sábado, 26 de junho de 2010

Quando Te Amo

Quando te amo,
Nasço e morro
Renasço das cinzas
De rosas queimadas
De fogo ateado
Nas sombras dispersas.

O teu lado,
O meu lado,
Escondendo
O teu corpo e o meu,
Das minhas fantasias
De poeta.

E subo, como poeta que sou
Ao Altar do Sacrifício,
Olho numa despedida      
A Via-Sacra,
Como a subida de  um justo                               
Na hora da partida
A procurar o lugar,
Onde se propõe descansar.
Eu olho, sem saber quem sou
Sem saber quem procuro
Sem saber onde vou...

Mas olho por detrás das árvores
A cobrirem nosso espaço,
Nosso espaço de amor
Nossa cama floreada
De mil cores
Nosso respirar ofegante
A descansar,
Da luta do instante.

Abro meus olhos
Enquanto dormes
Enquanto descansas
Dos jogos de amor,
Ensinados por mim
Aprendidos a primor
Por ti...dormes, descansas.


Eu olho o submerso,
Onde tantos se debatem
E se prendem
Sem salvar.


E desço uma vez única
Para escrever meus versos
E dar a saber,
Àquele que se perdeu
O caminho de regresso.

Volto ao meu mundo.
Por ti que adormeces
E por Eles!

E eles sabem?
Não, não sabem.

Mas não importa saber!

Importa é que volto por Eles
E por ti, meu Amor!

Maria Luísa

quarta-feira, 23 de junho de 2010

TEMPO

O tempo corre
Os relógios não param,
O tempo corre apressado
Que mal lhe fiz no meu passado?

O tempo se escoa,
Pelos buracos do chão
E os erros são repetidos
E os poetas esmagados,
Com esses erros.

Eu fugi da turba
De mãos dadas com meu amor,
Fugi ao clamor da turba
Que se comprimia
Numa procura
De quem não sabia,                                                               
A razão da procura.

Espero,
Quando o tempo
Voltar a ser tempo
E possamos voar.

E fugir à turba
Que continua a clamar.

Tu sabes que eu parti
Noite morta,
Numa procissão de sombras
Dos que vivem
 Dos que já morreram.

Eu era a imagem da vida,
Ainda sou essa imagem
E continuo de mãos dadas
Contigo, meu amor.

Os remos batem nas águas
E nos levam pela noite
Ao sabor da maré,
A um outro horizonte.


Maria Luísa

domingo, 20 de junho de 2010

VIVER

É na realidade que vivo
É para ela que tenho de voltar
Quando as asas cansadas
Não podem mais voar.

Tenho de viver sem sonhos
E transformar todo um destino
Que ao nascer, me proibiu de tudo.

Mas não sei como o fazer...
Pergunto ao vento,
Ele não sabe responder.

Pergunto às aves
E delas me amedronto
E elas sabem, porque fujo delas.

Deus não me pode dizer como viver,
Tenho de aprender
E não sei, como aceitar o morrer.

Não culpo nada nem ninguém!

Alguns culpam Deus de tudo,
Outros culpam sua sorte,
Eu me culpo a mim,

Na espessura da multidão
Que me envolveu.

Como posso estar viva,
Como posso descer escadas,
Perder minha vida,
Ter um rosto no mundo
Afundar um destino
Há muito afundado?

Como posso viver meu amor
E não te culpo de nada...

As culpas são minhas
Apenas minhas, são as culpas!

Sinto-me igual à solidão
Na procura,
De uma face iluminada.


Maria Luísa

segunda-feira, 14 de junho de 2010

SILêncio

Tenho o silêncio
Esta forma de amar
E isso não tira, o meu caminhar.

Eu não sou ninguém,
Mas é comigo que falam
As barcas sobrenaturais.

Toda eu estou além,
Num mundo que me retém
Acordada à espera de meu bem.

Tenho o mar, e barcos a navegar,
Num silêncio de alguém
Que procura como amar.

Sombras conheço,
Silêncio mereço
E amor também.

Gosto de me perder em ti,
De viver por ti
Me envolver em ti.

Esquecer o lugar
Sem rumo
E em teus braços,
Me perder, sem saber o porquê.

E como vou subir esta estrada
Milhentas vezes,
À procura do Nada?

Em teus braços
Me perco
E gosto de me perder.

Não há pecado
No rumor das fontes.

Só vejo e sinto,
O que não sei
Se existe...

É este o meu silêncio!

De olhos cegos
Nada vejo
E penso tudo ver!

Assim eu sou...
Com dificuldades me levanto,
Sofro por meu desencanto.

Quanta palavra,
Quanta forma de dizer.


Maria Luísa

domingo, 6 de junho de 2010

MUNDO

Estás em tudo que nasce
E também em tudo que morre!

Tu vens,
As janelas estão gradeadas
Entra o Sol e a Luz,
Mas não entra o Mundo
Que palpita lá fora
Chamando por nós.

Mundo,
Não te posso responder
Estou aprisionada
Dentro do meu ser.

Quero fugir,
Gritar bem alto
A saudade que me fere
A saudade de teu canto
A saudade de teus beijos
A saudade de teus passos
A saudade da minha Vida.

Perdida neste lugar
Que não me pertence
Não me encanta,
Com o desejo de fugir
Para outros lugares
E voltar sempre
Ao primeiro lugar...

E isso - desencanta!

Isolada do meu mundo
Das coisas que perdi
E das outras que encontrei,
Tão próximo de mim.

É um mundo
Sem música, sem beleza
Em múltiplos horizontes
Onde não posso andar,
Num confronto
De dois mundos desiguais...
O meu e o teu.

E continuo a fugir
A me sentir perdida,
Esquecida.

Ninguém me pode dizer
O que fazer,
Eu não aceito!

Apenas aceito,
A minha forma
De viver!...

E duvido de mim, de ti,
De todos.

Maria Luísa

domingo, 30 de maio de 2010

SEM RUMO

Vou sem rumo
Tão grande o Mundo...

Balançam as ondas
Batem suaves
Na cadência das águas,

Escondem minha existência.

Um barco estremece e eleva-se,
Leva o peso de meus sonhos.

Outro barco balança
As velas ao longe,
Outro segue o seu destino.

É um mundo com sol,
Mas sem chão.

Tudo se aquieta
Num tempo derradeiro
Numa despedida de pranto.

A noite se curva de frio.

A magia do silêncio
O encanto da Natureza,
Juntam-se ao amor palpitante
De meu coração tremente.

As ondas murmuram
Leves e nuas como eu,
Tudo é uma aventura
Dos fantasmas que persigo.

E ondas prenhes de saudade
Escutam meu canto de ansiedade.

Ouço o rumor de teus passos
E meu sorriso suspenso
Sente o teu abraço.

E se entrega fremente
A esse abraço...

Onde ficou teu outro Eu?
Não respondas,
Não acuso,
Esquece

Somos Senhores,
Do nosso mundo!

Maria Luísa

segunda-feira, 24 de maio de 2010

FALA-ME

Fala-me dos sonhos,
Fala-me dos medos,
Dos terrores,
Das lembranças
Menos boas,
Mas fala-me
E deixa a porta do meu quarto
FECHADA
E nem tu entres, meu amor!


Fala-me das madrugadas
Da relva do jardim
Machucada
Pelos amantes que se amaram,
Ao som das cítaras caladas!

Fala-me do teu poder eterno,
Fala-me das cortinas corridas
E do teu deambular
Pelas esquinas,
como se não fosses Nada!

Não falas,
Não dizes,
Não contas?

Então tu és o Nada!

Deixa-me as quimeras
Do meu sentir de Poeta
Esquecido, aniquilado
Nesta Era!

Mas lembra-te...
Tu és o Nada,
Eu sou o Tudo!

Não esqueças
Não te percas,
Mas sabe...
Tu és o Nada!

Mas eu sou Amor
Luz e Vida!

...O Tudo e o Nada!


Maria Luísa

quarta-feira, 19 de maio de 2010

REALIZAR

Há um sonho a realizar
Há um tormento a esquecer,
Flores a nascer
Gente a morrer.

Há uma noite insensata
Há um luar de prata
Maldade de quem mata,
Há quem morra por amar...

Há a tua voz sem coragem
Há o amor em vantagem,
A subtileza da fluidez humana
A água que cai e te chama.

Há os espelhos da nossa Casa
Há os espelhos do Salão,
Igualmente plácidos
Divinamente exactos.

Há a dor daquele que não sai
E do outro que não tem casa
E prolonga na vida,
Um sonho mudo e fortuito.

Oh, quanto me pesa,
Minha memória passada
Minha memória presente
Minha memória ausente.

Há um sonho a realizar
Há uma insensatez a esquecer,
Flores a nascer
Gente a morrer.

Há um verso a caminhar
No Universo,
A tentar um ramo aberto
Para adormecer
Na linha recta,
O Olhar na linha curva.


Há um sonho a realizar
E és tu, meu amor!


Maria Luísa

sábado, 15 de maio de 2010

REPARO

Reparei em ti
Quando te vi
Quando te olhei.

Reparei em ti
E me perguntei
O porquê desse reparo.

Reparei em ti
E me lembrei
De alguém ou um lugar.

Reparei em ti,
Na tua forma
De dar.

Reparei em ti
E pensei,
Te posso amar!

Reparei em ti
Reconheci em ti,
A minha forma de estar.

Reparei em ti,
Senti e reconheci
O meu Altar.

Reparei em ti,
Olhei para mim
Através de ti.

E reconheci
Finalmente percebi,
Esse olhar fixo em mim.

E descobri,
O meu olhar no teu olhar
E duas, espelhadas, numa única.

E gostei de ti,
De te reconhecer
De reparar em ti.

Reparei em ti,
Gostas de escrever
Como a água
Que necessitas de beber.

E fiquei a saber
...Esta eu sou
A Primeira e a Última!

Como ser mortal, novamente.

Maria luísa

terça-feira, 11 de maio de 2010

Não Ouço as Vozes

Hoje não ouço as vozes,
Vou sem rumo
Tão grande o Mundo
E países tão distantes...

Hoje não ouço as vozes,
As vozes daquele tempo.

Hoje estou unida a ti,
Desejosa de ti
Do teu amor
Flores molhadas
Junto a mim.

Hoje sou magia e esplendor
Num mundo de fogueiras acesas
No mistério de quem sou.

Que te vou dizer
Se me interrogas
Acerca de tudo?

Conheço as sombras,
Conheço as luas,
Conheço assombros,
Conheço o amor
À distância
E cubro minha nudez,
Com esse amor.

Te beijo,
Te abraço,
Te amo,
Te desejo,
Te quero...
Me perco
Em teus braços.

A fogueira acendeu
Eu sou a fogueira,
E ardo nos teus braços
Do teu desejo e afecto,
De meus abraços.

E quando apagar
Apago com amor,
A perdição
De uma vida!

E nesse instante,
Torno a ouvir,
As vozes
Daquele tempo.

Mas hoje, não...
Hoje és tu e eu!


Maria Luísa

sábado, 8 de maio de 2010

AMEI-TE



Amei-te,
Humilhei-me em prantos.


Desconexos
Perplexos.


Vivi para ti,
Esqueci família
Esqueci amigos
Esqueci de mim...


E tu me olhas-te
Longamente, me olhaste
E me ignoraste.


Esquecido de mim
Esquecido do que dei.


Mais tarde agradeci
O desencontro
De mim e de ti.


Só eu fui invulgar
Tu foste vulgar!
Não merecias
Meu sonho de encantar.


Pára no deserto de meu caminho
E eu te ame,
Na fragilidade da poesia.


Amei-te,
Desconhecia o amor
Mas te dei meu calor
E perdi meus passos.


Me olhaste longamente,
longamente me olhaste
Como sempre o fizeste,
Mas nada restou.


Deixei de respirar,
Parece que morri
Na superfície lisa
Que atravessei.


Meus versos deixaram
de cantar.
Ficou meu pranto,
Preso ao luar
E eu morri...
Por te amar!


Maria Luísa

terça-feira, 4 de maio de 2010

Deixa Que Te Leve


Deixa que te leve,
Caminhemos pelas ondas,
Mansas, sonolentas,
Sedentas de tudo.

Deixa que te leve,
Ao encontro dos sonhos
Sonhados,
Nunca encontrados.

Deixa que te leve,
Ao meu jardim encantado
Com flores de mil tons
E clarões alaranjados.

Deixa que te leve,
Através da multidão
Que corre,
Sem piedade.

Deixa que te leve,
Para meu recanto breve
Onde tudo canta
E é leve.

Deixa que te leve,
E sejas meu, finalmente
E esqueçamos o mundo
De forma breve.

Deixa que te leve,
Ao encontro de espelhos
Diluídos na noite de agasalhos
E aguardemos
E nos amemos
Como sabemos.

Deixa que te leve,
A escutar meu silêncio,
De palavras perdidas
Num canto agreste.

Deixa que te leve,
Não contes o tempo
Talvez se esqueça
De mim, de ti
E nos deixe ficar...

E acredita,

Outros se buscam no espelho!

Maria Luísa

sábado, 1 de maio de 2010

É MAIS FÁCIL


É mais fácil ouvir as estrelas
Senti-las passar,
Do que entender a terra
E alcançar meu sonhar.

É mais fácil amar-te
Do que te repudiar.

É mais fácil falar do amor
Do que viver esse amor.

É mais fácil sentir a maresia do mar,
Do que olhar ao longe
O barco que parte,
Chamando por mim.

É mais fácil dizer que te amo
Do que te amar.

É mais fácil, meu coração parar,
Do que o tempo a contar.

É mais fácil te reconhecer na multidão,
Do que olhares meus olhos, na escuridão.

É mais fácil aceitar, falar,
A escrever temas abstractos.

É mais fácil subir,
Escadas de pedra
Do que entrar no meu Palácio.

É mais fácil caminhar
Nas ondas do mar,
Atravessar desertos
Olhar ao longe
E nada vislumbrar,
Nada escrever,
Nada contar,
Nada dizer.

É mais fácil
Do que Viver!...

E escolhi o mais Difícil!...

Maria Luísa

quarta-feira, 28 de abril de 2010

SEDE

A sede dentro de mim não morre!

Nu tu e o poema,
Nu tu e as palavras ardentes,
Nu tu e o desejo de ser crente,
Nu tu e o teu sentir
Desprovido,
Seduzido,
Na chamada
Loucura de quem sente.

Nuas as palavras ao vento
Penetrantes no sentir
De quem mente...

E se transformam no desejo
E nuvens de saudade
Por cima da Verdade.

E sejas tu,
O vento e o poema
E estrelas eriçadas
Das horas lentas e caladas.

Pára nas pontes frágeis
Da poesia
E não contes mais!

Diz adeus
E não procures,
Hoje e sempre.

Esta é a minha dor!

Maria Luísa

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Rosas Vermelhas


Pedi um ramo de rosas
Vermelhas,
Sensuais,
Salpicadas de orvalho,
Ardentes
Como nós somos.

E tu de olhar solene
Recusaste sem falar,
As rosas vermelhas
Do meu sonho
De encantar.

Recusaste,
Não analisaste,
Indiferente
Ao meu pedir,
Por eu escrever
Sobre as rosas
Do meu jardim
E não escrever
O amor por ti.

Recusaste,
Ollhaste em frente
Absorto
E que viste?

Rosas de várias cores
Desfolhando luz e amor
No jardim de mil tons,
Mas sem o calor
Das rosas vermelhas de cor,
Do meu amor sensual, ardente.

E faço gáudio
Em ter rosas vermelhas,
Como o sangue
Que grita,
Como o sensual
Que exalta
E nos lembra
O primeiro amor,
Feito de fogo e dor.

Mas nunca mais esquece,
O calor daquele fado
Que canta, sem cantar
E o que se escreve
Sem escrever.

E por tudo isso
Recusaste,
As rosas vermelhas
Que te pedi.

Que cruel foste,
Meu amor!

Maria Luísa

domingo, 18 de abril de 2010

CLARÕES


Nas horas do entardecer perfumado,
Nas tardes procuradas e sentidas,
No silêncio de íntimo Fogo
Ardente...
Eu abro as janelas fluorescentes
Pintadas,
Pelo acender dos clarões das rosas
No meu jardim isolado.

E vejo deslumbrada a Luz
Dos clarões
A transformarem-se
Em figuras geométricas,
Desconexas
E dançarem.

Ao longe toca uma guitarra!

Os clarões tomaram o Tempo
Iluminaram
Num gesto leve
As rosas de mil cores
E cantaram...

Ao longe toca uma guitarra!

Fizeram amor de quimera
Com alegria,
Plantaram flores de nostalgia
Rolaram uns sobre os outros,
Transformaram...

Ao longe toca uma guitarra!

E ninguém os via...

Mas eles - são clarões de luz e fogo
Transformados em humanos
Perdidos,
Distorcidos,
Esquecidos.

E ninguém os via
E a guitarra gemia!

Tomaram conta da Noite,
Dos seus Fados
Cantados
Ao som dessa guitarra
Que tocava ao longe,
Não se sabia onde...

E ninguém os via!

E como clarões que eram
Brilharam
Nos recantos,
Onde o Amor impera!

Cansados retornaram
Ao jardim solitário
E esquecido,
Ficaram a esmorecer
Com o aparecer do Dia.

Ao longe uma guitarra tocava
Em som gemido...

O meu mundo estremecia
Dessa noite de encantar
A terminar
E o aparecer do dia...
Clarão não havia
E o som da guitarra
Se perdia...

Mais um dia!

Maria Luísa

terça-feira, 13 de abril de 2010

NÃO ACUSES!


Nunca fujo de ti,
Apenas fujo de mim.

Eu sou a mais difícil,
Aquela a quem ninguém entende
E não sofre com esse desentender.

Ama-me como sou,
A não aceitar o comum
Como se fosse meu,
Pois não é meu!

Deixa-me ser como sou,
Não me aperceber da maldade
E continuar a viver,
Como se tudo fosse verdade.

Deixa-me ser feliz
Como gosto,
Amar-te em apoteose
E deixar-te a olhar
Minha sombra
Quando me afasto.

Não te lamentes
Não acuses,
Somos Deuses!

Maria Luísa

quarta-feira, 7 de abril de 2010

APENAS...OLHEI!


Olhei
E não te reconheci
E tanto te amei
Num amor sensual,
Ocasional,
Ardente...

Em mim, havia amor,
Eu era
Fogo e terra
Nesse amor,

Mas tu...
Não tinhas aquele amor

Que ressalta
Que prende
Que ressuscita
E torna a noite
Em dia
E não deixa descansar...

Em ti não existia amor!

Apena o sentir
De um encanto
Feroz e agreste
E depois o acalmar
E retornar sempre,
Até um dia
Não voltar...

Passou...
Nada ficou
E no fundo de mim mesma,
Bem no fundo,
Reconheci
Que não te tinha amado,
Apenas desejado!

Em ti não havia amor
Em mim,
Não sei que se passou
Nada ficou
Nada deixou!
E quando te vi
Não te reconheci!

Esqueci!...

Maria Luísa

segunda-feira, 5 de abril de 2010

NINGUÉM


Se não és de ninguém,
Podes ser tudo quanto queres
Mesmo aquilo que não és.

Se não és de ninguém,
Te podes transformar em Alguém
Numa página solta de meus versos.

Se não és de ninguém,
Podes ser aquela nuvem além
A lembrar a Alma de alguém.

Se não és de ninguém,
Podes ser o Vento
Ninfas e flores.

Se não és de ninguém,
Constroi teu mundo
E sê Alguém.

Se não és de ninguém,
Leva a rosa
Que deixei em meu corpo

E não temos despedidas!

Maria luísa

terça-feira, 30 de março de 2010

Não Sei!...


Não sei o que sou
Não sei quem sou
Não sei onde estou
...E para onde vou
Não sei! Confesso!

Queres-me mesmo assim
Amamo-nos como sempre
Não repudias este não saber
De nada...Nem de Ti?
E o amanhã?

Sorri...
Para que o mundo seja mais gentil
Por ti e por mim.

Aceitas esta forma subtil e árdua
de Amar,
Própria de mim
Tão a meu jeito?

Aceitas?

Então...És meu!

Meu Amigo, meu Marido, meu Amante!

Não te quero longe...
Nunca!

Maria Luísa O. M. Adães

segunda-feira, 22 de março de 2010

NEM SEMPRE


Nem sempre se fala de amor,
Nem sempre se fala de nostalgia,
Nem sempre se fala o que se pensa,
Nem sempre se fala o que se sente,
Nem sempre se vive de euforia!

Nem sempre!

Apenas tu existes
No meu dizer de poeta,
Apenas tu me chamas de poeta,
Apenas tu...e ninguém mais!

Nem sempre existo!

E vivo no encontro e desencontro
Do que sou,
Vivo da minha ilusão,
Vivo da minha insensatez
E da minha lealdade

Que ninguém sabe
Que ninguém vê
Que ninguém sente
Ou pressente,
Neste meu dizer...

Nem sempre!

Tentem lembrar este meu canto,
Tentem apreciar
E não esquecer
O que não vê
O que não sente.

Nem sempre, assim é!

A solidão e a luz da noite,
Cobrem com seu manto
Os céus e as estrelas
De quebranto...

Nem sempre!

Apenas eu fico,
Apenas eu espero,
Apenas eu suplico,
talvez por ser poeta
Esquecido!

Nem sempre, eu sou!

Mas fico sempre esperando
Até àquele dia,
Perto ou distante,
Onde te possa encontrar
Beijar e amar
Sem parar,
Como se o meu mundo
Fosse morrer,
Naquele instante.

Nem sempre sinto,
Nem sempre!

E eu morro,
No desejo
Do meu Canto.

Nem sempre, eu morro!

Tudo o resto
É poeira
E ar.

Mas nem sempre
Eu reparo,
Naquele instante.

Tento olvidar,
O meu dizer
De poeta
Por algum tempo,

O Teu tempo...
E esquecer!

Maria Luísa O. M. Adães

segunda-feira, 15 de março de 2010

FONTE




Ela amava a solidão
Depois de esgotar o amor
E a Fonte desse amor.

Recolhia-se ao lugar escolhido,
Na colina silenciosa
E a água
Corria temerosa.

Orava nessa solidão,
Num silêncio que se renova
E retorna consumado, nessa prova.

E brotavam dessas águas,
Dessa Fonte que falava
O amor esperado e encontrado.

Longe da multidão,
O som alegre titubeante
De quem não estava.

E a calma silenciosa,
Da solidão vivida a dois
Como se fossem um só.

Os envolvia nessa tarde sinuosa,
Onde se cantava ao longe
E ali se amava no final do dia.

E a sombra descia,
E os encantava
Em novos jogos de amor.

E a água da Fonte escondia,
Os outros sons que se ouvia
E o grito rouco que gemia.

E jogavam como sombras,
Num mundo de magia
Num términus de nostalgia.

-Que belo final do dia,
Tu me deste meu amor
E eu te dei tudo, como sabia...

E tu gostas deste amor,
Desta fonte de água fria
A gotejar bolhas fugidias.

A aparecer,
A acabar,
A cintilar,
A esmorecer

No Final
De um Novo Dia!

Maria Luísa O. M. Adães


sábado, 13 de março de 2010

NÃO FUJAS


Não fujas de ti
Não fujas de mim.

Sou melodia
Como cascata,
Desbravando o rio.

Não fujas de ti
Não fujas de mim.

Formas um lago
Cisnes dançam,
Ao som de teu flautim.

E no teu tocar de magia,
Transformas o horizonte
Da loucura da Poesia.

Maria Luísa O. M. Adães

terça-feira, 9 de março de 2010

MULHERES


Depois de muitos anos
De submissão e de medo,
A mulher se levanta
De forma bem lenta...

Olha em frente,
Procura seu desejo
De ser Gente.

Quem ouve
Quem pede por ela
Quem escuta seu canto
De labirintos se movendo?

Mulher, procuras renascer
Do sofrimento
Do tormento de teu viver.
Abandonada,
Vendida,
Escondida nas estradas,
Espoliada,
Banida,

Mãe de um mundo absurdo!

Para ti
Há noite? Vozes? Portas a abrir?

Que dizes
Mulher esquecida?

O Tempo é teu
Este é teu momento,
Eu falo de ti
Me conta que sentes?

Te enalteço
Mulher,
Mãe do mundo.

Nada mais é preciso
A tão terna Grandeza.

Tu és o Universo!

Maria Luísa O. M. Adães

domingo, 7 de março de 2010

HARMONIA


Falemos de Harmonia!
Pergunto a mim própria
Como aplicá-la
À minha forma de viver
A tudo quanto me rodeia.

E não sei, como o fazer.

Não encontro a árvore
Da Harmonia
Nos jardins,
Nos campos à minha volta
E não vejo a semente viva,
Dessa árvore.

Procuro dentro de mim,
No meu sentir,
Em tudo quanto sou,
Mas estou perdida
No caminho.

Não soube ler,

O Teu mapa
A Tua escrita
A Tua palavra.

Caíu a noite...

Os sentimentos fugiram
Amedrontados,
As estrelas esconderam-se,
As nuvens levaram a beleza

E fiquei sem encontrar,
A árvore
Que tanta falta faz,

Ao Amor de cada dia.


do livro "Não Sei de Ti"
de Maria Luísa Maldonado Adães

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Dissertação






Imagem Internet / Génesis



O mal matou o bem
Por inveja do bem
E Deus castigou
Num deambular eterno
Numa viagem pelo Tempo
Numa viagem sem Tempo,
Passado
Presente
Futuro.

Se diz que o mal não foi
E não é o mal,
Mas se transformou no mal
Por culpa de Deus.

Há sempre uma desculpa
Para tudo
E o mal procurou
E encontrou essa desculpa.

Desconheço a origem do mal,
Mas sei que ele existe
E vive dentro de cada um,
Isso sei!

Os tempos mudam,
As causas e efeitos
Desses tempos
Mudam.

E o acontecer
Pode ser contado,
Como se visiona
E não corresponder
À Verdade.

Muitos acreditam no mal
E o louvam,
Queimam incenso
À sua volta
E o adoram,
Ele é o mal!

Outros não sei,
Ninguém me conta dos outros…
Ninguém escreve do bem
E o culpam do mal
Acontecido ao mal.

Só o mal tem desculpa
Da culpa!

E as fontes de longe,
O restar dos sonhos,
O caír das folhas,
Tudo me assombra.

Só nuvens escurecem
Meu sentir e meu pranto,
Só nuvens envolvem
Meu tempo,
Lágrimas derramadas
A cada instante,
Num estado latente.

Para mim, o mal
É silêncio e dor
De multidões abandonadas
Pelas culpas,
De quem governa o Mundo.

Não contesto nada,
Mas não aplaudo
A peça representada.

O mal matou o bem
Deus é culpado…
Eu não digo,
Mas diz a história!

E ao perdermos
Deus,
Onde está a Glória?

Maria Luísa O. M. Adães
22 Nov. 09

Análise baseada no Livro CAIM
de J. Saramago

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

SER POETA








Ser Poeta,
É subir
Planar
Voar
Esquecer
Lembrar.

Ser poeta,

É acolher todos
Quantos amam
Sua poesia
E agradecer.

Ser poeta,

É um dom adquirido
Quando nasce
E a leva consigo
Quando morre.

Ser poeta,

É voar às Estrelas
Trazer uma delas
E com ela,
Abrilhantar o mundo
E dar amizade
Utopia, amor
Magia, esplendor
Alegria
E tristeza também.

Ser poeta,

É ser árvore,
É ser estrada,
É ser sonho,
É ser Tudo,
É ser Nada.

Ser poeta,

É ser amor,
É subir escadas,
É cantar aos deserdados
Aos abandonados

É ser esquecido
Vilipendiado
Espezinhado,
Mal entendido.

Ser poeta,

É ser humilde,
É ser mais Alto
É dar os sonhos
Que volteiam
À sua volta.

E aguardar
Que Deus o mande
Ajoelhar um dia...

Para o abençoar.

Ser poeta,
É ser o Tudo
E o Nada.

E não saber
Não lembrar,
Sonhar e esquecer
O Sonho.

Somos todos de Cristal ao Vento!...

Maria Luísa O. M. Adães

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

TÃO LONGE...


Tão longe o Oceano,
Eu plano nas nuvens
Muito ao alto.

Visiono o encontro,
Onde comecei a cantar
Em noites de luar.

E me encontro
E te encontro
E te amo
E me amas,
Como eu gosto
De amar.

Desço das nuvens,
Encontro o Mar e a Terra...

Este é o meu mundo,
Este és tu, meu amor!

Que saudade imensa
Do Tempo a passar.

Levo-te as rosas,
Escondidas em meu peito.

Aqui deixo minha Voz!

Maria Luísa O. M. Adães

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ele é Amor


A minha Alma de Poeta
Predomina,
Apesar de todas as dores.

Mas agradeço o auxílio
Àquele a quem amo,
Acima do Nada e do Tudo
Num único Poema de Amor.

Ele é o Amor,
Não apenas o símbolo,
Mas o Amor Real
Difícil de definir
Impossível de julgar.

E quem julga?

Apenas a ignorância
Julga e difama!

M. Luísa O. M. Adães

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

VERDADE


Fechas os olhos
E sentes

E é como se fosse verdade

E mais:

Saudade de momentos sonhados
Ainda não concretizados.

Esses são aqueles momentos
Que não passam, não esquecem,
Pertencem à Eternidade.

Maria Luísa O. M. Adães

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

QUANTAS VEZES


Quantas vezes me dizes
Quantas vezes me falas
E eu escuto, meu amor?

Ao longe a colina
O lago em baixo
Flores exóticas
Como eu, meu amor.

Como podes saber
Se te amo,
Como podes acreditar
Neste amor?

Não por mim o vais saber
Mas por ti.

Estou indiferente,
A indiferença mata o amor,
Mas te posso dar
O que desejas de mim
E depois caminhar
Sem me lembrar de ti.

Isso pode acontecer!

Se ficas feliz
Eu dou,
Mas nada ficou
Do que se passou...

Terminou!

Maria Luísa O. M. Adães
Dezº. 09

sábado, 5 de dezembro de 2009

SONHOS


No teu sonho
Vagueaste no mundo
E não encontraste a luz,
Te perdeste!

A luz plasmada
No plano etéreo
É um plano de Paz
E amor verdadeiro.

Traçado, pintado por mim
Nada é real, definido.

A luta travada
Num mundo de nada
Continuou plantada,
Dominou!

Eu estava lá, aguardando por ti,
Não procuraste
Fugiste de mim.

Mas as luzes não retrocederam,
Continuaram a marcar
Sua presença
E me acompanharam,
Só a mim.

Tu fugiste,
Não deves fugir
Aceita com amor
A tua luta
E vais sobreviver!

Doutro modo, és destroçado!

Maria Luísa Adães

sábado, 28 de novembro de 2009

PACTO


Fazemos um pacto:

Tu caminhas comigo
Neste campo minado,
Eu caminho contigo
E nos amparamos
Na escolha de lugares
Por onde passamos.

E talvez juntos,
Possamos limpar
Os campos minados
E criar os Prados.

Caminhar nesses prados,
Escrever nossos sonhos
De mudança
Nas mentes
De quem pensa.

E tornarmos estes campos
menos densos,
Mais palpitantes
De luz
E estrelas cadentes,
Descendo, descendo...
E amor constante.


Fazemos um pacto,
Trazemos o Bem alvitado
Pela demência de alguns.


E assim,
Reconstruímos
Este Mundo,
Em que escrevemos.

Maria luísa O. M. Adães

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

JOGO


Tudo é evasivo neste mundo
Nesta vida.

Do topo da montanha piramidal,
Só se contempla as multidões
Sem rumo, fugindo às guerras,
Fugindo à fome e à sede.

A vida tornou-se num jogo
indecifrável,
Os meninos carregam às costas
Todo o mal do mundo.

Apenas no pano verde
E nas luzes cintilantes,
Se nota uma pretensa alegria
A transformar-se em lágrimas
E desenganos...

Tudo por magia de incertezas
Constantes,
Apenas o homem sonâmbulo
Diz de quando, em quando,

- Façam o jogo, meus Senhores!

domingo, 1 de novembro de 2009

Tu o Dizes...


Tu o dizes,
Eu assim faço como dizes.

Ontem adormeci,
Havia alegria
Ao pé de fogueiras acesas.

No meio da noite despertei,
Apenas ouvi o murmúrio
Do silêncio,
A multidão adormecia longe...
As fogueiras continuavam acesas,
Eu aproximei e tatuei dois nomes
No fogo e na solidão que as cercava.

Assim cumpri teu pedido,
De forma lenta, abstracta,
Intimista.

Hoje não ouço mais as vozes,
O ritual se finalizou
E ficou,
O teu nome e o meu.

Maria Luísa O. M. Adães

sábado, 17 de outubro de 2009

Nada Podemos Dizer!


Eles na primeira noite,
Se aproximam
E colhem uma flor
Do nosso jardim
E não dizemos nada.

Na segunda noite,
Já não se escondem
Pisam as flores, matam o cão
E não dizemos nada.

Até que um dia,
O mais frágil deles, entra
Em nossa casa, rouba-nos a alma
E conhecendo nosso medo
Arrancanos a voz da garganta

E porque não dissemos nada
Já não podemos dizer nada!

Bertold Brecht

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

AMOR


O amor não seria amor
Sem algumas angústias.

A vida é isso que tu dizes,
como num filme passa por nós
pequenas cenas passadas,
grandes cenas vividas.

Tudo deixa de ser real
e até o presente do instante
esquecemos.

Mas o flash é momentâneo,
muito breve, por vezes,
ou sempre.

O recordar não é benéfico,
mas ficou preso na memória
e a memória nos traz
nostalgia.

Ela simboliza a nossa pessoa,
A nossa vivência!

Maria Luísa

terça-feira, 15 de setembro de 2009

POETA


Um poeta é livre...
É livre dentro de seu coração,
Nesse lugar tem o seu mundo
...Ele sabe que nada lhe pertence.

Deveria ser aceite por todas as filosofias,
Todas as crenças, todas as raças.
O Poeta é livre, na sua forma de dizer.

Não o julguem pelo que diz no Mundo da Forma,
Mas pela verdade que pretende transmitir,
Ele pertence ao Universo puro e imenso
Nunca aos homens!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

ACORDAR




Parece simples o acordar!
Abrir os olhos e reconhecer
O Lugar onde estou.

Acordar é, apenas, abrir os olhos,
Esfregá-los com prazer
E olhar à minha volta,
Levantar-me e andar
E encontrar,
Tudo quanto amo
Com muita força.

Tão simples quanto isso!
O acordar!

Para alguns, difícil
O acordar,
Pois não chegam
A acordar.

Por Esses eu rogo
Ao me levantar!

Maria Luísa O. M. Adães