejo e movimento
De um segredo
De meu tormento.

Não me lamento
Ninguém gosta de lamentos,
Estamos em margens opostas
No momento!

Una te contemplo,
Não fixes meus limites
De fluidez humana.

Quem pode mudar
Esta diferença,
De tudo, quanto é Meu?

Maria Luísa